Por que o Homem Vitruviano de Leonardo Da Vinci é tão icônico?

Homem vitruviano de Da Vinci Direito de imagem Getty Images
Image caption O desenho interpreta as teorias da proporção de corpo do arquiteto Vitrúvio

O famoso Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci, finalmente viajou a Paris, apesar das tentativas de impedir que o desenho saísse da Itália.

Uma corte italiana determinou que a obra — tem que cerca de 530 anos de idade — podia ser transportada ao Museu do Louvre em Paris, onde agora faz parte de uma mostra que comemora os 500 anos da morte do grande renascentista.

A organização sem fins lucrativos Italia Nostra se opunha a seu traslado, por considerar que o desenho, que normalmente se encontra em uma sala de temperatura controlada na Galeria da Academia de Veneza, era muito frágil para sair dali.

O Homem Vitruviano é uma das obras mais famosas de Da Vinci, e muitos temiam que sofresse algum tipo de dano durante a viagem ou durante a exposição na capital francesa. A obra é um desenho de tinta sobre papel.

Mas por que esse desenho é considerado uma obra icônica do pintor, anatomista, arquiteto, cientista, inventor e filósofo florentino?

Ideia no papel

Na opinião de Joanne Allen, professora do Departamento de Arte da Universidade Americana em Washington, esse é um "desenho muito incomum para Leonardo".

"É um desenho com tinta muito bem acabado, feito para expressar uma ideia intelectual concisa, não um esboço de uma observação científica ou um desenho preparatório para uma pintura", explica Allen à BBC.

Essa ideia expressa por Da Vinci está baseada em um dos textos do antigo arquiteto romano Vitrúvio (80-70 a. C.-15 a. C), que relacionou as medidas e o desenho do corpo humano com a arquitetura.

Em seu tratado de arquitetura, Vitrúvio expôs suas teorias sobre as proporções humanas, que afirma que a proporção ideal de uma figura humana deve entrar em um círculo e em um quadrado.

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Image caption Diferentemente de outros desenhos de Da Vinci, o Homem Vitruviano expressa uma ideia concisa, segundo Allen

"Se um homem fica de costas, com as mãos e pés estendidos e um par de compassos centrados em seu umbigo, os dedos de seus dois pés e das mãos tocarão a circunferência do círculo desenhado", disse Vitrúvio.

"E assim como o corpo humano produz um contorno circular, também será possível encontrar uma figura quadrada a partir dele."

Da Vinci, no entanto, acomodou cientificamente o ponto central do círculo fora do umbigo para assegurar que a teoria funcionasse.

Isso, diz Allen, "não havia sido feito antes de uma maneira tão convincente".

"Leonardo utilizou duas formas perfeitas — o quadrado e o círculo — que historicamente simbolizavam a Terra e o Paraíso, respectivamente, e colocou o homem no centro."

Para Allen, os temas da perfeição e da unidade fazem que esse desenho seja um dos trabalhos mais importantes do Renascimento italiano.

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