Explosões no Sri Lanka: bilionário dinamarquês perde 3 de seus 4 filhos em ataque a hotel de luxo no Sri Lanka

Calçados de vítimas dos ataques no Sri Lanka coletados na Igreja de São Sebastião, em Negombo Direito de imagem Getty Images
Image caption Calçados de vítimas que estavam em uma das igrejas atingidas pelos ataques no Sri Lanka domingo

Três dos quatro filhos de um bilionário dinamarquês morreram nos ataques de domingo no Sri Lanka. As explosões tiveram como alvos igrejas católicas e hotéis de luxo nas cidades de Colombo, Negombo e Baticaloa, e deixaram pelo menos 290 mortos, a maioria deles cidadãos do próprio país.

Dezenas de turistas e trabalhadores de diversas outras nacionalidades, porém, também estão na lista, mas muitos ainda não foram identificados. Além deles, foram contados 500 feridos.

A família do empresário dinamarquês Anders Holch Povlsen, considerado o homem mais rico da Dinamarca pela revista Forbes, estava passando o feriado de Páscoa no país e estaria hospedada em um dos hotéis atingidos. Os nomes das crianças que morreram não foram divulgados.

Povlsen é dono da rede internacional de vestuário Bestseller e o maior acionista individual da gigante de roupas Asos. Ele e sua mulher, Anne Storm Pedersen, são os maiores proprietários de terras na Escócia - entre elas, o Castelo de Aldourie e mais de 80 mil hectares nas Highlands (Terras Altas no norte do país) - de acordo com o jornal The Guardian.

"Infelizmente, nós podemos confirmar as notícias", disse um porta-voz da Bestseller à BBC News, por email, sobre a morte dos filhos do empresário. "Pedimos que vocês respeitem a privacidade da família e, portanto, não temos mais comentários a fazer."

Direito de imagem Zalando
Image caption Holch Povlsen passava o feriado no país com a família. As mortes de três filhos dele foram confirmadas por um porta-voz de sua empresa

Vítimas locais

A polícia prendeu 24 pessoas. Até a manhã desta segunda-feira, ninguém tinha assumido a responsabilidade pelos ataques. Entre as vítimas estão vários cristãos que participavam de celebrações da Páscoa.

Uma das primeiras a serem identificadas, ainda na noite passada, foi a chef celebridade do Sri Lanka Shantha Mayadunne.

A filha dela, Nisanga Mayadunne, havia postado uma foto da família tomando café da manhã no hotel Shangri-La, em Colombo, pouco antes de uma forte explosão no local - que, segundo policiais, teria sido causada por um homem-bomba.

Membros da família confirmaram as mortes de Shantha e Nisanga.

O hotel Shangri-La anunciou em um comunicado que três de seus funcionários foram "fatalmente feridos no cumprimento de suas obrigações".

Outro hotel, o Cinnamon Grand, informou que a explosão em suas dependências ocorreu "durante o café da manhã, um de nossos horários mais movimentados" e que quatro garçons morreram quando estavam "trabalhando na estação de comidas frescas fazendo Appam [um tipo de panqueca do Sri Lanka]".

Estrangeiros

Autoridades dizem acreditar que pelo menos 36 estrangeiros estejam entre os mortos.

Entre eles estariam, além dos três filhos do empresário dinamarquês, pelo menos cinco cidadãos britânicos - incluindo dois que também possuem cidadania americana - um português, seis indianos, dois turcos, dois chineses, dois australianos, um holandês, um japonês e um bengali.

Direito de imagem AFP/Getty Images
Image caption O hotel Shangri-La, um dos atingidos nos ataques, teve hóspedes e funcionários entre as vítimas

Entre os mortos no hotel Shangri-la estão cinco funcionários de um partido político de Bangalore, o Partido Janata Dal (JDP), na Índia. A informação foi confirmada por parentes à BBC News Hindi.

O ministro-chefe do estado indiano de Karnataka disse no Twitter que conhecia duas dessas vítimas pessoalmente, acrescentando que estava "profundamente chocado".

Os integrantes do JDP haviam decidido tirar férias no Sri Lanka após a realização de eleições para a Lok Sabha, a Câmara Baixa da Índia, concluídas no Estado em 18 de abril.

Turcos

Dois cidadãos turcos também foram mortos, informou a agência de notícias estatal Anadolu.

O engenheiro Serhan Selcuk Narici havia se mudado para Colombo em março de 2017, de acordo com seu perfil no Facebook.

Seu pai, Baba Memhet Narici, disse à Anadolu que o filho era engenheiro elétrico. Seu último serviço foi no prédio da embaixada dos EUA no Sri Lanka.

"Ele me enviou uma mensagem de WhatsApp às 5 da manhã dizendo 'Bom dia'", disse Narici. "Foi a última vez que tive notícias dele."

A outra vítima turca - Yigit Ali Cavus - também era engenheiro.

"Ele era um jovem brilhante. Se formou com honras na Universidade Técnica de Istambul e falava duas línguas", disse o pai.

Ainda não está claro onde eles estavam quando os ataques ocorreram.

Os dois australianos mortos nos ataques, eram, segundo o primeiro-ministro do país, Scott Morrison, membros da mesma família e viviam no Sri Lanka.

O bengali na lista de vítimas era neto do membro do parlamento de Bangladesh Sheikh Fazlul Karim Selim.

O rapaz - que era membro influente do partido político Liga Popular de Bangladesh, ou Liga Awami - morreu em uma explosão no hotel onde a família estava hospedada, de acordo com relatos da mídia local.

Seu pai também teria sido ferido na explosão, segundo declarações do assistente pessoal de Selim à agência de notícias Dhaka Tribune. O nome do estabelecimento onde eles estavam não foi divulgado.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Tópicos relacionados

Notícias relacionadas