BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 10 de dezembro, 2007 - 15h50 GMT (13h50 Brasília)
 
Envie por e-mail   Versão para impressão
Blog de Bali: A política do clima
 
Bangladesh banner

De 3 a 14 de dezembro, diplomatas e políticos de todo o mundo estão reunidos em Bali, na Indonésia, para discutir como as nações podem combater o aquecimento global e diminuir os seus efeitos sobre o homem.

Eric Camara
Eric Camara

Segundo especialistas, neste encontro deve começar a se desenhar um acordo para substituir o Tradado de Kyoto, que determina reduções nas emissões de dióxido de carbono na atmosfera e termina em 2012.

O repórter da BBC Brasil Eric Brücher Camara está em Bali cobrindo o encontro e escrevendo diariamente sobre como estão as negociações e o debate global sobre uma das questões mais importantes e polêmicas do cenário internacional.

Para inglês (e outros estrangeiros) (14/12)

Logo na entrada do centro de convenções que abriga a conferência estão expostas belas latas de lixo para reciclagem com três tampas:
papel, plástico e outros.

Vi vários cidadãos bem-educados utilizando as lixeiras corretamente, colaborando para a reciclagem em Bali.

Qual não foi a minha surpresa ao abrir o jornal nesta sexta-feira e ler que a coleta seletiva é só para inglês ver?

Segundo o The Jakarta Post, uma vez devidamente coletado seletivamente, o lixo é despejado no aterro sanitário de Suwung, a 20 quilômetros de Nusa Dua, onde acontece o encontro.

É lá, segundo a reportagem do jornal indonésio, que acontece a verdadeira reciclagem: catadores de lixo separam a sucata que pode ser reutilizada ou revendida.

Em baixa (14/12)

Pelo menos no que diz respeito às celebridades, a reunião de Bali acabou em baixa. Falou-se em Arnold Schwarzenegger, Leonardo di Caprio e George Clooney.

No balanço final, apareceram Al Gore e Bianca Jagger (quem?).

Será que faltou glamour ao encontro?

Clima de decisão (13/12)

Não é só na plenária da conferência sobre o clima que a sexta-feira vai ser de decisão. Os organizadores do prêmio Fóssil do Dia deixaram para o último dia da conferência a suspense sobre quem vai levar o prêmio máximo.

Estados Unidos e Canadá estão empatados na primeira posição, seguidos por Japão e Arábia Saudita. Em quarto, sem chances, vem a Austrália.

Os organizadores do prêmio criaram até um divertido site com gráficos para quem quiser acompanhar a corrida pelo posto máximo, no http://www.avaaz.org/fossils/

Lá, é possível ler também os motivos políticos por trás da premiação diária.

Moral Gore (13/12)

Ele perdeu as eleições, mas ganhou o Nobel da Paz. Em Bali, conseguiu lotar uma plenária pela primeira vez no encontro, até onde eu sei.

Mas vamos ser sinceros: ele nem é extremamente carismático nem bonito e tem um estilo meio canastrão. Afinal, qual é a mágica do Al Gore?

Para mim, é um caso estranho, já que estamos falando de políticos, de conteúdo sobre forma.

No discurso de Bali, falou que todos as grandes crises da atualidade:
ambiental, em Darfur, Aids na África, conflitos em ex-colônias africanas... tudo isso não são "problemas políticos ou diplomáticos".

"São problemas morais", diz Al Gore.

Por isso mesmo, o ex-vice-presidente afirma que o mundo está assistindo aos primeiros passos de "um movimento global impulsionado pelas pessoas". Esse movimento, diz Gore, deveria servir para acordar todo mundo sobre a "imoralidade" de assistirmos a tudo isso passivamente.

Não cabe a mim dizer se ele está certo ou errado, mas que o discurso é diferente da média dos políticos, isso é. Papo de ativista. Resta ver se ele vai voltar à política.

Gafe ecológica (11/12)

Entusiasmado com a apresentação do novo fundo para financiar o combate ao desmatamento na Amazônia, o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, soltou uma tremenda gafe ecológica.

Ao lado dos ministros Marina Silva e Celso Amorim, além do diretor do programa de meio ambiente da ONU, Achim Steiner, Solheim elogiava as várias vantagens que via no fundo do governo e emendou:

"É como matar vários pássaros com uma pedra só (o equivalente, em inglês, à expressão 'vários coelhos com uma só cajadada')", mandou.

