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Atualizado às: 14 de janeiro, 2004 - 10h42 GMT (08h42 Brasília)
 
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Cientistas descobrem gene que deu raciocínio aos humanos
Cérebro
O córtex cerebral é responsável pelo pensamento abstrato
 

Cientistas do Centro Médico Howard Hughes, nos Estados Unidos, anunciaram a descoberta de um gene que parece ter tido um papel fundamental no desenvolvimento da capacidade de raciocínio dos humanos.

O estudo, publicado na revista especializada Human Molecular Genetics, diz que o tal gene é responsável pela expansão do córtex cerebral, uma região do cérebro que controla o pensamento abstrato.

Essa parte é bem maior nos homens que nos seus parentes mais próximos, os chimpanzés, e nos dá uma capacidade cerebral extraordinária.

O pesquisador responsável pelo estudo, Bruce Lahn, diz que a sua pesquisa é revolucionária porque ela descobriu "mudanças rápidas e profundas" em um gene que explicam o "pulo evolutivo" no cérebro dos outros primatas para o homem.

"As pessoas vêm estudando a evolução do cérebro faz muito tempo, mas tradicionalmente se concentram na anatomia comparativa e na fisiologia da evolução do cérebro", afirmou o cientista.

"Eu arriscaria dizer, entretanto, que não surgiram indícios concretos até agora de que qualquer gene cujas mudanças possam contribuir para a evolução do cérebro."

ASPM

O grupo americano estudou um gene apelidado de ASPM.

O gene foi escolhido porque pacientes que sofreram mutações nele têm reduções graves no tamanho do córtex cerebral.

Os pesquisadores compararam a composição da variação humana do gene com a de seis outras espécies de primatas, cada qual considerada relativa a uma etapa marcante na evolução do homem moderno.

As comparações incluíram de chimpanzés, os nossos parentes mais próximos, ao macaco-coruja, considerado semelhante a estágios iniciais da evolução humana.

Os cientistas então descobriram indícios de que a composição desse gene varia significativamente entre as espécies: quanto mais alta a criatura na escala evolutiva, mais mudanças foram encontradas.

Evolução rápida

A maior diferença no ASPM foi encontrada entre as formas humana e do chimpanzé, confirmando as teses de que a última fase da evolução humana foi a mais rápida e profunda.

Por outro lado, quando os cientistas examinaram a composição desse gene em animais mais "primitivos", como vacas, ovelhas, gatos e cães, eles encontraram poucos indícios de mudanças importantes.

"O fato de constatarmos essa evolução acelerada do ASPM especificamente na linhagem de primatas que leva aos humanos, e não em outros mamíferos, é um bom argumento de que o homem é especial", disse Lahn.

A próxima etapa do estudo tentará descobrir exatamente de que forma o ASPM funciona no cérebro.

Hoje, acredita-se que ele controle a velocidade de produção de células no córtex cerebral.

 
 
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