Coronavírus: o que é uma pandemia e por que o atual surto ainda não é uma
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O que é uma pandemia e por que o atual surto de coronavírus ainda não é uma

Desde que surgiu, na cidade chinesa de Wuhan, o coronavírus Covid-19 já se espalhou por mais de 35 países.

Com mais de 80 mil casos confirmados e 2,7 mil mortes, cresce a possibilidade de a doença ser declarada uma pandemia.

No entanto, a Organização Mundial da Saúde ainda não fez esse anúncio.

Segundo a definição do dicionário Merriam-Webster, a pandemia é "um surto de uma doença que ocorre numa grande área geográfica e afeta uma proporção excepcionalmente alta da população".

Mas pandemias não são uma novidade.

Gripe espanhola, gripe asiática, gripe suína e HIV/Aids também foram declaradas pandemias, com milhares de infectados e mortes.

Novos surtos do Covid-19 no Irã e na Itália aumentaram a possibilidade de que o vírus seja considerado uma pandemia.

Além disso, o crescimento vertiginoso de casos na Coreia do Sul tornou o país num dos mais afetados pela doença.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o vírus tem “totalmente” potencial pandêmico.

Mas "não estamos testemunhando uma disseminação global não contida do vírus, (por isso) o uso da palavra pandemia não se ajusta aos fatos".

Nem todo mundo concorda.

"Acho que muitas pessoas consideram a situação atual uma pandemia, temos transmissão contínua em várias regiões do mundo", diz à BBC o professor Jimmy Whitworth, da Escola de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres, no Reino Unido.

Alguns cientistas chegaram a argumentar há duas semanas que o mundo já havia entrado nos estágios iniciais de uma pandemia.

"O vírus está se espalhando pelo mundo e o vínculo com a China está se tornando menos forte", diz Whitworth.

Já a professora Devi Sridhar, da Universidade de Edimburgo, diz que sua perspectiva "mudou radicalmente" nos últimos dias.

"Esta tem sido em grande parte um surto chinês, agora estamos vendo o vírus avançar na Coréia do Sul, Japão, Irã e agora na Itália", diz ela. "É um vírus altamente infeccioso e está se espalhando muito rapidamente".

Sridhar diz acreditar que não se trata ainda de uma pandemia, pois, para isso, seriam necessárias longas cadeias de transmissão em países fora da China.

"Não temos evidências para dizer que estamos em uma, mas tenho certeza que teremos as evidências nos próximos dias”, diz.

"Se encontramos o vírus na Itália e no Irã, pode estar em qualquer lugar", conclui.

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