Por sorte, foi logo corrigido: "Preservar vários passarinhos seria melhor".

"É verdade, obrigado", retrucou o norueguês, entre risos na platéia.

AC/DC (11/12)

De um dia para o outro, a mudança de tom da delegação brasileira em Bali foi gritante. A metamorfose coincidiu com a chegada do ministro Celso Amorim, na semana passada.

Antes de Celso, a equipe brasileira dizia para quem quisesse ouvir que mecanismos de mercado eram 'inaceitáveis' e o D de degradação nos REDD (redução das emissões por desmatamento e degradação) estava 'fora de questão'.

Depois de Celso, as coisas mudaram de tom: 'tudo é negociável', 'isso nós vemos como fica mais para frente'...

Pouco antes de ir embora, ele comentou sobre essa diferença. "Foi uma mudança do nível técnico para o nível político", resumiu.

Supermercado (11/12)

Eventos paralelos sobre o mercado de carbono, discussões sobre formas de reduzir emissões financiadas por mecanismos de mercado e muita, mais muita gente de fundos de investimento e corretoras zanzando pelos corredores do encontro da ONU.

Quando se pergunta o que fazem por aqui, a resposta é quase sempre meio evasiva: "contatos..." ou coisa que o valha.

Macaco velho em convenções da ONU, o coordenador da Campanha de Florestas do Greenpeace, Paulo Adário, deu o seu parecer.

"O grande risco é que a reunião tenha se transformado em um supermercado de carbono."

Faro de artilheiro (10/12)

No domingo, durante a entrevista coletiva dos ministros de comércio que se encontraram durante o fim de semana aqui em Bali para discutir mudança climática, paralelamente à reunião da ONU, um repórter britânico deixou a secretária de Comércio americana, Susan Schwab, numa saia justa.

Falava-se sobre a polêmica lista de 43 produtos apresentada pelos Estados Unidos e pela União Européia para ter o seu regime tarifário flexibilizado – por serem supostamente 'ambientalmente corretos' –, quando o repórter perguntou: 'Mas a senhora saberia citar cinco desses produtos?'

Depois de um momento 'Veja-bem-quer-dizer-olha-só-não-é-bem-isso', Schwab admitiu não lembrar de qualquer produto. Assessores entraram em cena e trouxeram a lista.

No meio da confusão, o ministro Celso Amorim mostrou faro de artilheiro e pediu a palavra. O assunto? Etanol, claro...

Amorim argumentou que o etanol brasileiro era o único produto de impacto reconhecido sobre mudanças climáticas, por reduzir emissões de carbono, e era também o único a não ter entrado na lista.

Gol do brasileiro. Depois dessa, as agências internacionais de notícias não tinham como deixar de mencionar o lance.

Desempate (10/12)

E por falar em disputa, tive a impressão de que o encontro entre o ministro Amorim e Susan Schwab em Bali marcou também o desempate de uma certa disputa pessoal. Há algum tempo, Schwab se referira ao Brasil como país que se comporta como 'adolescente' em algumas negociações internacionais.

Amorim retornou os comentários dias atrás, quando aproveitou a lista dos 43 produtos - sempre ela - para dar o troco e dizer: 'Os países ricos mostram duas caras'.

Em Bali, tive a impressão de ter assistido 2 x 1 para Amorim. Mas essa disputa tem muito mais que noventa minutos...

'Artista' da Mudança do Clima (10/12)

No seminário sobre comunicação no contexto de mudanças climáticas, organizado pelo Instituto Internacional para Estudos de Desenvolvimento (IIED), no domingo, o cientista Barry Smit, da cientista da Universidade de Guelph, no Canadá, lançou mão do seu lado showman e cantou a capella uma versão própria de Let it be dos Beatles.

O objetivo, me contou, foi chamar a atenção de maneira bem-humorada aos pontos que considera principais no processo: capacitação e combate a pobreza. Baseado na experiência em estudos de campo, ele, que admitiu ser um "cantor de banheiro", confirmou o "poder universal de comunicação da música" fazendo coisas semelhantes em lugarejos remotos em que mal conseguia se comunicar.

