EUA registram segunda noite de confrontos em meio a polêmica sobre ação policial

Protestos em Charlotte Direito de imagem Getty Images

A violência explodiu pela segunda noite seguida na cidade de Charlotte, no Estado americano da Carolina do Norte, em meio a protestos contra a morte de um homem negro pela polícia.

Protestos na noite desta quarta-feira (21) foram interrompidos por tiros que feriram gravemente um homem na multidão. Dirigentes municipais classificaram o episódio como um confronto de "civis contra civis".

O incidente elevou a tensão entre manifestantes e polícia na maior cidade da Carolina do Norte. A administração local prontamente negou o uso de munição letal, e policiais de choque fizeram uso de gás lacrimogêneo para tentar dispersar as pessoas no principal centro comercial do município.

Os manifestantes protestavam após a morte de Keith Lamont Scott, 43 anos, numa ação policial na terça-feira (20). A polícia diz que o homem foi alertado a largar sua arma antes de ser baleado. A família da vítima contesta a versão policial e diz que ele apenas lia um livro ao ser atingido.

A morte de Scott deflagrou protestos violentos na noite de terça-feira, que deixaram 16 policiais feridos.

A segunda noite de protestos começou pacífica, mas a manifestção foi interrompida por tiros e um homem acabou ferido. A prefeitura inicialmente disse que ele havia morrido, mas depois retificou a informação em nota no Twitter.

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Image caption Manifestantes encaram policiais em Charlotte, nos EUA

Manifestantes lançaram garrafas e rojões contra os policiais, que revidaram com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo em tentativa de dispersar as pessoas.

O uso de força letal pela polícia contra negros vem motivando amplos protestos nos EUA nos últimos dois anos. Em julho, cinco policiais de Dallas foram mortos e outros seis feridos por dois franco-atiradores durante protestos contra a morte de dois homens negros pela polícia.

No último dia 16, um homem negro de 40 anos que estava desarmado foi morto pela polícia em Tulsa, no Oklahoma. Dois dias antes, um menino de 13 anos foi morto por policiais ao sacar uma arma de ar comprimido ao ser detido.

A polícia de Charlotte pediu calma e defendeu suas ações no caso da morte mais recente, de Keith Lamont Scott, afirmando que o homem recebeu inúmeros avisos para se render. O chefe de polícia disse que o homem inicialmente saiu armado de um veículo, e depois entrou de novo ao receber a ordem de rendição.

Scott foi baleado ao sair do carro armado. O chefe de polícia Kerr Putney não soube dizer se ele apontava a arma para os policiais ao ser baleado.

A filha de Scott publicou um vídeo no Facebook em que diz que o pai estava desarmado e lendo um livro enquanto esperava um ônibus para ir buscar outro filho.

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