Para onde vai o A68, o maior iceberg do mundo, que se desprendeu da Antártida?

Borda do iceberg A68 Direito de imagem Mario Tama/Getty Images
Image caption O iceberg A68 tem quatro vezes o tamanho de Londres

Faz dois anos que um bloco monstruoso de gelo conhecido como A68 se desprendeu da Antártida.

Imagens de satélite mostram que o iceberg – o maior do mundo – girou nas água do Mar de Weddell e agora está se movendo para o norte ao longo de uma península da Antártida.

Por um tempo, pareceu que a massa de água congelada de 160 km de comprimento tinha ficado presa em uma área onde o mar é mais raso. O A68 corria o risco de se tornar a maior ilha de gelo do mundo.

Mas o iceberg voltou a se movimentar – e aumentou sua velocidade.

"Para um objeto que pesa cerca de um trilhão de toneladas, o iceberg A68 parece ser um tanto quanto ágil", diz o professor de geologia Adrian Luckman, glaciologista da Universidade de Swansea, no Reino Unido.

"Depois de um ano ficando próximo ao bloco de gelo do qual se desprendeu, em meados de 2018 o A68 foi atingido pela Weddell Gyre, uma corrente oceânica que o girou em 270 graus e o carregou 250 km ao norte", diz Luckman à BBC News.

"O iceberg tem 160km de comprimento e apenas 200 metros de grossura – proporção equivalente à de um cartão de crédito – então é surpreendente que ele tenha sofrido tão pouco dano em sua viagem até agora."

Image caption Trajetória do iceberg

O A68 se desprendeu da beirada da plataforma de gelo conhecida como Larsen C em julho de 2017. Luckman faz parte do projeto Midas, que acompanha o Larsen C, e também tem seguido o progresso do A68 desde então, usando os satélites europeus Sentinel-1.

Os dois satélites Sentinel-1 passam sobre a região onde está o iceberg de pouco em pouco tempo. Eles são equipados com sensores de radar que conseguem ver a superfície da Terra independentemente das condições do tempo ou de iluminação. No momento, a Antártida está em meio à escuridão do inverno.

Direito de imagem British Antarctic Survey
Image caption A pesquisadora Ella Gilbert foi a primeira cientista a filmar o A68

Embora o A68 tenha em geral se mantido inteiro, ele perdeu alguns pedaços consideráveis de gelo. Uma parte caiu logo depois do iceberg se desprender – um pedaço grande o suficiente para receber sua própria designação: A68b.

Com cerca de 13km por 5km, o bloco "filho" está agora a cerca de 110km ao norte da península.

Como a maioria dos icebergs do Mar de Weddell, o A68 e o A68b vão eventualmente ser jogados na Corrente Circumpolar Antártica, que vai jogá-los no Atlântico Sul, em um caminho que ficou conhecido como "iceberg alley" (passagem do iceberg).

Direito de imagem BAS/P.BUCKTROUT
Image caption Muitos icebergs acabam indo parar na costa da ilha de Georgia do Sul

Essa corrente – e seus ventos – é a mesma que o famoso explorador Ernest Shackleton usou em 1916 para escapar da Antártida depois de perder seu navio no gelo polar. Shackleton mirava a ilha de Geórgia do Sul, bem a leste da costa da Argentina.

Nessa ilha é possível ver enormes icebergs tabulares parados na costa. Como eles tem uma profundidade muito maior do que aparenta a parte que está na superfície, eles tendem a ficar presos no leito próximo a ilha, que é um território britânico.

Quem acompanha o A68 se pergunta: será esse seu destino, ancorar da Geórgia do Sul e derreter no seu "cemitério de icebergs"?

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