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Atualizado às: 03 de julho, 2003 - Publicado às 12h46 GMT
 
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Morre Herbie Mann, precursor da bossa nova nos EUA
 
 
 
Herbie Mann
Herbie Mann gravou com Tom Jobim e Sergio Mendes

O homem que ajudou a propagar a bossa nova nos Estados Unidos morreu em casa, durante o sono, aos 73 anos.

O músico Herbie Mann, que também foi um dos pioneiros da flauta no jazz, lutava contra um câncer de próstata havia seis anos.

Mann conheceu a bossa nova em 1961, quando participou, ao lado de outros músicos americanos, de um festival de jazz no Rio e em São Paulo.

Em entrevista concedida à BBC Brasil, em 1998, Herbie Mann disse que ficou totalmente fascinado com o gênero.

'Som novo'

"Eu andava em busca de um som novo, diferente. Estava com o saco cheio do som de inspiração afro-cubana que vinha fazendo. A combinação de ritmo com melodia da bossa nova foi uma revelação."

De volta aos Estados Unidos, Herbie Mann se viu motivado a voltar ao Brasil para gravar com músicos brasileiros.

"Ouvi o disco Jazz Samba (lançado em 1962, por Stan Getz e Charlie Byrd), e, apesar do respeito que tenho pelos dois, achei que aquilo não era bossa nova. Era música brasileira tocada por músicos americanos", disse.

Em 1962, ele voltou ao Brasil para gravar o álbum Do The Bossa Nova with Herbie Mann, com Tom Jobim, o conjunto de Sérgio Mendes e Baden Powell.

O flautista gravou ainda Herbie Mann & Joao Gilberto with Antonio Carlos Jobim.

'Desastre'

Herbie Mann foi uma das testemunhas da lendária noite de bossa nova no Carnegie Hall.

"Foi um desastre total. O Sidney Frey (dono da gravadora High Fidelity, co-produtora do show ao lado do Itamaraty) estava preocupado com a qualidade do som no palco, porque estava gravando o show para lançá-lo em disco."

"O som para o público estava péssimo. Ninguém gostou. Todos os músicos presentes, como Erroll Garner, Gerry Mulligan, Tony Bennett e Miles Davis, ninguém gostou."

"No dia seguinte, a adida cultural da embaixada brasileira, Nora Vasconcelos, me ligou perguntando se haveria alguma forma de redimir o show desastroso."

"Eu consegui marcar dois shows no Village Gate. Aí sim, os músicos brasileiros puderam ser ouvidos."

Mulher e filhos

Mann morreu na terça-feira em sua casa em Pecos, no Novo México (sudoeste dos Estados Unidos), ao lado da mulher, Susan Janeal Arison, e de três de seus quatro filhos.

"Ele tinha um amor pela beleza, pelo ritmo, pelas melodias. A sua música vinha do coração", afirmou a víuva Susan Arison.

Mann nasceu no Brooklyn, na cidade de Nova York, e começou no mundo da música tocando um saxofone tenor.

Logo, assumiu o instrumento pelo qual é conhecido, a flauta, em uma banda com o acordeonista holandês Mat Matthews.

O jazzista americano começou a chamar a atenção mundial no fim dos anos 50, quando convidou um músico de conga para tocar na sua banda e, com isso, começou a formar o som mesclado pelo qual ficou conhecido.

A partir de então, ele saiu em busca de ritmos pelo mundo, principalmente na África e na América Latina, criando uma espécie de world music, antes mesmo de o nome ter sido cunhado.

Durante os anos 70, Mann quis se manter atualizado com o mundo pop e chegou a se envolver com o rock, o reggae e até com a disco music.

Mais para o final da sua vida, o flautista voltou às suas origens judaicas da Europa Oriental e fez uma música que recebeu o cunho de jazz cigano.

 
 
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