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Pesquisa atribui autismo ao nível de mercúrio no corpo

Uma nova pesquisa sugere que crianças autistas desenvolveram a doença devido a uma dificuldade em processar o mercúrio, um metal tóxico.

Cientistas americanos investigaram o nível de mercúrio no cabelo de crianças que, mais tarde, se tornaram autistas. Descobriu-se que os cabelos dessas crianças tinham um nível de mercúrio muito mais baixo do que os das outras que não sofriam do mal.

O motivo do baixo nível de mercúrio nos cabelos, segundo os cientistas, pode ser o fato de que as crianças autistas não conseguiram usar o mercúrio propriamente ou tiveram dificuldade em expelir o metal do corpo.

O autismo afeta a maneira como alguém se comunica e interage com outras pessoas.

Suspeita antiga

Já havia suspeitas de que o mercúrio tinha ligação com o autismo.

Um grupo de pais do Canadá e dos Estados Unidos está processando autoridades de saúde porque eles acreditam que o timerosal, uma substância que tem como base o mercúrio e é usada em vacinas, pode ter sido o responsável pelo autismo de seus filhos.

Especialistas se dividem sobre a existência de uma ligação entre mercúrio e autismo.

Alguns dizem que é preciso haver mais estudos antes de se estabelecer essa relação.

Outros, como Amy Holmes, de Louisiana (sul dos EUA), que chefiou essa última pesquisa, acreditam que há correspondência.

Holmes coletou amostras de cabelo de crianças com 18 meses de idade.

Dessas crianças, 94 foram diagnosticadas mais tarde como autistas. Outras 45 não sofriam do mal.

O nível médio de mercúrio no cabelo das autistas era de 0,47 parte por milhão, comparado com 3,63 partes por milhão nas outras crianças.

Quanto mais severa era a condição da criança, menor era o nível de mercúrio no cabelo.

Deficiências

As crianças receberam a maior parte do mercúrio das próprias mães, que tomaram injeções contendo timerosal ou comeram muito peixe.

No grupo de crianças não-autistas, os níveis de mercúrio foram maiores se a exposição de suas mães ao metal foi maior.

Mas os níveis no cabelo das crianças autistas eram baixos mesmo quando a exposição da mãe era alta.

Os pesquisadores dizem que uma explicação pode ser o fato de que o organismo das crianças autistas não consegue usar o metal propriamente.

Então, elas poderiam ser deficientes também em metais necessários para o desenvolvimento do cérebro, como zinco, ferro e cobre.

Os cientistas sugerem também que algumas crianças podem ter problemas para expelir o mercúrio.

A maioria dos metais é eliminada através da urina e das fezes.

Entrentanto, os pesquisadores sugerem que a falta de mercúrio no cabelo das crianças poderia ocorrer devido ao fato de o metal estar retido nas células, em vez de chegar ao sangue.

Um porta-voz da Sociedade Nacional sobre o Autismo do Reino Unido afirma que "as descobertas deste estudo são intrigantes e encorajam futuras investigações sobre os fatores que causam essa complexa desordem".

Os resultados da pesquisa devem ser publicados no International Journal of Toxicology em setembro.