Suspeito é detido por explosão em NY; O que se sabe sobre essa e as demais bombas encontradas nos EUA

Investigadores trabajando en la zona de la explosión. Direito de imagem Getty Images
Image caption Local da explosão, na rua 23 perto da Sexta avenida

Autoridades americanas prenderam Ahmad Khan Rahami, o principal suspeito de realizar um ataque a bomba em Nova York no fim de semana. Ele foi capturado após atirar em um policial na cidade de Linden, em New Jersey, segundo órgãos de imprensa dos Estados Unidos.

Uma foto do suspeito sendo transportado em uma maca foi divulgada nas redes sociais na internet.

Linden, o local da prisão, fica perto da cidade de Elizabeth, onde mais artefatos explosivos foram achados no domingo.

Rahami, de 28 anos, é um cidadão americano de origem afegã. No fim de semana, ele havia sido apontado pelo FBI (polícia federal americana) como o principal suspeito de plantar a bomba que deixou 29 pessoas feridas no sábado à noite em Nova York.

Além da bomba detonada em Chelsea, um bairro de Manhattan, outros dois ataques foram registrados nos Estados Unidos: no sábado, uma bomba improvisada foi detonada em uma pequena localidade costeira de Nova Jersey e um homem esfaqueou nove pessoas em um shopping center em Minnesota - sendo morto em seguida por um policial de folga.

Nas primeiras horas desta segunda-feira, outro artefato explodiu quando estava sendo analisada por um robô antibomba na cidade de Elizabeth.

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Image caption Os ataques ocorreram apenas poucos dias depois que o país recordou os atentados de 11 de setembro de 2001.

Os ataques ocorreram apenas poucos dias depois que o país recordou os atentados de 11 de setembro de 2001.

O presidente Barack Obama disse que as investigações sobre os atentados em Nova York e New Jersey estão se desenrolando rapidamente e pediu que quem tiver informações sobre os casos se apresente às autoridades.

Embora a polícia investigue uma eventual conexão entre as bombas e o ataque a faca em Minnesota, Obama disse que não há uma ligação aparente entre os casos.

O grupo autodenominado Estado Islâmico disse que o ataque em Minnesota foi realizado por um de seus "soldados", mas não está claro se a motivação por trás das outras bombas seria terrorismo.

O autor do ataque a faca, um homem de origem somali, segundo agências de notícias, foi morto por um policial que estava de folga.

Obama disse também que os Estados Unidos continuarão atacando os líderes e a infraestrutura do autoproclamado Estado Islâmico e elogiou os cidadãos de Nova York e New Jersey, que "são duros e resilientes para voltar ao trabalho todos os dias" apesar dos ataques.

Atentado 'intencional'

O ataque em Nova York foi na rua 23, perto da esquina com a Sexta Avenida, no bairro de Chelsea. A explosão ocorreu às 8h30 da noite do sábado.

Descrita como "ensurdecedora", a explosão destruiu as janelas de um edifício próximo e os vidros de um veículo, e deixou uma pessoa ferida gravemente.

Mas o Corpo de Bombeiros da cidade informou que, até o meio-dia do domingo, todos os feridos haviam recebido alta do hospital.

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Image caption Ahmad Khan Rahami, suspeito por explosão no bairro de Chelsea

Pouco depois, as autoridades anunciaram que haviam encontrado outro artefato sem explodir a poucas quadras dali. Outro objetos suspeitos foi achados no domingo na cidade de Elizabeth.

Até agora não se conhecem os motivos por trás da explosão.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, disse no sábado à noite que o ato foi "intencional", mas que não havia evidência de ligação com grupos terroristas internacionais. Ele disse ainda que a cidade não estava sob ameaça iminente de terrorismo.

Entretanto, horas depois, no domingo, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que apesar da ausência de conexões com grupos internacionais, o ataque pode ser visto como um "ato terrorista".

"Quem quer que tenha plantado esses artefatos, vamos encontrá-los e trazê-los à Justiça", disse.

Bombas caseiras com estilhaços

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Vídeo mostra momento de explosão em Nova York

Segundo o jornal The New York Times, as bombas caseiras foram feitas com panelas de pressão conectadas com um telefone celular e luzes de Natal alterados para serem usadas como detonador, e continham "material de fragmentação" para maximizar o estrago causado.

Segundo o jornal, os investigadores encontraram um artefato similar na rua 27 - essa bomba não chegou a ser detonada e foi destruída em segurança.

Ambos os dispositivos são parecidos com os que foram utilizados no atentado contra a maratona de Boston em 2013.

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Image caption Autoridades estão analisando caixa que teria contido artefato que explodiu em Chelsea

Ataques vinculados?

A explosão em Manhattan ocorreu apenas horas depois de outra bomba ter explodido dentro de uma lixeira em Seaside Park, Nova Jersey.

Apenas uma de três bombas feitas com canos detonou. O incidente ocorreu próximo do local onde seria realizada uma corrida anual de 5 quilômetros em homenagem a veteranos de guerra. Ninguém ficou ferido.

Di Blasio disse no sábado que não havia elementos para relacionar os dois incidentes.

Entretanto, essa informação foi relativizada por investigadores que conversaram com o New York Times no domingo. Para eles, há cada vez mais motivos para crer em uma possível vinculação.

Nas primeiras horas desta segunda-feira, outra bomba explodiu ao ser analisada por um robô antibomba em Elizabeth, Nova Jersey, a apenas 25 km de Manhattan.

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Image caption Policiais usam robô anti-bombas para desarmar artefatos em Elizabeth, New Jersey

O prefeito da cidade, Christian Bollwage, disse que a bomba estava dentro de uma mochila que continha cinco artefatos.

"Imagino que se todos os cinco detonassem ao mesmo tempo, a perda de vidas seria enorme, se houvesse um evento sendo realizado", afirmou o prefeito.

Reforço policial

Os incidentes levaram as autoridades americanas a enviar 1.000 agentes de segurança adicionais para reforçar a segurança em Nova York.

No domingo à noite, o FBI, a polícia federal americana, questionou cinco pessoas que viajavam de carro pela rodovia Belt Parkway, mas informou pelo Twitter que nenhum suspeito foi indiciado.

A área onde ocorreu a explosão,em Chelsea, foi evacuada e isolada.

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Image caption Las 29 personas heridas fueron dadas de alta el domingo al mediodía.

Reação dos candidatos

Os dois candidatos na corrida pela Casa Branca se manifestaram em apoio às vítimas dos incidentes e à população afetada.

A democrata Hillary Clinton disse que estava em contato com as autoridades nova-iorquinas e ressaltou que o país precisa dar apoio às vítimas.

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Image caption A candidata democrata à Casa, Branca, Hillary Clinton

O republicano Donald Trump disse que os ataques evidenciam o que chamou de "políticas falidas" do presidente democrata, Barack Obama. "Precisamos ser fortes", tuitou.

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