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11 de agosto, 2005 - 17h45 GMT (14h45 Brasília)

Células de porco podem ajudar a tratar mal cerebral

Células do cérebro de porcos embaladas num derivado de algas marinhas podem ser implantadas em cérebros humanos a partir do próximo ano para o tratamento da doença de Huntington - uma desordem neurológica que desencadeia convulsões, perda do controle muscular e perda de memória.

Pesquisadores da Living Cell Technologies, de Auckland, na Nova Zelândia, tiveram bons resultados durante experiências com macacos.

Eles disseram à revista New Scientist que aguardam aprovação oficial para que o procedimento seja realizado em pacientes nos Estados Unidos.

O FDA, órgão que regulamenta os medicamentos nos Estados Unidos, já aprovou antes testes com tecidos animais para tratar do mal de Parkinson.

Doenças animais

Há, porém, temores de que o uso de células animais em seres humanos possa acabar espalhando doenças dos animais para as pessoas.

A doença de Huntington, que pode levar à morte, é herdada geneticamente. Ela é provocada pela disfunção em um só gene e afeta uma em cada 100 mil pessoas.

Embora o mal já esteja presente desde o nascimento, ela costuma se manifestar entre os 30 e 50 anos de idade, quando, por efeito da doença, células de uma região do cérebro que controla os movimentos musculares começam a morrer.

A equipe da Nova Zelândia fez experiências com macacos, implantando células cerebrais de porcos.

Essas células têm uma função estimulante, produzindo substâncias químicas essenciais cuja produção é reduzida em pacientes de Huntington.

Para superar o problema de rejeição ao implante cerebral, os cientistas embalaram as células numa substância derivada das algas marinhas. Isso protege as células de ataques do sistema imunológico.

Os cientistas fizeram implantes em quatro dos setes macacos que receberam toxinas para simular o problema cerebral do mal de Huntington.

Um mês depois, a perda de células cerebrais era cinco vezes menor nos animais que haviam recebido o transplante de células de porcos, em comparação com os que não foram transplantados.

"As descobertas são tão impressionantes que estou certo de que o FDA vai acelerar a aprovação dos testes clínicos para o começo do próximo ano", disse Al Vasconcelos, diretor da Biopharma, empresa dos Estados Unidos associada à neozelandesa Living Cell Technologies.