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06 de dezembro, 1999 Publicado às 12h00 GMT
Especial Rodada do Milênio

A anatomia de um fracasso


Protestos, gás e cassetete: apenas o lado mais visível do fracasso da conferência

Quando o presidente Bill Clinton, sentado no quarto de um hotel que estava cercado de manifestantes, disse ao jornal Seattle Post Examiner que queria endurecer sua posição quanto aos direitos trabalhistas, ficou claro que as negociações para liberalizar o comércio mundial enfrentavam problemas.

Pela primeira vez, o presidente americano indicou que os Estados Unidos queriam incluir a exigência de condições mínimas para os trabalhadores nas negociações sobre o comércio.

Isso permite que países como os Estados Unidos proíbam a importação de mercadorias se elas forem produzidas pelo trabalho infantil ou em países que não reconhecem o direito dos trabalhadores a formar sindicatos.

Suas palavras causaram revolta imediata entre os países em desenvolvimento, que são majoritários entre os 135 membros da Organização Mundial do Comércio, a OMC.

Elas causaram supresa até mesmo para a delegação norte-americana na OMC.

Vincular comércio e condições de trabalho, de acordo com muitos delegados, levaria os sindicatos dos países ricos a impedir que mercadorias dos países pobres cheguassem a suas terras.

Apesar de os Estados Unidos e a União Européia já terem falado sobre as condições de trabalho anteriormente, essa foi a primeira vez em que sanções foram mencionadas.

A delegação norte-americana tentou reduzir os efeitos do golpe dado por Clinton, afirmando que as palavras do presidente indicavam apenas um objetivo de longo prazo, não o objetivo imediato durante as negociações da OMC.

Mas já era tarde demais, e os países em desenvolvimento ficaram convencidos de que a maior economia do mundo fecharia o mercado para os seus produtos.

 

Clinton: comércio e relações de trabalho

Isso lhes deu pouco incentivo para abrir os seus mercados para mais investimento estrangeiro, como a União Européia queria, ou para endurecer suas posições quanto aos direitos autorais e permitir maior acesso de empresas de telecomunicações e instituições financeiras aos seus territórios, como os Estados Unidos queriam.

Com a existência do antigo impasse entre os EUA e a União Européia sobre a agricultura, os países em desenvolvimento puderam usar seu poder de veto - já que todas as decisões devem ser tomadas por consenso - para impedir a expansão da agenda que adiaria qualquer decisão.

Unidade e diversidade

A unidade mostrada pelas delegações dos países em desenvolvimento foi contrastada pela falta de objetivos claros e dominantes entre os países ricos.

As dificuldades puderam ser observadas desde o início, quando o presidente Clinton não conseguiu convencer outros chefes de Estado e de governo a comparecer ao encontro para dar seu apoio pessoal.

Durante um mês de ligações incessantes a partir da Casa Branca, todos os líderes disseram estar ocupados demais para defender o livre comércio em Seattle.

Pelo contrário, a União Européia se opôs aos pedidos dos Estados Unidos de que a agenda fosse limitada e tentou ampliar os temas da conferência - reduzindo assim a pressão para que o seu próprio setor de agricultura execute mais reformas.

O resultado é que os dois maiores grupos chegaram a Seattle sem um acordo, depois de meses de discussões sobre a agenda e sobre quem controlaria a OMC.


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