Cobra encontrada com 511 carrapatos passa por tratamento para anemia na Austrália

A cobra píton-carpete já sem nenhum carrapato Direito de imagem Tony Harrison/Facebook
Image caption A cobra píton, apelidada de Nike, está agora livre dos carrapatos

A cobra que teve 511 carrapatos removidos do seu corpo na Austrália, na semana passada, ainda está fraca e com anemia, explicaram veterinários australianos que socorreram o animal.

O réptil, que recebeu o apelido de Nike, é uma píton-carpete. Foi resgatado de uma piscina australiana por caçadores de cobra. Acredita-se que estivesse tentando aliviar na água o mal-estar provocado pela infestação.

Desde então, Nike foi tratada de uma infecção aguda. "Isso (a infecção) pode ter provocado sua imobilidade, permitindo que os carrapatos tirassem vantagem dela", afirmou o Hospital de Vida Selvagem Currumbin, em um comunicado publicado online.

Especialistas explicam que é comum que animais atraiam um pequeno número de carrapatos e outros parasitas. Mas, se o animal estiver fraco, os parasitas podem se multiplicar rapidamente. E, em casos graves como esse, provocar anemia - uma deficiência nas células sanguíneas - ao se alimentar do sangue do animal hospedeiro.

Direito de imagem CURRUMBIN WILDLIFE HOSPITAL
Image caption Pote com os carrapatos retirados da cobra píton-carpete na Austrália
Direito de imagem Tony Harrison/Facebook
Image caption Veterinários removeram 511 carrapatos da cobra Nike

Como ocorre uma infestação de carrapatos

"Os carrapatos estão na natureza. Em qualquer fragmento de mata, com certeza vai haver carrapato. Então, por isso, qualquer animal - até mesmo nós humanos - que entrar em mata está suscetível a ser parasitado. Assim também é com as serpentes", explica Kalena Barros da Silva, veterinária do Museu Biológico do Instituto Butantan.

"Se o animal está bem, há um equilíbrio. Vai apresentar uma quantidade de carrapato que não é nociva. A serpente, por exemplo, ao rastejar, subir em árvores, entrar na água, caçar e ao realizar a ecdise normalmente (a troca de pele) os parasitas podem ir se desprendendo do corpo. Já se o animal não está bem, fica mais exposto a ser parasitado por carrapatos".

Esse é o caso da cobra Nike, segundo Bryan Fry, professor da Universidade de Queensland, na Austrália: "Claramente a cobra estava muito doente, é por isso que suas defesas naturais estivessem tão debilitadas".

Segundo Kalena, quando um animal debilitado sofre com uma infestação de carrapatos, a primeira medida a ser tomada é retirar o animal do ambiente onde foi parasitado - uma clínica, um hospital. Caso contrário, a infestação pode voltar.

Depois, é preciso remover manualmente os carrapatos. Em alguns casos, é possível aplicar uma solução que mata os parasitas e faz com que se desprendam mais facilmente do corpo do hospedeiro.

O próximo passo é tratar as lesões da pele. No caso das serpentes, os carrapatos se fixam entre as escamas, que são mais rígidas. A seguir, é preciso verificar como está a saúde do animal - por exemplo, se está desidratado ou anêmico - e tomar as medidas necessárias para tratá-lo.

Segundo o hospital australiano que está cuidando de Nike, a cobra está recebendo cuidados de um profissional experiente. A expectativa é soltá-la de volta na natureza nos próximos meses.

"Nike ainda não está de volta à floresta, mas nós estamos confiantes que ele vai conseguir se recuperar totalmente", acrescentou a organização.

Direito de imagem CURRUMBIN WILDLIFE HOSPITAL
Image caption Um filhote de coala também foi tratado após ser encontrado com mais de 100 carrapatos.

O coala que se recuperou de uma infestação de carrapatos

O hospital que está cuidando de Nike também tratou recentemente de um filhote de coala encontrado com mais de cem carrapatos. Os veterinários levaram duas horas para remover todos os insetos.

O marsupial estava separado da mãe quando foi encontrado, informou o grupo de defesa da vida selvagem Friends of the Koala (Amigos do Coala).

A instituição acredita que o coala tenha atraído tantos carrapatos porque estava sentado no chão - um possível sinal de que estava doente ou ferido.

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