Jussie Smollett: Como ator da série Empire passou de vítima de ataque racista a suspeito de ter forjado crime

Jussie Smollett Direito de imagem EPA
Image caption O ator interpreta o personagem Jamal Lyon na série 'Empire'

O ator americano Jussie Smollett, que interpreta Jamal Lyon na série Empire, foi preso nesta quinta-feira (21) sob acusação de ter registrado um boletim de ocorrência falso.

Smollett, de 36 anos, disse que foi agredido fisicamente por dois homens brancos em janeiro em meio a insultos racistas e homofóbicos.

A versão dele passou a ser questionada depois que, segundo a imprensa americana, a polícia começou a suspeitar que o ator pagou dois irmãos nigerianos para encenar o ataque.

O ator nega a acusação. Antes da prisão, os advogados dele informaram que iriam "conduzir uma investigação minuciosa e montar uma defesa agressiva".

"Como qualquer outro cidadão, Smollett tem direito à presunção de inocência, particularmente quando há uma investigação como essa, em que as informações, verdadeiras ou falsas, vazaram repetidas vezes", informaram Todd Pugh e Victor Henderson, advogados que representam o ator, em comunicado.

Direito de imagem Chicago Police
Image caption A polícia de Chicago divulgou imagens de câmeras de segurança de dois suspeitos de envolvimento no caso

Ontem, a rede CBS de Chicago divulgou imagens de câmeras de segurança a que teve acesso que aparentemente mostram os dois irmãos suspeitos comprando acessórios, incluindo máscaras de esqui que teriam sido usados ​​pelos agressores.

Os suspeitos deixaram os EUA após o suposto ataque e foram presos ao voltar para o país na semana passada. Em seguida, foram liberados e dizem que estão cooperando com a investigação.

Um dos irmãos é personal trainer de Smollett e ambos trabalharam como figurantes na série Empire.

A advogada deles, Gloria Schmidt, afirmou que ambos estão colaborando com as autoridades. "Eu acho que a consciência de Jussie não está deixando que ele durma à noite", afirmou ela.

A versão de Smollett

O ator, que é abertamente gay, contou que saiu para comprar comida tarde da noite, no dia 29 de janeiro, quando dois homens brancos começaram a disparar insultos raciais e homofóbicos contra ele, além de agredi-lo com socos. Ele disse ainda que jogaram uma "substância química" em cima dele e enrolaram uma corda em seu pescoço.

"Esse é o país do MAGA", teriam dito os agressores, fazendo referência ao slogan "Make America Great Again" ("Faça a América grande de novo", em tradução livre), usado na campanha eleitoral pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

O suposto ataque não foi registrado por câmeras de segurança ou visto por testemunhas.

A notícia do suposto ataque provocou uma onda de manifestações de solidariedade a Smollett, incluindo estrelas como a atriz Viola Davis e a supermodelo Naomi Campbell.

Ao se pronunciar pela primeira vez sobre o incidente, Smollett afirmou: "O derramamento de amor e apoio do meu povo significou mais do que jamais poderei expressar verdadeiramente em palavras".

"Estou trabalhando com as autoridades e tenho sido 100% objetivo e consistente em todos os níveis", acrescentou em comunicado.

A cronologia da investigação

No dia 31 de janeiro, Smollett se recusou a entregar seu telefone à polícia para investigar o ataque.

Eles queriam confirmar detalhes - incluindo as referências ao "Maga" - uma vez que o ator afirmou que estava ao telefone com seu empresário na hora.

Na sequência, a polícia declarou que não iria exigir o telefone. "Ele é uma vítima. Não o tratamos como um criminoso."

Mais adiante, o ator justificou a recusa: "Tenho fotos e vídeos privados, números... Meus e-mails particulares, minhas músicas privadas, minhas mensagens de voz particulares".

No dia seguinte, a polícia de Chicago divulgou imagens de câmeras de seguraça de dois suspeitos que estavam andando na área do ataque.

No dia 11 de fevereiro, Smollett entregou finalmente à polícia um arquivo em PDF de seus registros telefônicos, após ter se recusado a atender a solicitação num primeiro momento.

Mas o arquivo havia sido editado - algumas partes foram encobertas.

Na ocasião, a polícia disse que não havia motivo para suspeitar de qualquer irregularidade por parte de Smollett e "nem sequer estava cogitando acusá-lo pela apresentação de um relatório falso".

Três dias depois, os irmãos Obabinjo e Abimbola Osundairo, que apareciam nas imagens das câmeras de segurança, foram detidos e interrogados pela polícia, mas não foram acusados ou tratados como suspeitos.

Eles tinham trabalhado como figurantes de Empire e costumavam frequentar a academia com Jussie Smollett.

Reviravolta no rumo das investigações

No dia 17 de fevereiro, a polícia de Chicago citou "alguns desdobramentos da investigação" e afirmou que precisava falar com "o indivíduo que relatou o incidente" - Jussie Smollett.

Os advogados do ator afirmaram em um comunicado: "Jussie Smollett está irritado e devastado por relatos recentes de que os perpetradores são pessoas que ele conhece".

Eles acrescentaram que era "impossível acreditar" que os irmãos Osundairo "poderiam estar envolvidos no crime contra Jussie ou terem alegado falsamente a conivência de Jussie".

No dia 20 de fevereiro, a polícia anunciou que o ator estava sendo acusado de "conduta desordeira / registro boletim de ocorrência falso".

No dia seguinte, a prisão de Smollett foi anunciada.

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