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01 de setembro, 2006 - 20h42 GMT (17h42 Brasília)

Cientistas dos EUA eliminam câncer com terapia genética

Dois homens ficaram completamente curados de formas agressivas de câncer de pele depois de se submeter a uma terapia genética em que receberam versões modificadas de suas próprias células do sistema imunológico.

Antes de se submeterem à experiência pioneira, médicos acreditavam que os dois pacientes viveriam não mais que seis meses, dada a gravidade de seus quadros clínicos.

De acordo com um artigo na última edição da revista Science, 17 pacientes com câncer foram submetidos à terapia, mas em 15 deles ainda persistiam melanomas malignos após 18 meses de tratamento.

No entanto, os cientistas acreditam que os resultados mostram que o tratamento é promissor.

Outros tipos de câncer

No experimento, a equipe do doutor Stephen Rosenberg, do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, isolou células T, que integram o sistema imunológico, e as manipulou geneticamente, transformando-as em células especizadas em combater os tumores.

Para tanto, os cientistas usaram vírus para levar genes específicos para dentro das células T. Esses genes permitem às células desenvolver receptores, que, por sua vez, reconhecem células de câncer específicas.

Depois de modificadas com os receptores, as células T foram transferidas para a corrente sangüínea dos pacientes e, então, passaram a atuar contra os tumores.

Por pelo menos dois meses depois do tratamento, as células modificadas correspondiam a cerca de 10% do total de células T no sistema imunológico dos pacientes.

Os cientistas agora estão tentando desenvolver formas de fazer com que um maior número dessas células modificadas sobrevivam mais tempo.

A equipe de pesquisadores também demonstrou que pode manipular as células de forma a transformá-las em eficientes combatentes de outros tipos de câncer.

No caso do paciente Mark Origer, o tratamento foi tão bem sucedido que eliminou completamente o câncer de pele que ele tinha e fez encolher um tumor que ele também tinha no fígado, a ponto de permitir que ele fosse extraído por meio de cirurgia.