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12 de agosto, 2002 - Publicado às 15h41 GMT
A BBC Brasil tira suas dúvidas sobre a crise econômica
Bolsas já caíram até 30% neste ano
Bolsas já caíram até 30% neste ano

A Bolsa de Valores de Nova York já caiu cerca de 15% neste ano. Na Europa, as principais Bolsas tiveram desvalorizações entre 20% e 25%.

Na América do Sul em geral, e no Brasil em particular, a situação é ainda mais grave. A Bolsa de São Paulo registra perdas de em torno de 30% em 2002, e o dólar já chegou a subir cerca de 50% este ano.

Mas quais são as causas da crise financeira global e suas repercussões na economia real e na vida das pessoas? Por que o dólar subiu tanto no Brasil? O que vai acontecer com os preços e com o empregos? Como os fatos se inter-relacionam? E o que significam expressões como risco-país, crise cambial e alongamento do perfil da dívida?

Mande suas dúvidas por e-maill. A BBC Brasil vai convidar especialistas brasileiros e estrangeiros para respondê-las, aqui, na internet, e nos programas de rádio.





"O Brasil pode se tornar uma nova Argentina?"
Álvaro Guimarães (Pelotas), Valdir Lemos Justamand (São Paulo).

O economista Luiz Suzigan, da LCA Consultores, responde:

"Eu acho difícil. Primeiro, porque o Brasil já passou por uma desvalorização cambial razoável em 1999.

Segundo porque o Brasil manteve o seu câmbio sobrevalorizado por uns quatro anos e meio, de julho de 1994 - com a introdução do Plano Real - até 1999 - com o colapso da moeda.

Esse foi um período mais curto do que o em período que a Argentina permaneceu sobre um regime de câmbio fixo, que durou mais de dez anos.

E, na Argentina, o câmbio fixo era tido como uma coisa absolutamente definitiva. As pessoas, acreditando nisso, se endividaram bastante em dólar, tanto as famílias como o governo.

O endividamento em dólar alcançava 95% do setor público e 75% do setor privado. No Brasil, o endividamento em dólar é cerca de 30% no setor público e quase nada no setor privado.

Então, a chance de que uma disparada do dólar crie problemas como os dos argentinos é muito difícil no Brasil.

Agora, o que pode acontecer com uma disparada do dólar é realmente a gente passar por um período recessivo muito forte."

"Que tipo de moratória externa o Brasil poderia fazer e quais seriam as conseqüências?"
Cristiano Torres (Belo Horizonte)

O economista-chefe da MCM Consultores Associados, Celso Toledo, responde:

"Existem diferentes casos de moratória. A pior moratória possível é aquela em que o ministro da Fazenda faz um discurso de caráter nacionalista, algo inflamado e beligerante e define que vai parar de pagar a dívida. Essa é a pior de todas.

No outro extremo, existe a moratória branca, que é aquela em que um país como o Brasil - que não imprime dólares - tem que renegociar suas dívidas porque não tem crédito em dólares nem moeda estrangeira em caixa.

Nesse caso, o governo chama os credores e diz que não tem dólares para pagar, embora mantenha a disposição de pagar, e tem que renegociar as condições da dívida.

A do primeiro tipo é pior porque afeta a reputação do país - que pode ser perdida rápido, mas é difícil de conquistar - e afasta os investidores por um bom tempo.

A mais branda também teria efeitos, mas seu impacto, no sentido da falta de investimentos para o Brasil, também poderia ser mais branda."

"É possível que o Brasil faça um congelamento das contas bancárias?"
Almir Matias Ferreira (Poços de Caldas), Elza Conte (São Paulo), William (Austrália).

O economista-chefe da MCM Consultores Associados, Celso Toledo, responde:

"Eu não acredito em congelamento de recursos no momento. A dívida do governo brasileiro é uma dívida doméstica (os credores são brasileiros) e, na pior das hipóteses, eu imaginaria uma monetização dessa dívida (quando o governo emite moeda - no caso reais - para pagar em dinheiro) . Como é uma dívida interna, o governo pagaria a dívida com reais.

O Tesouro tem caixa para pagar os títulos públicos, e o Banco Central, se não rolar as dívidas, acaba aumentando a liquidez do sistema (sobram mais reais no mercado).

Então, não há a necessidade de um congelamento de depósitos. O risco, porém, sempre existe.

Como a palavra chave aqui é confiança, se as pessoas acharem que um congelameto vai ocorrer vai acontecer e começarem a sacar os seus recursos do banco para tentar aplicar em outros sistemas ou mesmo comprar bens, o governo vai começar a ter dificuldade de rolar a sua dívida.

Aí a pergunta relevante é saber se o governo tem caixa, recursos, para fazer essa rolagem. A informação que temos é que o governo acumulou caixa e tem esses recursos.

Agora, o efeito desse processo seria um efeito inflacionário, porque a montanha de dinheiro que sai do governo tem que ser aplicada em bens, por exemplo, e o preço desses bens vai subir."


"O acordo com o FMI prevê um superávit fiscal de 3,75% do PIB nos próximos três anos. O que isso significa na prática?"

O economista Ricardo Gottschalk, do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Sussex, responde:

"Esse acordo é muito bom para o país porque estabiliza a expectativa nos mercados, mas obviamente que o acordo está condicionado às metas fiscais.

Isso signfica que no futuro o governo brasileiro vai ter menos raio de manobra para poder efetuar gastos nos setores sociais.

Parte desse dinheiro é utilizado para o serviço da dívida pública. É por isso que o país precisa gerar superávits fiscais: para que ele possa pagar os serviços (juros) da dívida pública, tanto interna quanto externa, que no momento é muito grande."

