Derrotado nas urnas, presidente da Colômbia vence Nobel da Paz

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante cerimônia de assinatura do acordo de paz, em Cartagena Direito de imagem AFP
Image caption Santos (centro) cumprimenta o líder das Farc, Timoshenko, durante a assinatura do acordo: esforço reconhecido com o Nobel da Paz

Apesar da derrota no referendo de 2 de outubro, em que a maioria dos colombianos rejeitou o acordo feito com o grupo Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para encerrar 50 anos de guerra civil, o presidente Juan Manuel Santos, principal arquiteto das negociações, foi agraciado nesta sexta-feira com o Prêmio Nobel da Paz.

O anúncio foi feito em na capital da Noruega, Oslo, pela presidente do júri, Kaci Kullman Five. Em uma rápida entrevista coletiva, ela disse que a escolha é um reconhecimento à iniciativa de Santos em negociar com as Farc. Depois de cinco anos de esforços, o governo colombiano obteve do grupo paramilitar garantias de desarmamento em troca de uma ampla anistia e da promessa de fazer do grupo armado um partido político com cadeiras no parlamento.

Nas cinco décadas de conflito com as Farc, mais de 260 mil pessoas morreram na Colômbia.

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Image caption A presidente do Comitê do Nobel da Paz, Kaci Kullman Five, disse que decisão reconheceu esforços de Santos

A proposta foi derrotada no último domingo em um referendo convocado pelo próprio Santos como parte das negociações – o resultado praticamente partiu o eleitorado ao meio, com o "não" obtendo 50,2% dos votos, uma diferença de pouco mais de 50 mil votos.

Recorde

A campanha pelo "não" foi capitaneada pelo ex-presidente Alvaro Uribe, para quem o acordo era por demais leniente com as Farc, sobretudo nas investigações relacionadas a crimes cometidos por guerrilheiros.

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Image caption O ex-presidente Uribe comandou a campanha que derrubou o acordo com as Farc nas urnas

"O povo colombiano não rejeitou a paz, mas sim os termos do acordo apresentado. O comitê reconhece os esforços absolutos do presidente Santos pela paz e espera que o prêmio sirva de incentivo para que a Colômbia continue buscando uma solução para que a Guerra Civil não recomece", disse Five.

O comitê se recusou a comentar o porquê da não inclusão do líder das Farc, Timoleon Jimenez, conhecido como Timoshenko, que teve participação decisiva no acordo.

No início da semana, Santos disse que a derrota no referendo não iria interromper as negociações.

Segundo o comitê do Nobel, houve um número recorde de indicações ao Prêmio da Paz: 376. Até o candidato do Partido Republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, teria sido incluído. Vale lembrar que as indicações são abertas ao público. No entanto, a praxe do comitê é não comentar sobre candidatos.

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