Mas as técnicas de comunicação pouco ortodoxas de Smit nem sempre têm apoio. Ele disse que, principalmente entre os seus alunos, há quem não goste nada desse estilo. "Me dizem que não vão me levar a sério como cientista, que vão me achar um palhaço. Mas gosto de fazer as pessoas sorrirem e acho que isso anima o ambiente."

Abaixo, a íntegra de Let us see:

When we find ourselves in a changing climate
What will the impacts be
Can adaptation save us
Let us see

When people find the world is changing
What is their vulnerability
Can we improve adaptive
Capacity

Capacity, capacity, capacity, capacity
Time to improve adaptive capacity

Adaptation funds, they come and they go
Will they make a difference, I don't know
Can adaptation save us
Let us see

Negotiators say they now agree
We'll all be saved by additionality
It's time to address the main thing
Poverty

Poverty, poverty, poverty, poverty
It's time to address the main thing, poverty

Capacity, capacity, capacity, capacity
It's time to improve adaptive capacity.

Pobres países pobres (10/12)

O bairro de Nusa Dua, onde acontece o encontro aqui em Bali, é uma espécie de ilha dentro da ilha indonésia. As ruas são mais limpas, as calçadas mais largas, jardineiras de flores emolduram imagens de deuses e templos falsos. Tudo muito lindo. E caro.

No hotel Westin, que sedia a conferência principal, um mero sanduíche custa 80 mil rúpias (mais de R$ 15), um cafezinho 25 mil rúpias (uns R$ 5) e dificilmente um almoço de verdade sai por menos de 130 mil rúpias (R$ 26). Para se ter uma idéia dos preços normais, um jornal custa 5 mil rúpias (mais ou menos R$ 1).

Não é à toa que tenho visto cada vez mais delegados, principalmente de países africanos, sacando sanduíches feitos 'em casa' na hora do almoço.

RED, REDD, rede (10/12)

O Brasil anunciou que vai mudar de estratégia nas negociações da reunião de Bali. Parece bem necessário, já que as reuniões, principalmente no que diz respeito aos mecanismos RED (redução das emissões de desmatamento nos países em desenvolvimento), não estavam chegando a lugar algum.

A maioria dos países quer REDD, em vez de RED – ou seja, querem incluir degradação de florestas (destruição da mata em menor escala que desmatamento) na equação.

Celso Amorim pediu ao chefe da delegação brasileira, embaixador Everton Vargas, para formar um bloco em torno de questões comuns para, mais tarde, aparar as arestas de RED ou REDD.

O diplomata ganhou uma missão difícil. Embora o chanceler diga que "a maior parte dos países da América Latina" está com o Brasil, até o momento publicamente as propostas brasileiras para a área de florestas ganharam endosso apenas de países como o discreto Tuvalu, na Polinésia.

RED, REDD ou uma rede de países com florestas podem estar ainda distantes da realidade.

'Medo!' (07/12)

Na quinta-feira, contei aqui sobre o prêmio Fóssil do Dia, distribuído pela Rede de Ação do Clima, que reúne mais de 400 ONGs ambientais de todo o mundo. Hoje, os vencedores voltaram a ser Canadá, Estados Unidos e Canadá/Estados Unidos.

Por enquanto, o Brasil tem escapado, mas hoje, bem-humorado, o embaixador extraordinário para Mudança Climática, Sérgio Serra, admitiu: "O pessoal está morrendo de medo de ser premiado".

Negócio é a China (07/12)

Antes das reuniões em Bali começarem, havia uma expectativa grande sobre como a delegação chinesa se comportaria. Muitos achavam que o país que mais cresce no planeta iria adotar uma postura intransigente – que muitos considerariam até justificada, dada a posição inquestionável de país em desenvolvimento.

O dia-a-dia pintou outro retrato. Nesta sexta-feira mesmo, o secretário-executivo da reunião da ONU, Yvo de Boer, não perdeu a oportunidade de elogiar a disposição em colaborar da delegação asiática.

"Vê-se claramente que a mudança climática é um assunto que os preocupa bastante. Muito disso tem a ver com os impactos no país. Em algumas regiões, a escassez d'água pode passar a 40%", disse de Boer, para acrescentar em seguida que o que se espera da China é "uma melhora maciça na eficiência energética".

