Com candidatura praticamente assegurada, Hillary tenta reverter maré negativa

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Image caption Democrata deve ser a primeira mulher a obter nomeação por um grande partido

Um dia após alcançar o número mínimo de votos para se tornar a candidata do Partido Democrata à próxima eleição presidencial americana, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton engrossou seu apoio entre delegados eleitorais na rodada de prévias desta terça.

Hillary venceu a prévia em Nova Jersey - segundo Estado mais populoso da rodada - e liderava a contagem no Novo México e na Dakota do Sul, enquanto o senador Bernie Sanders (Vermont) venceu na Dakota do Norte. Os resultados na Califórnia - Estado mais populoso do país - só devem ser divulgados a partir da meia-noite no Brasil.

Hillary fez um discurso depois do anúncio da vitória em Nova Jersey agradecendo seus apoiadores por ajudá-la a concretizar um momento histórico, pois "uma mulher será indicada por um grande partido pela primeira vez" dos Estados Unidos.

Após a primária em Porto Rico no domingo, Hillary chegou a 2.383 votos de delegados eleitorais, segundo projeções da agência AP - um a mais do que precisava para vencer a disputa contra Sanders.

Hillary reagiu à notícia com moderação e pediu a seus eleitores que votassem nesta terça. Ela tenta ampliar a vantagem sobre Sanders e minimizar as chances de que o senador consiga reverter o resultado na convenção democrata, no fim de julho.

Isso porque o cálculo da AP leva em conta os votos dos chamados superdelegados - líderes partidários que podem mudar de voto até a convenção. Do total de 2.383 votos que ela somou até agora, 1.812 estão atrelados aos resultados das prévias e 571 são de superdelegados.

Já Sanders tem 1.569 votos, dos quais só 48 vêm de superdelegados.

O senador tem dito que manterá a campanha até a convenção e tentará convencer superdelegados a mudar seus votos, já que pesquisas apontam que ele se sairia melhor que Hillary num duelo com o candidato republicano, Donald Trump.

Se ele levar os planos adiante, Hillary talvez tenha de esperar pela confirmação de sua vitória na convenção para unificar o partido e poder se concentrar no embate com Trump.

Até lá, ela será alvejada pelo empresário, que largou na frente ao garantir a nomeação republicana no fim de maio e vem tentando atrair líderes conservadores a seu palanque.

Quando a campanha começou, em 2015, poucos achavam que Trump venceria a disputa republicana com relativo conforto e que Hillary levaria tanto tempo para garantir a nomeação.

Sanders

A ex-senadora por Nova York não contava com a popularidade de Sanders entre eleitores brancos e jovens.

Ao defender bandeiras progressistas - como ampliar os gastos públicos em saúde e educação e aumentar o controle sobre o sistema financeiro -, o senador puxou a disputa democrata para a esquerda e forçou Hillary a contemplar os temas em sua campanha.

A candidata também chega à reta final das prévias desgastada pelas investigações sobre seu uso de um servidor privado de email quando era secretária de Estado do governo Obama.

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Image caption Hillary não contava com a popularidade de Sanders entre eleitores brancos e jovens

Hillary trocou milhares de mensagens confidenciais por meio de seu servidor pessoal, em vez de usar o do governo americano. Segundo especialistas em segurança, a prática expôs o país a riscos.

Uma investigação em curso do FBI, a política federal americana, determinará se Hillary violou alguma lei no episódio. O resultado da apuração deve ser anunciado só depois da convenção democrata e pode causar turbulências adicionais à campanha - ou, a depender da gravidade das conclusões, até inviabilizá-la.

A popularidade da candidata está em queda. Segundo um conjunto de pesquisas compiladas pelo site RealClearPolitics, 43,5% dos americanos tinham uma visão desfavorável de Hillary em julho de 2015; hoje, são 55,5%. Trump tem reprovação ligeiramente maior: 58,4%.

Pesquisas sobre um duelo Hillary-Trump em novembro mostram uma vantagem cada vez menor da candidata. Na média dos levantamentos nacionais, ela está hoje dois pontos à frente do empresário.

Analistas afirmam, porém, que ela segue favorita, e que o desfecho da disputa democrata deve lhe dar algum fôlego.

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Image caption Pesquisa revelou que três quartos dos eleitores de Sanders votariam em Hillary num duelo contra Trump

Eles dizem que, enquanto Sanders permanecer na disputa, alguns eleitores do senador evitarão declarar voto em Hillary. Mas uma pesquisa da Quinnipiac University revelou que três quartos dos eleitores de Sanders votariam em Hillary num duelo contra Trump.

Ela também deve se fortalecer quando o presidente Barack Obama passar a trabalhar por sua candidatura.

Obama ainda não declarou apoio a qualquer candidato democrata, mas poderá defender o voto em Hillary ainda nesta semana. Como ele chega ao fim do governo com popularidade em alta, talvez seja o mais influente cabo eleitoral do país hoje.

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