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26 de novembro, 1999 Publicado às 12h00 GMT
Especial Rodada do Milênio

Agricultura deve dominar discussões em Seattle


Seattle, nos Estados Unidos, que sediará negociações da Rodada do Milênio

Os subsídios agrícolas serão um dos pontos mais polêmicos das negociações da Rodada do Milênio das Organização Mundial do Comércio (OMC), que começa nesta terça-feira, dia 30 de novembro, em Seattle.

Os Estados Unidos e os países do Grupo de Cairns (entre eles a Argentina, o Brasil, a Austrália e o Canadá) defendem uma redução significativa nos subsídios concedidos à produção agrícola em todo o mundo.

O Japão e a União Européia, ao contrário, querem a manutenção de vários tipos de políticas que protejam a sua agricultura.

O Grupo de Cairns, composto por países que respondem por 25% do comércio de produtos agrícolas, afirma que os países mais desenvolvidos concedem US$ 200 bilhões ao ano em subsídios à sua agricultura.

Estes países criticam os subsídios, afirmando que eles formam a maior barreira ao livre comércio mundial.

Por outro lado, a União Européia, não pretende diminuir a ajuda concedida diretamente aos seus agricultores.

A UE decidiu, inclusive, partir para o ataque, criticando os subsídios dos Estados Unidos à suas próprias exportações.

Exportações

A exportação de produtos agrícolas é muito importante para a economia de países emergentes como o Brasil.

Quase 40% da pauta de exportações brasileiras é constituída por produtos agrícolas.

Isso gera ao país cerca de US$ 20 bilhões ao ano.

O maior mercado consumidor para os produtos agrícolas brasileiros é a própria União Européia - que compra cerca de 45% do total exportado pelo país.

Mas uma série de barreiras tarifárias e não-tarifárias impedem que o país possa aumentar as suas exportações de produtos como o açúcar e o suco de laranja.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, as restrições do Japão e da União Européia impedem o Brasil de aumentar as suas exportações em quase US$ 680 milhões ao ano.

Por isso, o país vem pressionando pelo fim do protecionismo europeu, japonês e também norte-americano.

Em uma recente entrevista exclusiva ao programa De Olho no Mundo, o presidente Fernando Henrique Cardoso ameaçou voltar a fechar o mercado brasileiro.

"Não tem sentido que os países como os nossos, da América Latina, que fizeram um esforço muito grande de abertura comercial, encontrem resistências tão grandes dos países desenvolvidos," afirmou o presidente.

Segundo Fernando Henrique cardoso, "nós temos um mercado muito grande no Brasil. Nós podemos também voltar a fechar (o mercado)."

Políticas protecionistas

Apesar dessa posição, o Brasil também é criticado por manter suas próprias políticas protecionistas.

Segundo o professor de Economia da Universidade de Princetown, José Sheinckman, "o Brasil, de todos os países da OMC, é um dos mais fechados."

Também em entrevista exclusiva ao De Olho no Mundo, Sheinckman apresentou números para comprovar a sua tese.

"Dezessete por cento do PIB brasileiro é constituído por importações e exportações. Esta razão é uma das mais baixas do mundo, o que indica que o Brasil é extremamente fechado," afirmou o professor.

Segundo Sheinckman, esse número é de 25% no caso dos Estados Unidos, 35% no caso da China e chega a até "quase 70% no caso de algumas economias asiáticas que cresceram muito rapidamente."

A reunião de Seattle não deverá resolver todos os problemas relacionados ao comércio mundial. Ela vai servir para elaborar uma agenda de discussões, que poderá demorar até três anos, segundo alguns analistas.


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