Tudo por um D (07/12)

Thelma Krug, a representante brasileira no grupo que discute a inclusão do desmatamento no documento que deve sair de Bali, anda difícil de ser encontrada. A explicação, de acordo com o embaixador extraordinário para Mudança Climática, Sérgio Serra, é simples: ela não sai das reuniões do grupo – que devem avançar fim de semana adentro.

Aparentemente, só na quinta-feira, foram dez horas de discussões. O que tanto se discute? Um D, de degradação.

Parece ser ponto pacífico que o texto final do encontro de Bali deva incluir uma
menção aos mecanismos que receberam o nome de Reducing Emissions from Deforestation (redução de emissões do desmatamento) e são mais conhecido pela sigla RED. A questão é será possível incluir a palavra degradation (degradação) à sigla

A grande polêmica, segundo Serra, é que incluir o D de degradação complica a discussão porque "não existem métodos para se quantificar degradação" das florestas.

Troféu Fóssil do Dia (06/12)

Diariamente, organizações não-governamentais fazem manifestações em frente ao hotel que sedia a conferência sobre mudança climática da ONU. Umas são contra o mecanismo de redução de desmatamento em países em desenvolvimento baseado na troca de créditos de carbono; outras, a favor. Elas se manifestam sobre a proteção dos povos das florestas, dos corais, das florestas da Indonésia, enfim quase tudo.

Um dos 'eventos' mais engraçados que vi por aqui é o prêmio Fóssil do Dia, distribuído pela Rede de Ação do Clima, que reúne mais de 400 ONGs ambientais de todo o mundo. A brincadeira tem um fundo sério: os "vencedores" são escolhidos em uma votação depois de cada dia de negociação. Ganha sempre a delegação que mais atravanca o processo.

Nesta quinta-feira, o prêmio foi para a Austrália, graças às declarações do novo primeiro-ministro, Kevin Rudd, sobre as metas de emissão de 24% a 40% até 2020 nos países desenvolvidos. Os números foram baseados nas conclusões do último relatório do IPCC, endossado pela própria Austrália e pelos Estados Unidos, mas o país, segundo Rudd, "não considera essas metas obrigatórias".

O grande campeão até agora nesses quatro dias de reunião é o Japão, com quatro prêmios; três deles num só dia. Em seguida vêm Arábia Saudita e Estados Unidos, empatados. Por último, ficam Canadá e Austrália.

Pessimista (06/12)

Ao fim do quarto dia de negociações em Bali, o coordenador de campanhas do Greenpeace, Marcello Furtado, está frustrado com o desenrolar das discussões sobre desmatamento no chamado mapa de Bali, como vem sendo apelidado o documento que deve resultar desta reunião.

Ele me disse que parecem faltar duas coisas nesse encontro de Bali: liderança e responsabilidade. Sobre o primeiro ponto, o ativista diz que ninguém assumiu as rédeas das negociações para garantir avanços concretos até o momento - nem qualquer país nem o secretariado do encontro.

No segundo item, ele lembra que na abertura do encontro foram feitas declarações fortes sobre a necessidade de se chegar a um acordo. "Agora, ninguém parece estar querendo assumir essas declarações", disse o coordenador do Greenpeace.

O pessimismo parece justificado. Mais cedo, o próprio secretário-executivo da conferência foi curto e grosso ao responder a pergunta sobre se acreditava que um acordo sobre desmatamento seria fechado até o dia 14. "Não", disse Yvo de Boer.

 
 
Nome
Idade*
Cidade
Paìs
E-mail
Telefone*
* opcional
Sua opinião/pergunta
 
  
Nota: a BBC Brasil se reserva o direito de editar e publicar os comentários recebidos, assim como utilizá-los em seus programas de rádio.
 
Floresta amazônica Ambiente
Amazônia 'guarda 30% do carbono florestal do mundo'.
 
 
Madeira Desmatamento
Proposta para redução pode deixar Brasil isolado em Bali.
 
 
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil Diplomacia e etanol
EUA e Europa mostram 'duas faces', diz Celso Amorim.
 
 
Aquecimento global
ONGs cobram do Brasil metas para reduzir emissões.
 
 
Ambientalistas pedem combate ao aquecimento Reunião de Bali
Entenda a reunião da ONU na Indonésia sobre o clima.
 
 
Protocolo de Kyoto
Entenda o que é e os objetivos do acordo sobre clima.
 
 
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail   Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade