50 anos de Woodstock: 6 razões pelas quais o festival ainda mantém seu fascínio

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Image caption Entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, a multidão que se reuniu em uma fazenda de gado leiteiro nos EUA entrou para a história

Woodstock.

Quando a palavra é pronunciada, normalmente o que vem à mente é o festival de música que se tornou um dos momentos mais emblemáticos da cultura contemporânea, e não a pequena cidade de mesmo nome, localizada a 171 quilômetros ao norte de Nova York (EUA).

Realizado entre 15 e 18 de agosto de 1969 em uma fazenda de gado leiteiro, o evento ainda alimenta debates acalorados sobre seu lugar na história nos EUA e no mundo.

Mas por que, 50 anos depois, as pessoas ainda falam sobre o que muitas testemunhas descrevem como uma experiência muito mais caótica do que emblemática, com chuva, lama e drogas?

A BBC listou seis possíveis razões pelas quais Woodstock ainda é um dos mais lembrados festivais de todos os tempos.

1 - A multidão

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Image caption Planejado para um público de 200 mil pessoas, estima-se que 500 mil assistiram aos shows de artistas renomados como Hendrix, The Who e Janis Joplin

O nome oficial do festival era Feira de Artes e Música de Woodstock. Foi organizado por um grupo de quatro empresários liderados pelo promotor de eventos Michael Lang.

Eles estavam querendo faturar em cima do sucesso de eventos parecidos que começavam a agitar os EUA e a Europa como, por exemplo, o Festival Pop de Monterey que, em 1967, colocou no palco artistas e bandas de sucesso, entre eles Simon and Garfunkel, The Who e Jimi Hendrix.

Lang e companhia conceberam o evento para 200 mil pessoas e, mesmo depois de venderem 186 mil ingressos antecipados, vendidos a cerca de US$ 18 (o equivalente a US$ 120 em valores de hoje) achavam que não iria aparecer muito mais gente.

Já era um público muito mais ambicioso que o de eventos anteriores. Monterey, por exemplo, teve uma plateia bem menor - entre 7 mil e 10 mil pessoas tiveram acesso à arena onde aconteceram os shows.

Estima-se que 500 mil pessoas foram à área do festival de Woodstock que, curiosamente, fica numa fazenda de laticínios na cidade de Bethel, a 70 quilômetros a sudoeste de Woodstock.

O grande número de pessoas acabou transformando Woodstock, originalmente pensado para ser um negócio lucrativo, em um evento gratuito.

Para se ter uma ideia de quão grande era essa multidão, o local do festival tornou-se temporariamente a terceira "cidade" mais populosa do Estado de Nova York.

2 - Paz e amor

Em 1969, os americanos estavam profundamente divididos. Havia uma insatisfação crescente, provocada pela Guerra do Vietnã e as tensões raciais que levaram a tumultos em 125 cidades no ano anterior, após o assassinato do líder dos direitos civis Martin Luther King.

Apesar do pânico entre organizadores e autoridades quando a área de Woodstock foi totalmente ocupada pela multidão, o festival teve uma atmosfera extraordinariamente pacífica.

Houve três fatalidades registradas - duas mortes por overdose de drogas e outra quando um espectador que dormia foi atropelado por um trator em um campo de feno próximo.

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Image caption Apesar do clima tenso nos EUA em 1969, o festival foi de 'paz e amor'

As dores de cabeça logísticas não resultaram em problemas graves, o que ajuda a explicar por que Woodstock ainda hoje é associado ao movimento "paz e amor".

Poucos meses depois, a violência marcou o Altamont Speedway Free Festival, um evento na Califórnia encabeçado pelos Rolling Stones no qual um espectador foi morto a facadas bem diante do palco.

3 - Coisa de cinema

O fascínio em torno de Woodstock deve muito ao documentário oficial filmado durante o festival.

Dirigido por Michael Wadleigh e editado por uma equipe da qual fazia parte Martin Scorsese, que viraria um dos "pesos pesados" de Hollywod, se transfomou numa das cinco maiores bilheterias do cinema americano em 1970.

Também ganhou Oscar de melhor documentário no ano seguinte.

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Image caption O documentário sobre o festival ganhou o Oscar em 1971

4 - Line-up estrelado

Também ajudou o fato de os organizadores de Woodstock terem conseguido levar nomes de peso da música para tocar.

Hendrix, The Who, Janis Joplin, Jefferson Airplane, The Grateful Dead e o então recém-formado grupo Crosby, Stills, Nash & Young estavam na lista de atrações do festival.

Jimmy Hendrix foi protagonista de um dos momentos mais icônicos do festival, graças à versão que ele tocou do hino americano.

5 - Sequências fracassadas

A mística duradoura de Woodstock também é alimentada por tentativas fracassadas de recriar o festival.

O show de aniversário de 25 anos de Woodstock, celebrado em 1994, ficou famoso pelas guerras de lama e a presença de grandes patrocinadores.

Cinco anos depois, foi ainda pior. Protestos e acusações de violência sexual marcaram a comemoração de 30 anos do festival.

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Image caption Jimi Hendrix foi um dos grandes nomes do festival

O "jubileu de ouro", marcado para comemorar o aniversário de 50 anos este ano, não passou de um plano que não saiu do papel: os esforços de Michael Lang causaram uma série de problemas, desde a negação da licença até notícias de que os artistas agendados cancelaram porque não receberam pagamento adiantado.

O evento foi cancelado em 31 de julho.

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Image caption O Woodstock 1999 foi marcado por problemas e vandalismo

6 - 'Vaca leiteira'

Não vai ter 'revival', mas a marca Woodstock parece estar firme e forte.

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Image caption Produtos do Woodstock original ainda geram renda milionária

As vendas de mercadorias ligadas ao festival original, incluindo produtos com o famoso logo com um pássaro e a guitarra, ainda geram vendas de pelo menos US$ 20 milhões (o equivalente a R$ 80 milhões) por ano, segundo a empresa de licenciamento que administra a marca oficial de Woodstock há 15 anos, a Epic Rights.

Em 2019, espera-se que as vendas atinjam US$ 100 milhões, cerca de R$ 400 mi, impulsionadas pelo aniversário de 50 anos do mais icônico festival de todos os tempos.

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