Sunny Leone: A ex-estrela pornô da Índia que virou atriz de sucesso e agora escritora erótica

Sunny Leone durante promoção de filme em Mumbai, março de 2014 Direito de imagem AFP
Image caption Sunny Leone encabeça as buscas no Google por nomes de pessoas na Índia

"Contos apimentados da mulher mais desejada da Índia". A descrição brilha na tela do telefone, enquanto pisca a imagem de uma mulher sorrindo em um vestido vermelho.

A autora é a atriz Karanjit Kaur, ex-atriz pornô e posteriormente estrela de Bollywood - a milionária indústria cinematográfica indiana. Também conhecida como Sunny Leone, nome que a fez famosa na indústria de filmes adultos americana.

Sweet Dreams ("Doces Sonhos", em tradução livre) é sua coletânea de 12 contos eróticos lançada pela editora indiana Juggernaut no mês passado.

É também a primeira vez que um livro original de contos é disponibilizado para apps em smartphones na Índia.

As histórias são variadas: em uma delas, um especialista indiano em tecnologia da informação vive um rompante romântico com uma stripper em Nova York; em outra, uma viúva obediente tem relações sexuais com o fantasma do seu falecido marido.

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Image caption 'Sweet Dreams' reúne 12 contos eróticos de Sunny Leone

"Escrevi o livro no meu laptop, em Mumbai, na tranquilidade da minha casa em Los Angeles e no intervalo das gravações em um set de Bollywood", disse Leone à BBC. "Foram quatro meses para concluir meu primeiro rascunho."

"Nunca tinha escrito, mas aceitei a proposta da editora e topei o desafio."

Leone diz que não se lembra de ter lido na infância. Filha de pais adeptos da religião sikh, da região de Punjab, ela cresceu no Canadá interessada em fotografia e esportes.

O primeiro romance erótico que leu foi Cinquenta Tons de Cinza, de EL James. "Eu lia e pensava, 'Que intenso!'", diz. E ria.

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Image caption Leone foi apresentada aos telespectadores indianos em 'Bigg Boss', uma versão indiana do 'Big Brother'

Fome de erotismo

Escritores e nomes indianos da indústria literária concordam que a ficção erótica de Leone desembarcou no mercado no momento ideal.

O país sucumbiu à mesma onda global criada por 50 Tons de Cinza.

"Globalmente, o gênero erótico é um dos mais vendidos no mercado de e-books, e achamos que o produto também funcionaria em smartphones", diz a editora da Juggernaut, Chiki Sarkar.

"A Índia tem um apetite por ficção erótica apesar do policiamento moral, e os contos de Leone são parte de uma onda que excita um mercado que quer mais", diz o escritor de livros eróticos Ananth Padmanabhan.

Além disso, a autora conta com uma presença enorme na mídia social: lidera as buscas no Google por nomes de pessoas na Índia, e conta com cerca de 22 milhões de seguidores em plataformas como Facebook, Twitter e Instagram.

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Direito de imagem AFP
Image caption Sunny Leone (esq) fez carreira bem-sucedida na indústria de entretenimento adulto do EUA

Aos 18 anos, Leone trocou seus estudos no Canadá pela indústria de entretenimento adulto nos EUA.

Ela trabalhou inicialmente como modelo erótica e depois na indústria de filmes pornôs.

Em 2011, os telespectadores indianos foram apresentados a ela na quinta edição do reality show Bigg Boss, uma versão indiana do Big Brother.

Leone era então uma espécie de curinga, desconhecida de um público que até então a via como uma estrela pornô americana de origem indiana.

Desde o Bigg Boss, a popularidade da atriz decolou.

Leone participou de 15 filmes, incluindo thrillers eróticos, comédias picantes e pontas glamurosas em alguns filmes produzidos no país.

"Gosto de correr riscos", diz a atriz. "Desde jovem, experimentei com todas as coisas que pude para descobrir o que me deixa mais confortável."

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Image caption Leone atuou em vários filmes de Bollywood, a gigante indústria de filmes indiana

Para a editora, Sarkar, Leone "é o símbolo da uma mulher forte, que não tem vergonha das decisões e escolhas que fez na vida".

Rosalyn D'Mello, autora de uma autobiografia erótica, acredita que "ao não sucumbir às expectativas em relação à sexualidade e pudor das mulheres, Leone questiona as noções sobre como as mulheres podem controlar as percepções sobre elas mesmas".