"Por que o dólar está subindo tanto?"
Valdirene (Campo Grande), Rafael da Silva (Foz do Iguaçu), Marcelo Miranda (Recife), Adriana (São Luis) e Marcelo Dias.

O economista Luiz Suzigan, da LCA Consultores, responde:

"A ancoragem cambial foi utilizada para frear o processo de hiperinflação na segunda metade da década de 90. Nessa ancoragem cambial um dos principais instrumentos para controlar os preços era a sobrevalorização do câmbio. Isso reduziu o custo dos bens importados e ajudou a controlar a inflação.

Mas a ancoragem cambial também fez com que o endividamento externo brasileiro e a capacidade do país de exportar caíssem rapidamente. Isso acabou gerando o que se chama de vulnerabilidade externa. O Brasil tem hoje um déficit em conta corrente muito elevado. Esse déficit vem se reduzindo desde a desvalorização cambial, mas o país continua tendo uma das relações déficit em conta corrente e PIB mais altos do mundo.

O Brasil é visto pelos investidores como um país bastante vulnerável, com um endividamento externo muito pesado, caro e de curto prazo. Quando o mercado observa a possibilidade de o país não honrar seus compromissos externos, há uma corrida por dólares para pagar dívidas na moeda americana ou mesmo para levar o dinheiro para fora do país.

A alta do dólar observada nos últimos quatro, cinco meses, vem do aumento da aversão ao risco, que é geral, mas atinge mais os países que estão vulneráveis. O Brasil é um deles, por isso está sofrendo as conseqüências. A expectativa é que, tirando o medo de moratória da dívida externa, que pode passar com um acordo com o FMI, é possivel que haja uma descompressão razoável da taxa de câmbio."

"Por que a alta do dólar está acontecendo neste momento? É culpa da política?"
Marcus Celso (Recife), Luna (São Paulo)

Luiz Suzigan, da LCA Consultores, responde:

"A política tem sua parcela de participação porque ela gera uma incerteza muito grande para o ano que vem, pelo medo que os investidores têm de uma mudança no modelo atual.

O governo sempre enxerga mal qualquer tipo de ruptura, seja para beneficiar ou para prejudicar. Isso faz com que as pessoas queiram correr para uma moeda forte, que no caso do Brasil é o dólar. O efeito Lula, o efeito Ciro Gomes, tem seu peso nessa pressão cambial que agente está vivendo agora, mas a origem está na evolução da economia internacional.

A vulnerabilidade externa da economia brasileira a torna suscetível às crises internacionais. Quando existe uma crise internacional, o Brasil, por ser vulnerável, é um dos mais sofrem."

"Qual é a razão dessa crise e porque ela está atingindo a América Latina?"
Adriana (São Luis), João Paulo (Fortaleza), Fabricia (Três Lagoas), José Geronimo Neto (Caieiras)

Luiz Suzigan, da LCA Consultores, responde:

"A origem do problema está na evolução da conjuntura internacional. No início do ano existiam previsões bastante otimistas. Acreditava-se que a economia dos Estados Unidos sairia rapidamente do ciclo recessivo rápido, curto, que existia em 2001 e que foi acelerado pelos atentados de 11 de setembro e que a economia americana voltaria a crescer num ritmo forte.

De fato ela cresceu no primeiro trimestre deste ano e se imaginava que ela sustentaria a economia global e puxaria a oferta de crédito para os países emergentes.

Essa expectativa foi frustrada no segundo trimestre, quando houve um desaquecimento forte da economia americana por causa dos escândalos contábeis, que derrubou as bolsas de valores mundiais e gerou um choque de desconfiança entre consumidores e empresários americanos e mundiais.

Então a frustração dessa recuperação e a perspectiva de que a economia americana e mundial possam entrar em recessão novamente, o chamado duplo mergulho, aumentou muito a cautela dos investidores internacionais, que passaram a ficar avessos às aplicações de risco.

Então os investimentos e os créditos para países como o Brasil simplesmente secaram. Isso acabou pressionando a taxa de câmbio e criando a expectiva de um default, porque tem vários empréstimos vencendo e há um medo de que o país não vai conseguir honrar nem renovar esses emopréstimos.

A origem da pressão cambial é a frustração com a evolução da crise internacional. É claro que ela foi potencializada pela incerteza que a política doméstica imprime nesse quadro já deteriorado."

"Quais são as conseqüências da crise financeira global na economia real e na vida das pessoas?"
Marcelo Miranda, de Recife (PE), e Márcia, de São Paulo (SP)

Luiz Suzigan, da LCA Consultores, responde:

"A implicação imediata da alta do dólar é o aumento da inflação, embora não seja um aumento progressivo. Mas deve ocorrer um aumento maior de preços neste segundo semestre, e isso tende a comer a renda e o poder de compra da população.

O crescimento econômico também deve ficar mais difícil. Isso já aconteceu, independemente de ocorrer uma acomodação daqui para a frente ou mesmo uma redução do dólar.

A alta recente da moeda americana já fez as projeções de crescimento do PIB caírem nos últimos três, quatro meses. As conseqüências a longo prazo dependem da capacidade do governo de controlar a desvalorizaçao da taxa de câmbio.

Se o real cair muito, isso vai exigir medidas mais drásticas, como centralização cambial ou um choque de juros, que viria até antes. Um choque de juros pode ser muito perverso para a atividade econômica e tenderia a empurrar a economia brasileira para uma recessão, que duraria pelo menos dois anos.

A necessidade que o Brasil tem de lançar mão dessas medidas mais drásticas depende muito da evolução da economia internacional.

Por enquanto, a expectativa é de que a economia internacional volte a apresentar um crescimento razoável a partir do final deste ano ou em 2003, o que faria com o Brasil não precisasse desse choque de juros."
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