BBC World Service LogoHOMEPAGE | NEWS | SPORT | WORLD SERVICE
Portuguese Pesquisa na BBC Brasil
 
Primeira Página
Saúde &
Tecnologia
Economia
Cultura
Especial
Fórum
Aprenda inglês
ÁUDIO
Dois minutos pelo mundo
Notícias
Mundo Hoje
De Olho
no Mundo
Programação
Como Sintonizar
SERVIÇOS
Parceiros
Sobre a BBC
Expediente
Página simplificada
Fale com a gente
Empregos
E-manchetes
LÍNGUAS
Espanhol
Português para a África
Árabe
Chinêês
Persa
Hindi
Urdu
BBC News
BBC Sport
BBC Weather
 Você está em: Economia
17 de julho, 2002 - Publicado às 21h14 GMT
Fusão da CSN não é novidade no setor, diz analista



Paulo Cabral

A reação dos mercados internacionais à fusão anunciada nesta quarta-feira entre a anglo-holandesa Corus e a companhia siderúrgica Nacional, brasileira, foi cautelosa.

As ações da Corus, a maior produtora mundial de aço carbonado, caíram 3,5% depois da divulgação da fusão, pela qual a empresa passa a controlar 62,4% da CSN.

Os investidores questionaram a fatia da CSN levada pela Corus e ficaram assustados com o débito de US$ 2,2 bilhões da CSN.

As ações da CSN subiram mais de 12% na Bovespa e lideraram a alta do dia. Mas, segundo o professor Germano Mendes de Paula, do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia e especialista no setor, o Brasil já está acostumado a receber grandes investimentos na área siderúrgica e há vantagens para as duas empresas:

BBC - O que muda com a fusão da CSN com a Corus?

Germano Mendes de Paula - O setor siderúrgico brasileiro é um setor que recebeu investimentos diretos estrangeiros precocemente.

Quando uma boa parte das indústrias siderúrgicas eram controladas nacionalmente, nós começamos a receber investimentos de fora.

A participação do grupo Arbed na Belgo-Mineira é de 1920. Isso não é novidade prá nós.

Há um processo internacional de consolidação, que vem combinado com uma internacionalização. Nós temos que olhar o ambiente econômico no qual a siderurgia brasileira se insere. E ele é caracterizado, por um lado por medidas cada vez mais importantes de protecionismo e, por outro, de fusões e aquisições.

BBC - E no caso da CSN, como companhia, o que ela ganha com essa fusão ou aquisição e quais são as vantagens para a Corus?

Mendes de Paula - A CSN é uma empresa que tem algumas vantagens competitivas significativas, tais como: custos muito baixos, uma mina de ferro própria de boa qualidade e uma inserção no mercado brasileiro e latino-americano que apresenta taxas de crescimento maiores do que a média mundial.

Do ponto de vista da Corus para a CSN, ela vai ter acesso a uma empresa de maior porte, com uma boa qualificação técnica e com uma exposição no mercado internacional que vai permitir à CSN, entre outras coisas, ter acesso a um mercado de capitais com juros mais baixos.

BBC - Existe entre a CSN e a Corus muita sobreposição de estruturas produtivas que possa demandar fechamento de usinas ou coisas deste tipo?

Mendes de Paula - Elas têm produtos finais similares. Em comum, elas produzem bobinas a quente, bobinas a frio, chapas galvanizadas e folhas estanhadas, que no jargão mais popular são conhecidas como folhas de flandres.

Mas não acredito que haja um movimento de fechamento de plantas, especialmente no caso brasileiro. Isto seria mais temerário se elas estivessem geograficamente mais próximas uma da outra.

A sobreposição existe, mas ela não tende, a meu ver, a levar a fechamento de plantas, pelo menos a curto prazo. Se analisarmos a tragetória da Corus, ela fechou outras plantas no passado.

E quando a British Steel se fundiu com a Hoogovens, dando origem à Corus, uma planta foi fechada na Inglaterra. Não precisamos ter o receio de que alguém estaria comprando com objetivos de fechamento ou reestruturação dentro do parque siderúrgico brasileiro.

BBC - O senhor acredita que o processo de expansão da CSN vai se intensificar?

Mendes de Paula - Acho que facilita, porque vai estar dentro de um grupo de maior porte, vai ter acesso a mercado de capitais em condições mais vantajosas do que tem hoje e também porque, até onde pude perceber, as condições de endividamento da empresa serão melhoradas.

BBC - Como está hoje o parque siderúrgico brasileiro em matéria de capital nacional?

Mendes de Paula - Tivemos 23 operações em transações de siderurgia desde 1993, sem contar com esta fusão da CSN. Não estamos no começo, mas no final de um processo.

O controle acionário de algumas empresas foi alterado e para a frente, se acontecer vai ser apenas mais um caso. Não temos muitos casos para acontecer.

Nós nos antecipamos a este processo de fusões que aconteceu no resto de mundo. Do ponto de vista patrimonial, temos empresas que são controladas por capital estrangeiro ou nas quais o capital estrangeiro tem uma participação relevante, como é o caso da Usiminas e consequentemente da Cosipa; a CST e a Acesita estão ligadas à Acelor da mesma forma que o grupo Belgo-Mineira.

A Villares é ligada ao grupo espanhol Sidenor; a Vallourec & Mannesmann também. Você pode dizer que as únicas empresas brasileiras que não têm participação acionária estrangeira relevante são a Gerdau e a Barramansa (do grupo Votorantim).
 
   E-MANCHETE
Assine o serviço da BBC Brasil para receber as principais notícias por e-mail.







Notícias relacionadas:
05 de julho, 2002
  CSN negocia fusão com empresa anglo-holandesa
05 de julho, 2002
  Jornais destacam possível fusão entre CSN e Corus
Links externos:
CSN
Corus (em inglês)
Arbed (em inglês)
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
BBC World Service Logo ^^Volta ao início da página
Primeira Página | Saúde & Tecnologia | Economia | Cultura | Especial
Fórum | Aprenda inglês
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Programação | Como Sintonizar
Parceiros | Sobre a BBC