Por que cientistas defendem que o mundo precisa enviar uma missão ao desconhecido 'planeta oceano'

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Image caption 'Os oceanos são críticos para nossa economia no futuro', diz cientista

A quantidade de plástico no oceano pode triplicar em uma década a não ser que medidas sejam tomadas para conter o descarte de lixo, alerta um relatório feito para o governo britânico. Mas essa é apenas uma das questões atuais sobre mares do planeta, afirma o documento, assim como a elevação do nível das águas, seu aquecimento, outros tipos de poluição e as oportunidades econômicas desperdiçadas.

O Foresight Future of the Sea Report ("Relatório sobre previsões para o futuro do mar", em tradução livre), cuja elaboração foi liderada pelo consultor científico chefe do Reino Unido, Mark Walport, aponta haver também para oportunidades na exploração da chamada "economia do oceano", um mercado que deve dobrar de tamanho, para US$ 3 trilhões (R$ 9,9 trilhões), até 2030.

O relatório diz que ainda é preciso saber muito mais sobre os mares. O autores afirmam que o mundo precisa de uma missão ao "planeta oceano", ou seja, ter o mesmo ânimo de explorar esse ecossistema assim como ocorre com missões à Lua e a Marte.

Escrito por especialistas com o objetivo de ajudar na tomada de decisões de ministros em questões importantes no médio e longo prazo, o documento destaca a importância de criar uma política única para os oceanos entre diferentes setores do governo britânico.

Um dos autores, Edward Hill, do Centro Oceanográfico do Reino Unido, disse à BBC News: "Os oceanos são críticos para nossa economia no futuro. Nove bilhões de pessoas buscarão por mais comida nos oceanos, mas ainda sabemos muito pouco sobre o que há lá embaixo".

"Investimos muito dinheiro e esforços em missões para o espaço, mas não há nada vivo lá fora. O fundo do mar está repleto de vida. Precisamos de uma missão ao planeta oceano - esta é a última fronteira."

Receios e ameaças

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Image caption O relatório aponta para um aumento da captura em escala indústrial de peixes

Um dos autores, o cientista-chefe do Departamento do Meio Ambiente do governo britânico, Ian Boyd, concorda: "O oceano está fora de nossas vistas, de nossas mentes".

Ele disse à BBC News: "Há um processo contínuo de busca de novas coisas das quais podemos tirar proveito nos oceanos, e isso ocorre mais rápido do que os cientistas conseguem acompanhar. Minha suspeita é que a legislação também tenha dificuldade de acompanhar esse avanço, e, obviamente, isso gera riscos".

Boyd aponta que fazendas eólicas em alto mar, a exploração de petróleo e empresas de mineração estão indo rumo a áreas ainda não exploradas.

"Cientistas precisam avançar mais rápido do que as pessoas do lado comercial ou, ao menos, no mesmo ritmo, para criar uma regulamentação para reger essas indústrias."

O relatório destaca ainda outros receios, com a atual quantidade de plástico presente nos mares, que deve triplicar entre 2015 e 2025. Mas alerta que os oceanos estão sendo impactados por vários tipos de poluição, inclusive pesticidas e fertilizantes agrícolas, substâncias tóxicas industriais e produtos farmacêuticos.

Os autores dizem que, se governos conseguirem identificar formas de proteger a biodiversidade dos mares, há muitas riquezas a serem exploradas, como reservas de metais e até mesmo uma possível cura para o câncer.

Eles preveem que o maior aumento de atividade industrial nos oceanos virá de fazendas eólicas, seguido por aquacultura e processamento de peixes. O relatório também projeta um crescimento da captura de peixes selvagens.

Isso é alarmante para Rachel Jones, especialista em vida marinha do Zoológico de Londres. Ela disse à BBC News: "Dado que 90% da indústria da pesca já atua no limite ou próximo do limite sustentável, não sei como conseguirão expandir a captura de peixes".

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