O que pensam os monges budistas que apoiam o golpe militar em Mianmar

O que pensam os monges budistas que apoiam o golpe militar em Mianmar

Mianmar, país do Sudeste Asiático também conhecido como Birmânia, enfrenta uma intensa onda de violência depois que militares tomaram o poder no país, em fevereiro deste ano.

Mais de 400 pessoas já foram mortas na repressão aos protestos contra o golpe militar.

Em razão da natureza repressiva do governo, é difícil confirmar com precisão o que se passa no país, mas alguns veículos de comunicação locais disseram que as forças de segurança tentaram impedir funerais.

Monges budistas têm grande influência no país e alguns deles se juntaram aos manifestantes, enquanto outros apoiam os militares.

A BBC ouviu, para este vídeo, os monges U Par Mauk Kha e U Sandar Thiri para saber o que eles pensam sobre a onda violenta dos últimos dias e como o país pode chegar à paz.

“Os militares não estão seguindo as orientações do governo civil e, por isso, podem intimidar as pessoas”, diz o monge U Sandar Thiri, que é favorável aos protestos.

U Par Mauk Kha, um dos religiosos que apoia o governo militar, tem outra visão sobre o assunto. “Existe um prazo. Uma eleição multipartidária democrática vai acontecer em um ano”, avalia ele.

Acusações de fraude

O golpe ocorreu logo antes do início da primeira sessão parlamentar em que a Liga Nacional para a Democracia (NLD), liderada pela vencedora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, assumiria as cadeiras, após uma vitória esmagadora nas eleições de novembro de 2020, em que o partido conquistou mais de 80% dos votos.

Suu Kyi era a atual governante do país. Os militares alegam que houve irregularidades no processo de votação e querem ficar no poder por um ano, até que novas eleições sejam realizadas.

No último dia 27 de março, os militares realizaram um desfile para o Dia das Forças Armadas e acompanharam o discurso do líder militar, Min Aung Hlaing, que disse querer "proteger a democracia", mas fez alertas contra "atos violentos".

O governo tem cortado o acesso à internet, censurado veículos de comunicação e bloqueado redes sociais para tentar conter os protestos contra o golpe, que tem ganhado força entre estudantes, funcionários públicos, sindicatos e categorias profissionais organizadas.

Em meio ao avanço da violência, um dos 20 grupos étnicos armados de Mianmar, a União Nacional Karen, afirmou ter invadido um posto do Exército perto da fronteira com a Tailândia, matando 10 pessoas.

As facções armadas étnicas de Mianmar dizem que não ficarão paradas em meio ao golpe e que não permitirão mais mortes de manifestantes, segundo o líder de um dos principais grupos armados.