Rio deve receber R$ 181 bi em investimentos até 2013, diz Firjan

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Image caption Empresário Eike Batista participou de fórum sobre oportunidades no Rio

O Estado do Rio de Janeiro deverá receber R$ 181,4 bilhões em investimentos entre 2011 e 2013, segundo projeção divulgada por sua Federação das Indústrias (Firjan) nesta quinta-feira, em Washington.

A projeção, feita anualmente para um período de três anos, inclui investimentos públicos e privados. A estimativa anterior, para o período de 2010 a 2012, era de R$ 126 bilhões.

Os novos números foram anunciados diante de um público formado por empresários americanos, em um fórum sobre oportunidades de negócios no Rio de Janeiro, realizado na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, com a presença do governador Sérgio Cabral.

Menos de duas semanas depois de o presidente Barack Obama ter ido ao Brasil e reafirmado o interesse em ampliar os investimentos dos Estados Unidos no país, Cabral chegou a Washington acompanhado do presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, e do empresário Eike Batista, do Grupo EBX, com o objetivo de mostrar aos empresários americanos as vantagens de seu Estado.

Copa e Jogos Olímpicos

O interesse dos investidores americanos tem crescido com a expectativa em torno das novas descobertas de petróleo da camada do pré-sal e da realização da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

Segundo o presidente da Firjan, do total projetado, R$ 11,5 bilhões são de investimentos relacionados aos Jogos Olímpicos, que serão realizados no Rio, e à Copa do Mundo, como obras de transporte e infra-estrutura, hotéis e reformas ou construções de aparelhos olímpicos.

O presidente da Firjan disse que a projeção apresentada nesta quinta-feira faz do Rio o local com maior concentração territorial de investimentos do mundo, com R$ 4,17 milhões por Km².

A Petrobras responde por 59,5% do total projetado. Outros 20% vão para infra-estrutura, 16,3% para indústria manufatureira, 0,5% para turismo e o restante para outros setores. Entre os investimentos em infra-estrutura, quase metade será destinada a projetos em energia.

A Firjan afirma ainda ter deixado de fora de seu relatório “dezenas” projetos, entre eles a construção da base de exploração de petróleo no pré-sal e também o trem-bala entre o Rio e São Paulo, que foram classificados como “potenciais” devido ao grau de maturação, prazos de execução ou falta de informações precisas.

“Falta de informação”

Ao apresentar os números, o presidente da Firjan, o governador do Rio e o presidente do Grupo EBX ressaltaram o bom momento da economia brasileira, os setores com potencial de investimentos e as vantagens do país e do Estado.

Cabral lembrou que o Rio tem nos Estados Unidos seu maior parceiro comercial, com exportações de US$ 27 bilhões e importações de US$ 9 bilhões no período de 2007 a 2010.

Durante o evento, o governador mostrou aos empresários um vídeo sobre como a redução da violência com a instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas favelas do Rio.

“Há uma grande falta de informação do povo e das empresas americanas sobre o Brasil”, disse o governador, em entrevista após o fórum. “Nós estamos aqui para mudar essa situação.”

Ao ser questionado sobre declarações do presidente da Fifa, Joseph Blatter, a respeito do atraso nas obras para a Copa do Mundo de 2014, o governador do Rio disse que “tudo está indo muito bem, dentro do cronograma”.

“O único desafio, que ainda não consigo enxergar a materialidade, a solução, mas sobre o qual há uma declaração pública da presidente Dilma Rousseff de que vai fazer, é a concessão dos aeroportos”, afirmou.

Sobre o provável adiamento das obras do trem-bala, Cabral disse não se “assustar”. “O adiamento não me assusta porque será um adiamente pequeno, de poucos meses, em função de ajustes pelo aumento do interesse de vários parceiros internacionais”, afirmou.

As oportunidades de investimento no Brasil também foram debatidas na conferência anual do Ex-Im Bank, na tarde desta quinta-feira, da qual Cabral e Eike Batista participaram, ao lado o embaixador americano em Brasília, Thomas Shannon, e da chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA) americana, Lisa Jackson.

Também foi oficializada durante o evento uma linha de crédito de US$ 1 bilhão do Ex-Im Bank para projetos envolvendo serviços e produtos de empresas americanas que ganhem licitações em obras no Rio.

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