'Quando eu lembro do Nescau, das contas para pagar, do salão da mulher, rapidinho o peso do galão de mate diminui'
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'Quando eu lembro do Nescau, das contas para pagar, do salão da mulher, rapidinho o peso do galão de mate diminui'

Quem já passou por alguma praia do Rio de Janeiro no verão já ouviu a propaganda: “Ó o Mate! Ó o limão! Limonada, Mate!” ou alguma de suas variações. Por trás dos gritos estão homens de todas as idades, vestidos num uniforme laranja com dois galões nos ombros e um saco do famoso biscoito Globo nas mãos.

Fabiano Souza é um desses. Seu trabalho começa ainda de madrugada e, na maioria das vezes, só acaba quando o sol se põe sob o morro dos Dois Irmãos na praia de Ipanema.

“Chego da praia meio tarde, umas 22h. Aí vou botar o mate para ferver, lavar os galões e o uniforme. Aí lavo o limão e deixo para moer de manhã. Acordo 6h da manhã, coo o mate, faço o sumo do limão, encho o galão e saio para Ipanema”, contou à BBC Brasil enquanto se preparava para ir à praia aproveitar mais um dia de sol do verão carioca – não descansando, como a maioria que estaria lá, mas trabalhando muito.

“Tem que aproveitar esses dias, já vi que vai vir uma frente fria de chuva em breve, então não dá para descansar. Estou há 10 dias trabalhando sem parar.”

Morando em Guadalupe, uma comunidade a 40km de Ipanema, Fabiano pega um mototáxi, um ônibus e o metrô em 1h30 de trajeto até chegar ao local de trabalho. Tudo isso com quase 50kg nas costas.

“As pessoas costumam perguntar ‘nossa, isso é pesado? Como você aguenta?’. Eu digo, ‘minha querida, quando eu lembro do Nescau, das contas para pagar, do salão da mulher, rapidinho o peso diminui. Vai ficando leve, vira um isopor, é só lembrar das contas”, brinca.

Acompanhamos por um dia a rotina de trabalho dele.

Imagens e edição: Ana Terra Athayde

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