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17 de maio, 2004 - 16h25 GMT (13h25 Brasília)

Revolução genética 'pode ajudar os pobres', diz FAO

Um relatório do Fundo para Agricultura e Alimentos das Nações Unidas (FAO) afirma que alimentos geneticamente modificados oferecem enormes benefícios potenciais para os países em desenvolvimento, mas é necessário que se façam mais pesquisas em cultivos vitais para os pobres do mundo.

Em novo relatório, a FAO afirma que, dentro de 30 anos, a biotecnologia pode ajudar os agricultores do terceiro mundo a alimentar mais 2 bilhões de pessoas.

Mas a organização adverte que cultivos básicos como arroz e batata estão recebendo pouco investimento.

Segundo a FAO, o principal problema com a biotecnologia é que ela está se concentrando em produtos que atendem especialmente aos grandes interesses comerciais.

Riscos desconhecidos

Os que criticam a nova tecnologia insistem que seus efeitos sobre a saúde ainda são desconhecidos e há riscos ambientais - e que as grandes empresas multinacionais são as que mais se beneficiam.

O relatório foi publicado poucos dias depois da decisão da empresa Monsanto, dos Estados Unidos, uma gigante do setor agroquímico, de parar de vender uma variedade de trigo transgênico conhecida como Roundup Ready por causa da resistência dos consumidores.

Mas o relatório da FAO sugere que, embora muitos europeus se oponham à idéia de comer alimentos transgênicos, nos países em desenvolvimento muitas pessoas não têm o mesmo problema.

O documento menciona uma pesquisa em que a maioria dos entrevistados na Índia, Colômbia e Nigéria acredita que os benefícios da biotecnologia são maiores do que os riscos.

"A biotecnologia tem um potencial tremendo para melhorar a produtividade agrícola e a renda nas fazendas", disse à BBC Terri Raney, autor do relatório da FAO.

Revolução genética

Modificações genéticas, disse Raney, podem criar cultivos que atendam a problemas e necessidades específicas dos países em desenvolvimento.

Tipos de arroz enriquecidos com vitaminas e vegetais enriquecidos com proteínas podem melhorar o valor nutricional desses alimentos.

Na Índia, pesquisadores estão desenvolvendo uma variedade de batata que inclua genes de um tipo de trigo de alto conteúdo protéico da América do Sul.

Nas Filipinas, pesquisadores estão desenvolvendo o "arroz dourado" - uma variedade geneticamente modificada para produzir beta-caroteno. Estima-se que ele traria benefícios econômicos potenciais de US$ 137 milhões.

Críticos dos transgênicos dizem, contudo, que esse tipo de alimento não resolve problemas fundamentais de pobreza e malnutrição, e são "soluções técnicas" para problemas que podem ser resolvidos, por exemplo, com investimentos em rede de distribuição e um sistema mais justo de comércio internacional.

Atualmente, apenas quatro produtos – soja, pâina, algodão BT e canola –representam 99% dos cereais geneticamente modificados.

O grosso desses cultivos está em seis países - Estados Unidos, Argentina, Canadá, Brasil, China e África do Sul.