'Ele só embarcou porque achei seu passaporte', diz amigo de vítima do voo da EgyptAir

  • Daniela Fernandes
  • De Paris para a BBC Brasil
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O fotógrafo Pascal Hess só conseguiu embarcar porque amigo encontrou seu passaporte

Fotógrafo freelancer de Évreux, na região francesa da Normandia, Pascal Hess tinha cancelado sua viagem para o Egito, onde encontraria um amigo que trabalha como instrutor de mergulho em um clube de férias.

O motivo: havia perdido seu passaporte poucos dias antes do embarque.

Mas o passaporte foi encontrado por um amigo e Hess acabou embarcando no voo de final trágico.

"Encontrei o passaporte do meu amigo e assim ele conseguiu embarcar no voo da EgyptAir", conta Daniel Picard, muito abalado com a morte de Hess, de 51 anos, um dos 15 franceses que morreram na queda do avião da companhia egípcia no mar Mediterrâneo, na quinta-feira passada.

"Ele havia deixado uns pertences na minha casa e acabei encontrando seu passaporte em uma caixa dois dias antes da viagem", afirmou Picard, dono uma assistência técnica de máquinas de costura em Évreux, à BBC Brasil.

Os dois se conheciam havia muitos anos e eram bastante próximos, disse.

Alguns amigos, segundo Picard, haviam aconselhado Hess a não viajar para o Egito por causa do histórico de recentes distúrbios políticos no país e de episódios envolvendo radicais islâmicos.

Em março, um avião da EgyptAir havia sido sequestrado e desviado até o Chipre; em outubro de 2015, um avião de passageiros russo que decolara do balneário egípcio de Sharm el-Sheikh caiu sobre a península do Sinai, matando as 224 pessoas a bordo.

O voo MS804 da Egyptair, que fazia a rota Paris-Cairo, transportava 66 pessoas, sendo 56 passageiros, sete membros da tripulação e três seguranças da companhia aérea, cuja presença a bordo passou a ser comum em viagens para países considerados a risco.

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No Cairo, parentes fizeram homenagens às vítimas

Desde quinta-feira, operações de busca aéreas e marítimas estão sendo realizadas no Mediterrâneo, entre a ilha grega de Creta e o norte do Egito.

Destroços do Airbus A320 foram encontrados a 290 quilômetros ao norte de Alexandria, segundo o ministério egípcio da Defesa.

'Pressentimento'

"Eu não disse para ele desistir da viagem, como alguns fizeram", afirmou Picard. "É muito duro", acrescentou ele, que perdeu a mulher recentemente e diz agora viver sob um "estresse terrível".

Hess trabalhava em uma cafeteria no hospital de Évreux e costumava fotografar shows de rock na cidade. Fã de vôlei, registrava em fotos jogos do Évreux Volley Ball, onde trabalhava como voluntário.

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Percurso do avião nas 24 horas anteriores à queda

Outro amigo dele, dono de um café em Évreux que costumava frequentar, disse ao jornal Le Parisien que o francês hesitou em viajar após ter localizado o passaporte.

"É estranho, como se ele tivesse um pressentimento", declarou.

Para Picard, Hess estava contente com a viagem. "Qualquer que seja a causa da queda do avião", diz, o resultado é que seu amigo "não está mais presente".

Ele diz, porém, achar que será mais duro lidar com a morte se as investigações concluírem tratar-se de um atentado extremista.

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Imagem de 2014 mostra o avião que desapareceu no Mediterrâneo

Histórias

Vários especialistas em aviação se mantêm prudentes e afirmam que os elementos revelados até o momento não permitem saber se a queda do avião teria sido causada por problemas técnicos ou por um atentado.

Entre os 30 egípcios mortos na queda do avião, outra história tem recebido destaque na imprensa internacional: a de Reham Ashery e de seu marido.

Reham sofria de um câncer e tinha viajado a Paris com o objetivo de obter melhor tratamento médico.

O casal havia vendido vários bens para pagar a viagem e despesas médicas na França, segundo o jornal inglês Telegraph. O casal tinha três filhos, que ficaram no Egito.