Os lugares mais perigosos do mundo para jornalistas

Jornalista ferido é ajudado por colegas durante protesto nas ruas da Venezuela
Image caption Jornalista ferido é ajudado por colegas durante protesto nas ruas da Venezuela

Pelo menos 95 jornalistas foram assassinados no ano passado durante o exercício da profissão, de acordo com a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês).

O número de mortes é maior do que o registrado em 2017, mas não tão alto quanto o observado em anos anteriores, quando os conflitos no Iraque e na Síria estavam no auge.

O ano em que foram contabilizados mais óbitos na imprensa foi 2006, quando houve 155 mortes.

Estes dados incluem qualquer pessoa que trabalhe de alguma forma para uma organização de imprensa.

Assassinatos de jornalistas e profissionais de imprensa

Fonte: Federação Internacional de Jornalistas

Um caso que chamou a atenção mundial em 2018 foi o assassinato do renomado jornalista saudita Jamal Khashoggi.

Ele foi morto em outubro do ano passado após entrar no consulado-geral da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia.

Direito de imagem Getty Images
Image caption Protesto na Turquia contra o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi

O incidente, condenado internacionalmente, provocou uma crise diplomática entre os dois países.

No mês passado, no Reino Unido, a jornalista Lyra McKee morreu com um tiro na cabeça enquanto cobria um protesto nas ruas de Londonderry, segunda maior cidade da Irlanda do Norte.

O Novo IRA, organização paramilitar formada pela fusão de grupos que rejeitam acordo de paz de 1998 entre irlandeses e britânicos, assumiu a autoria do ataque.

Onde é mais perigoso?

O Afeganistão continua sendo um dos países mais perigosos para jornalistas - foram registradas 16 mortes no país no ano passado.

Nove jornalistas afegãos morreram em um único incidente na capital Cabul.

Eles estavam fazendo a cobertura de um atentado quando um segundo dispositivo foi detonado por um homem-bomba, que teria se disfarçado de repórter.

E, no leste do Afeganistão, o repórter da BBC Ahmad Shah foi morto durante um ataque em série na província de Khost.

Jornalistas também foram assassinados nos EUA no ano passado.

Cinco foram mortos a tiros em um ataque à redação do jornal Capital Gazette, em Maryland, por um homem que teria tentado processar o jornal vários anos antes.

No Brasil, o relatório cita a morte de três radialistas em 2018.

Segundo a IFJ, a crescente intolerância às notícias e o populismo, assim como a corrupção, colaboram para este cenário.

Eles "contribuem para um ambiente em que há mais jornalistas mortos por cobrir suas comunidades, cidades e países, do que por fazer reportagens em zonas de conflito armado".

Jornalistas presos globalmente

Fonte: Comitê de Proteção de Jornalistas

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) elabora a cada ano, no início de dezembro, um relatório sobre jornalistas presos.

Este número inclui qualquer pessoa que trabalhe como jornalista, presa por atividades relacionadas ao exercício da profissão.

Os países com maior número de jornalistas presos em 2018 são:

Turquia - 68

China - 47

Egito - 25

Arábia Saudita e Eritreia - 16 cada

Na América Latina, a Venezuela lidera a lista, com três presos, enquanto o Brasil contabiliza um jornalista esportivo detido por difamação.

Imprensa e democracia

A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou neste ano o papel vital de uma imprensa livre para a democracia, principalmente durante as eleições.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou em comunicado que "nenhuma democracia está completa sem acesso a informações transparentes e confiáveis".

Direito de imagem Getty Images
Image caption A jornalista filipina Maria Ressa, conhecida por reportagens que investigam o governo, foi presa duas vezes

Courtney Radsch, do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, diz que a retórica contra a imprensa se tornou endêmica em muitos países, apontando especialmente para as Filipinas e os EUA.

Ela acredita que as redes sociais e a internet contribuíram para os desafios enfrentados por jornalistas.

"O assédio online e as sérias ameaças a jornalistas, especialmente às mulheres, agravaram o ambiente já desafiador", diz ela.

No ranking mundial da liberdade de imprensa deste ano, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) descreve a situação nos EUA como "problemática".

"Nunca antes os jornalistas americanos foram submetidos a tantas ameaças de morte ou recorreram com tanta frequência a empresas de segurança privada em busca de proteção."

Os EUA tiveram desempenho pior no ranking da RSF neste ano, assim como outras duas grandes democracias: a Índia e o Brasil, que caiu três colocações em relação ao levantamento passado, ficando na 105ª posição.

"A eleição de Jair Bolsonaro em outubro de 2018, após uma campanha marcada por discursos de ódio, desinformação, violência contra jornalistas e desprezo pelos direitos humanos, é um prenúncio de um período sombrio para a democracia e a liberdade de imprensa", diz o relatório.

Mas países que apresentavam resultados piores no que se refere à liberdade de imprensa - como Venezuela, Rússia e China - despencaram ainda mais no ranking deste ano.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Notícias relacionadas