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Atualizado às: 14 de novembro, 2006 - 22h35 GMT (20h35 Brasília)
 
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Navio do século 1 revela tesouros 'excepcionais'
 
Jarras descobertas no navio
Jarras guardavam iguaria cara e afrodisíaca feita à base de peixe
Arqueólogos disseram que um navio romano, que naufragou na costa da Espanha no século 1 e foi descoberto em 2000, abriga tesouros históricos "excepcionais".

"Nós sabíamos que se tratava de uma descoberta importante, mas não tínhamos a real dimensão até agora. É uma descoberta excepcional", disse Carles de Juan, co-diretor da equipe de pesquisas e um dos primeiros mergulhadores a examiná-lo, à agência de notícias Associated Press.

Com 30 metros de extensão e capacidade de 400 toneladas, trata-se do maior navio romano encontrado nas águas do Mediterrâneo.

O navio transportava, entre outros produtos, centenas de potes de garum - nome dado a um molho à base de peixe que era um dos condimentos mais apreciados pela elite romana.

A descoberta foi feita acidentalmente em 2000 por marinheiros cuja âncora enroscou num pote.

Depois de anos reunindo fundos, técnicos e equipamentos, o navio começou a ser explorado em julho deste ano.

Desde então, arqueólogos marinhos têm realizado a trabalhosa tarefa de catalogar os objetos a bordo. Estima-se, por exemplo, que o navio guarde ainda 1,5 mil ânforas.

Bom estado

O navio está em ótimo estado e num local facilmente acessível - a uma profundidade de 25 metros e a 1,5 quilômetro da costa de Valência.

"Eu não vou dizer que está na praia, mas é quase isso", disse Juan.

Acredita-se que o navio, que está com 60% da sua estrutura enterrada no fundo do mar, afundou durante uma tempestade enquanto navegava de Cadiz, no sul da Espanha, para Roma.

Segundo Juan, a tempestade deve ter sido extremamente forte para levar um navio de tamanhas dimensões para tão perto da costa.

"A tripulação não se importou com a carga nem com o dinheiro. Eles foram para a terra para salvar as suas vidas."

O navio está protegido por uma tela de aço desde 2000, quando o anúncio da descoberta provocou uma corrida entre caçadores de relíquias.

Os pesquisadores concluíram que os potes levavam garum depois que acharam espinhas de peixe dentro dos potes com cerca de um metro de altura.

Bastante cara, a iguaria era servida para romanos abastados como um acompanhamento para vários pratos. Acreditava-se também que ela tinha poderes afrodisíacos.

Supõe-se ainda que o navio levava lingotes de chumbo para serem usados no encanamento e cobre, que poderia ser misturado com estanho para fazer artefatos de bronze.

A descoberta foi a primeira desde que um navio romano semelhante, também bastante preservado, foi achado na costa da Córsega em 1985.

"Para arqueólogos, um navio afundado é um documento histórico que nos informa sobre a antigüidade e como a economia do período funcionava", disse Javier Nieto, diretor do Centro para Arqueologia Submarina da Catalunha. "Esse navio vai contribuir muito."

 
 
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