Quais são países mais vulneráveis a desastres climáticos?

Crianças recebendo garrafas d'água na Tailândia, em área alagada Direito de imagem Getty Images
Image caption O relatório também destaca a vulnerabilidade das crianças em áreas afetadas por desastres

Um novo estudo afirma que 9 dos 15 países com maior risco de sofrerem desastres naturais, incluindo aqueles relacionados a mudanças climáticas, são ilhas.

O World Risk Report 2018 (Relatório de Risco Mundial 2018, em tradução livre) analisa o risco de terremotos, tsunamis, furacões e inundações em 172 países - e também avalia a capacidade que eles têm de responder a eventos como esses.

O estudo é da Universidade Ruhr de Bochum, na Alemanha, e da Development Helps Alliance, uma aliança de ONGs humanitárias alemãs.

Ele foi divulgado num momento em que a Indonésia registrou pelo menos 429 mortos e 150 desaparecidos em decorrência de um tsunami que atingiu a costa do país no final de 2018.

A região está localizada entre a Ásia continental e a Oceania, sendo esta última a área considerada mais vulnerável a desastres naturais, de acordo com os pesquisadores.

Top 15

No relatório, os pesquisadores destacaram a difícil situação das crianças nessas áreas marcadas pela vulnerabilidade - cerca de uma em cada quatro crianças no mundo vive em uma área afetada por desastres.

Além disso, dados da ONU mostram que mais da metade das pessoas desalojadas por conflitos ou desastres naturais em 2017 tinham menos de 18 anos.

Zonas de risco (Fonte: World Risk Report 2018)
País Índice de risco (Numa escala de 100)
1. Vanuatu 50.28
2. Tonga 29.42
3. Filipinas 25.14
4. Ilhas Salomão 23.29
5. Guiana 23.23
6. Papua Nova Guiné 20.88
7. Guatemala 20.60
8. Brunei 18.82
9. Bangladesh 17.38
10. Fiji 16.58
11. Costa Rica 16.56
12. Camboja 16.07
13. Timor Leste 16.05
14. El Salvador 15.95
15. Kiribati 15.42

As ilhas estão no topo da lista devido à vulnerabilidade a fenômenos climáticos, incluindo o aumento do nível do mar.

A pequena ilha de Vanuatu, no Pacífico Sul, foi considerada a nação mais vulnerável do mundo, seguida pela vizinha Tonga.

Ilhas

O arquipélago das Filipinas, com uma população de mais de 104 milhões de pessoas, está em terceiro lugar.

Embora a Oceania tenha sido, em geral, a região considerada de maior risco pelos pesquisadores alemães, países da África não apenas figuram de forma expressiva entre os 50 principais países com probabilidade de sofrer um desastre natural como também correspondem a 13 dos 15 com maior "vulnerabilidade social" a desastres.

Segundo o relatório, o Catar é o país com o menor risco.

Vulnerabilidade social

Os pesquisadores destacaram a necessidade de preparação para desastres naturais extremos, usando como exemplo positivo a forma como as nações europeias reagiram à onda de calor que atingiu o continente na primavera e no verão, causando secas que afetaram diretamente a agricultura.

"Foi a vulnerabilidade relativamente baixa dos países afetados pela seca que os poupou do desastre", escreve Katrin Radtke, professora da Universidade Ruhr de Bochum.

O índice de risco é calculado levando em conta não só a probabilidade de um desastre natural acontecer mas também como um país está preparado para um evento do tipo, considerando fatores como normas de construção, níveis de pobreza e os planos existentes para uma eventual crise.

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Image caption Relatório avalia riscos de áreas serem atingidas por terremotos, por exemplo, assim como a capacidade de resposta a esse tipo de evento

Isso explica por que nações com histórico de desastres naturais, como o Japão e o Chile, atingidos por terremotos, não estão entre os 20 países de maior risco.

Ou como a Holanda, que há séculos tem lutado contra o nível do mar, ocupa apenas a posição número 65.

"Esses países não conseguem reduzir o suficiente os possíveis riscos decorrentes de eventos naturais, mas eles não são os mais vulneráveis", diz o relatório.

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Image caption O Catar foi considerado o país com o menor risco de desastres naturais

"Em relação ao clima, 2018 foi um ano surpreendente, e de aprendizado. Mais uma vez, ficou claro que estar bem preparado para eventos naturais extremos é fundamental", disse Angelika Bohling, presidente da Development Helps Alliance.

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