Empresa dos EUA pede desculpas após anunciar vaga para candidato 'preferencialmente caucasiano'

Imagem mostra mãos de homem branco segurando um telefone celular, em frente a um laptop Direito de imagem Getty Images
Image caption Anúncio buscando profissional branco para a função de gerente de conta foi publicado em vários sites e causou polêmica no Twitter

Uma empresa de recrutamento nos Estados Unidos foi acusada de racismo após publicar um anúncio em busca de candidatos brancos para uma vaga.

A Cynet Systems divulgou que buscava um gerente de conta em vários sites, incluindo o LinkedIn e o Glassdoor.

Na descrição do trabalho, a empresa diz que o candidato ideal seria "preferencialmente caucasiano, com uma boa formação técnica, incluindo conhecimento de RPA (automação de processos robóticos)".

Uma imagem do anúncio viralizou ao ser postada no Twitter pela programadora Helena McCabe, da Flórida.

Diante da repercussão, a empresa pediu desculpas e o removeu dos sites.

Questionamentos e críticas

"Como você pode SEQUER pensar que está tudo bem (com esse anúncio)?", perguntou Helena no Twitter, marcando a empresa no post. "Eu não consigo acreditar que uma coisa dessas ainda existe", criticou outro internauta.

Outros se disseram surpresos com a história, uma vez que os dois donos da empresa, Nikhil Budhiraja e Ashwani Mayur, são indianos-americanos.

O que a empresa disse?

Em um comunicado postado por Budhiraja e pela conta oficial da empresa no Twitter, a Cynet Systems diz ter cometido "um erro terrível" e que o recrutador envolvido iria passar por um retreinamento.

No entanto, após nova repercussão negativa, a empresa disse que a pessoa responsável foi demitida.

Ela também pediu desculpas pela "raiva e frustração" causadas pelo "anúncio ofensivo", afirmando que ele "não reflete os valores fundamentais de inclusão e igualdade" da empresa. "Consideramos o caso como 'experiência de aprendizado'".

Em nota enviada à BBC News, Mayur, um dos proprietários da companhia, ressaltou que a Cynet Systems segue o princípio de se recusar a trabalhar para clientes que discriminem com base em raça.

"E já começamos uma análise dos anúncios atuais e dos futuros para garantir que esse tipo de problema não volte a acontecer", disse ele.

Ele acrescentou que sua empresa tem dois proprietários indianos-americanos e uma força de trabalho composta em "mais de 60% por minorias".

Este anúncio de emprego que a agência fez é legal?

Alguns sugeriram que Helena McCabe, a internauta que chamou a atenção para o anúncio, o denunciasse à Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA, que é responsável por fazer cumprir as leis federais antidiscriminação.

De acordo com a Comissão, é "ilegal discriminar um candidato a emprego ou um empregado por causa de raça, cor, religião, sexo, nacionalidade, idade (40 anos ou mais), deficiência ou informação genética".

Mas uma recrutadora que se identificou como Kandi, disse que, apesar dessa lei, tais práticas de contratação continuam corriqueiras.

"Se você soubesse (o quanto isso é comum)", escreveu ela em resposta ao anúncio. "Como recrutadora, eu posso dizer que nós recebemos demandas por esse tipo de 'perfil' o tempo todo."

Direito de imagem Getty Images
Image caption Uma lei nos EUA proíbe a discriminação de candidatos ou empregados por questões como raça, religião, sexo, nacionalidade e idade

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