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Beber 'socialmente' também pode prejudicar o cérebro, diz estudo

Pessoas que consomem grande volume de bebidas alcoólicas socialmente demonstram um padrão de lesões no cérebro semelhantes às vistas entre alcoólatras que precisam de tratamento hospitalar, dizem pesquisadores.

Cientistas americanos descobriram que pessoas que tomam mais de cem doses de bebidas alcoólicas por mês sofrem perda de memória, redução da inteligência, equilíbrio ruim e agilidade mental prejudicada.

Mas os pesquisadores advertem que a maioria das pessoas nessa situação não tem idéia de que precisam de tratamento.

A pesquisa foi incluída na publicação especializada Alcoholism: Clinical and Experimental Research.

Método

Os cientistas da Universidade Vanderbilt, no Estado do Tennessee, e a Universidade da Califórnia, na cidade de San Francisco, fizeram testes para verificar o estado do cérebro de 46 assíduos consumidores de bebidas alcoólicas e 52 pessoas que consumiam pequena quantidade desses produtos.

Os voluntários se submeteram depois a uma bateria de testes formulados para medir o funcionamento do cérebro.

Constatou-se que os os grandes bebedores tinham pequenas lesões cerebrais que afetavam sua habilidade de realizar tarefas cotidianas corriqueiras.

Uma análise das estruturas e bioquímica do cérebro mostrou que as lesões são semelhantes às encontradas em alcoólatras crônicos em hospitais e centros de tratamento.

Dieter Meyerhoff, um dos líderes do estudo, disse: "O que nossas descobertas indicam é que os dados ao cérebro são detectáveis em quem bebe muito, não está em tratamento e atua relativamente bem na comunidade".

"Esses déficits podem ter um efeito sobre a habilidade dos que bebem muito para julgar se seu hábito de beber tem um efeito adverso em sua vida, e também pode interferir na decisão do consumidor de bebidas alcoólicas de procurar tratamento ou de beber menos, perpetuando, assim, seu comportamento", disse Meyerhoff.

O pesquisador disse que as pessoas devem beber com moderação. "Beber demais prejudica o cérebro mesmo que levemente, reduzindo sua função cognitiva de formas que podem não ser notadas de imediato."

Os pesquisadores admitiram que são necessárias mais pesquisas para determinar se as lesões cerebrais que ocorrem por causa de consumo elevado de bebidas alcoólicas são irreversíveis.

Mas observações empíricas sugerem que os danos são duradouros.