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30 de janeiro, 2002 - Publicado às 22h22 GMT
Enron: perguntas e respostas



A gigante americana de energia Enron, que já foi a companhia mais admirada do planeta, é agora mais conhecida por ser protagonista da maior concordata da história corporativa nos Estados Unidos. Seu colapso provocou uma série de investigações, incluindo uma criminal. A seguir algumas respostas sobre a história da companhia e as acusações de que é alvo.

O que provocou o colapso da Enron?

Quando a empresa apresentou o resultado de seu terceiro trimestre em outubro passado, revelou um enorme e misterioso buraco em suas contas que derrubou os preços de suas ações.

Depois desse anúncio, a comissão responsável pela fiscalização do mercado acionário americano, a SEC, começou a investigar os resultados da empresa.

A Enron então acabou admitindo que havia inflado os seus lucros, o que rebaixou ainda mais o valor de suas ações.

A queda afastou a alternativa de venda da companhia como forma de solucionar sua crise financeira, o que a levou para o processo de concordata em 2 de dezembro.

A rápida transformação da Enron de uma das companhias mais admiradas do mundo em protagonista da maior concordata da história corporativa dos Estados Unidos levantou grandes suspeitas sobre as transações da empresa.

Uma série de investigações realizadas pelo Congresso americano e por órgãos reguladores chegaram ao ponto máximo quando foi anunciado que, além das investigações financeiras, uma investigação criminal seria instalada.

Por que foi iniciada uma investigação criminal?

Porque existe a possibilidade de que altos executivos da companhia estejam envolvidos em fraudes.

Com o objetivo de maquiar o balanço da companhia, foi usado um complexo sistema de parcerias financeiras para esconder prejuízos.

Além disso, vários executivos da Enron supostamente tiveram grandes lucros vendendo suas ações antes que elas despecassem.

Os 20 mil empregados da empresa, porém, perderam bilhões de dólares porque foram impedidos pela direção da companhia de vender suas ações quando elas começaram a cair.

Que tipo de empresa é a Enron?

É uma empresa bem pouco comum.

Por um lado, é uma companhia tradicional de serviços públicos que possui usinas elétricas, companhias de água e saneamento e unidades de distribuição de gás.

Mas ela se tornou realmente conhecida por atuar com um estilo ousado para o seu setor, baseado nas práticas do mercado acionário.

O achado da equipe da Enron foi perceber que energia, água e mesmo produtos mais obscuros, como espaço em linhas de telecomunicação, poderiam ser negociados como eram commodities.

A partir dessa percepção, a companhia passou a atuar como uma espécie de grande corretor do setor de energia, comprando, vendendo e fazendo apostas financeiras muito maiores do que os negócios diretamente realizados pela companhia.

Essas apostas fizeram a Enron se tornar, por um breve período, a maior empresa de energia do mundo, com vendas de US$ 101 bilhões no ano passado, rivalizando com nomes como Shell e Exxon.

Sua ousadia também a levou para o mercado europeu, quando este começou seu processo de liberalização.

Então, em que ponto as coisas deram errado?

Por quase uma década, o sistema e a ousadia da Enron foram aplaudidos mundialmente.

A empresa parecia ter encontrado a fórmula para fazer muito dinheiro com o negócio de suprir energia.

Ela foi eleita vária vezes como a empresa mais admirada do mundo. Mas a magia não durou muito.

As operações de comércio da companhia se baseavam na maior parte das vezes em transações financeiras extremamente complexas, algumas se referindo a negócios que deveriam ocorrer vários anos depois.

Auditar esse tipo de transação é sempre difícil, mas no caso da Enron a situação foi piorada ainda mais por incompetência ou por uma possível ação criminosa de executivos de alto escalão da companhia.

Ninguém, ao que parece, entende com precisão os negócios que a Enron fez nos últimos anos.

Quais serão os efeitos da concordata da Enron?

As perdas são enormes. A companhia deixou dívidas de US$ 15 bilhões.

E muitos bancos em todo o mundo estão expostos aos problemas da empresa, ou por terem emprestado dinheiro diretamente, ou por terem feito negócios com ela.

Entre outros, o banco J.P. Morgan admitiu negócios pendentes de US$ 900 milhões e o Citigroup, de US$ 800 milhões.

Alguns bancos já estão movendo ações contra a Enron e o Amalgamated, banco baseado em Nova York, está processando os principais executivos da companhia e pedindo US$ 15 bilhões.

É possível que algumas empresas de pequeno porte, que mantinham muitos negócios com a gigante da energia, acabem falindo por causa da crise.

Os funcionários da empresa também foram muito atingidos. Não só por que perderam seus empregos, mas também por que suas economias estavam, na maior parte dos casos, investidas em ações da Enron.

Por fim, aqueles que tinham ações da companhia, que há um ano valiam US$ 85, hoje possuem papéis que não valem nada.

E quais são os efeitos da concordata no longo prazo?

A falência da Enron levanta algumas questões sobre os mercados livres desregulamentados.

No longo prazo, a falência pode tornar a desregulamentação de setores como o de energia muito menos atraente.

Políticos e responsáveis pela regulação dos mercados normalmente se mostravam muito entusiasmados com a idéia de aplicar ao mercado de energia as mesmas técnicas dos mercados de ações, esperando que isso levasse à maior eficiência e a preços menores.

Essa esperança, até recentemente, estava se tornando realidade.

Agora, porém, os governos estão inclinados a serem muito mais cautelosos na hora de permitir que empresas privadas tenham uma importância tão crucial em áreas como a de energia.

Com sorte, os investidores também serão mais cautelosos em colocar dinheiro em companhias que eles não conseguem entender muito bem como funcionam.
 
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