Por que os EUA jamais tiveram uma presidente mulher?

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Image caption Hillary Clinton espera ter sua candidatura confirmada em convenção democrata, em julho

A vitória de Hillary Clinton na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência americana torna possível que a Casa Branca seja finalmente chefiada por uma mulher a partir de 2017 - nesta quinta, ela recebeu o apoio público do presidente Barack Obama, que prometeu fazer campanha por sua eleição.

Desde que se tornou independente, em 1776, o país foi governado por 44 presidentes homens, permanecendo à margem do crescente clube de nações já comandadas por mulheres - entre as quais Alemanha, Grã-Bretanha, Brasil, Argentina, Índia e Libéria.

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Se for confirmada na convenção democrata em julho, Hillary será a primeira mulher a concorrer à Presidência por um dos dois principais partidos dos EUA. Tanto o Partido Democrata quanto o Partido Republicano escolhem seus candidatos em prévias que se arrastam por vários meses e mobilizam eleitores de todos os 50 Estados americanos.

A longa duração e os altos custos do processo favorecem políticos conhecidos e experientes, mais capazes de arrecadar recursos, ou candidatos ricos o suficiente para financiar a própria campanha - caso do bilionário Donald Trump, vitorioso na disputa republicana.

Conhecida nacionalmente desde que foi primeira-dama de Bill Clinton (presidente de 1993 a 2001) e tendo ocupado importantes cargos públicos, entre os quais o de senadora por Nova York, Hillary cumpre os pré-requisitos para ser uma forte candidata, mas seu caso ainda é uma exceção nos Estados Unidos.

Mulheres no poder

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Image caption Hillary Clinton quer suceder seu colega democrata Barack Obama

Apenas um quinto das cadeiras no Congresso americano é hoje ocupado por mulheres, e só seis dos 50 Estados têm governadoras.

Segundo o Pew Research Center, 5,2% das 500 maiores empresas americanas são presididas por mulheres. Dos 22 ministros do governo Barack Obama, 7 são mulheres.

Hillary integrou a equipe do presidente em seu primeiro mandato ao ocupar o prestigiado cargo de secretária de Estado (chefe da diplomacia). No governo anterior, de George W. Bush, outra mulher chefiara a pasta, Condoleezza Rice.

Hillary não será, porém, a primeira mulher a concorrer à Presidência, pois muitos partidos menores já lançaram candidatas ao posto. Em novembro, uma de suas oponentes será a médica e ativista Jill Stein, do Partido Verde.

A candidata pioneira foi a líder feminista Victoria Woodhull, que concorreu à Casa Branca em 1872 pelo Partido de Direitos Iguais. Naquela época, muitas mulheres não podiam sequer votar.

Barreiras

Só em 1920, quando os EUA já haviam tido quase 30 presidentes, o voto se tornou um direito de mulheres de todos os Estados americanos.

Mesmo quando conseguem concorrer à Presidência, mulheres enfrentam mais barreiras que homens, diz a ativista Barbara Lee.

Em artigo no jornal Boston Globe, ela afirma que os eleitores consideram votar em homens de quem não gostem, mas não estão tão dispostos a fazer o mesmo por candidatas mulheres.

Lee diz ainda que candidatas são mais cobradas do que candidatos, ainda que sejam vistas como "mais honestas e éticas" que de maneira geral.

"Quando se trata de erros, as mulheres têm uma margem menor para cometê-los. Mesmo pequenos tropeços impactam as percepções de eleitores sobre suas qualificações", afirma.

Distorção

No livro "Woman for President" (Mulher para Presidente), a pesquisadora Erika Falk analisou como jornais cobriram as campanhas de candidatas à Casa Branca desde 1872.

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Image caption Hillary Clinton foi secretária de Estado durante o primeiro mandato de Obama

Ela diz que, em todos os casos analisados, a imprensa ou ignorou ou distorceu as propostas das competidoras. Em resenha do livro, Ruth Rosen, professora da Universidade da Califórnia em Davis, conta que as candidatas eram retratadas de maneira estereotipada, o que ampliava a impressão entre os eleitores de que elas não pertenciam ao meio político.

Rosen afirma, porém, que a imprensa não é a única responsável por essa imagem. Ela diz que, nos Estados Unidos, muitos encaram o presidente "exclusivamente em termos militares, como chefe das Forças Armadas, em vez de protetores da segurança econômica, da saúde e educação dos cidadãos".

Nesse campo, Hillary se diferencia de competidoras anteriores por ter participado de importantes decisões militares do governo americano, como o ataque que matou Osama bin Laden, e por ser vista como linha-dura em temas de segurança nacional.

Seu histórico na área, porém, é controverso: como senadora, votou pela invasão do Iraque, e, como secretária de Estado, apoiou a intervenção que derrubou o líder da Líbia Muammar Khadafi, acirrando uma série de graves conflitos no país africano.

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