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25 de outubro, 2005 - 14h21 GMT (11h21 Brasília)

Museu defende jogo que reencena roubo de 'O Grito'

O Museu Munch, na Noruega, que teve uma das suas obras mais famosas, O Grito de Edvard Munch, roubada em 2004, defendeu o lançamento de um novo jogo de tabuleiro em que os jogadores recriam o roubo.

Dois dos suspeitos do roubo ameaçaram um funcionário com uma arma, antes de levar o quadro como parte de um roubo de 10 milhões de libras (cerca de R$ 40 milhões) do Museu em Oslo, em agosto de 2004.

O jogo "O Mistério do Grito" foi colocado à venda na loja dentro do museu na semana passada.

"É um jogo completamente inocente. Algumas pessoas pensam que é horrível tratar o assunto como um jogo, mas vemos a questão de uma forma diferente", disse a porta-voz do museu, Jorunn Christoffersen.

O jogo é voltado para crianças acima de seis anos e os participantes podem escolher os papéis, de detetives ou ladrões de quadros.

'Educacional'

O fabricante do jogo, Aschehoug, disse que "O Mistério do Grito" é educacional.

"Além do quadro 'O Grito', o jogo tem 36 cartas mostrando trabalhos de arte diferentes, que as crianças conhecem", disse Magnus Skrede, chefe da divisão de jogos da Aschehoug.

"É uma forma divertida para as crianças aprenderem a respeito da diversidade da criação artística", acrescentou.

"A princípio acho um certo mau gosto fazer um jogo a partir do roubo do 'Grito'. Minha reação inicial é desaprovar a iniciativa que ajuda a banalizar um drama nacional e internacional enquanto o quadro ainda está desaparecido", disse Kaare Berntsen, diretora da Galeria Kaare Berntsen, em Oslo.

"O Grito" foi roubado junto com o quadro "Madona", também de Edvard Munch, de 1933.

A polícia na Noruega acusou seis homens pelo envolvimento no roubo das obras, mas nenhum foi levado a julgamento.