Brasileiro suspeito de esquartejar família se entrega na Espanha

François Patrick Nogueira Gouveia se entrega a guardas civis Direito de imagem Guarda Civil da Espanha/EPA
Image caption François Patrick Nogueira Gouveia se entregou na Espanha após um acordo entre sua defesa e a Guarda Civil

O suspeito de ter matado e esquartejado uma família de brasileiros na Espanha se entregou voluntariamente à Guarda Civil espanhola na manhã desta quarta-feira.

François Patrick Nogueira Gouveia, 19 anos, viajou do Brasil à Espanha após um acordo entre sua defesa e a Guarda Civil, responsável pelas investigações.

Ele chegou sozinho em um voo comercial de São Paulo a Madri e foi detido assim que desceu do avião.

Patrick é suspeito de ter matado e esquartejado o tio Marcos Campos Nogueira, 41 anos, a esposa Janaína Santos Américo, 40, e os dois filhos deles, Maria Carolina, 4 anos, e David, 1 ano, na cidade de Pioz, na província espanhola de Guadalajara.

Os corpos foram encontrados no dia 17 de setembro dentro de seis sacolas plásticas - um mês após terem sido assassinados, segundo estimam os peritos. Patrick teria voltado ao Brasil dois dias após a localização dos corpos.

O brasileiro foi encaminhado ao comando da Guarda Civil de Guadalajara para ser interrogado. Uma fonte policial informou que, na sexta-feira, ele provavelmente já ficará à disposição da autoridade judicial.

O ministro da Justiça espanhol, Rafael Catalá, comemorou a detenção do brasileiro, porque ele será julgado na Espanha.

Direito de imagem Guarda Civil da Espanha/EFE
Image caption Patrick é suspeito de ter matado e esquartejado seu tio e familiares.

Negociações

A entrega voluntária era a única maneira de o brasileiro se sentar no banco dos réus na Espanha, já que a Constituição do Brasil não permite a extradição de nacionais para serem presos e julgados no exterior.

De acordo com a Guarda Civil, o acusado se entregou após as negociações entre os investigadores, o advogado de defesa e a família de Patrick, que estiveram no país na semana passada.

O advogado do suspeito, Eduardo de Araújo Cavalcanti, explicou à BBC Brasil que esteve no país para conversar pessoalmente com o juiz do caso e a Promotoria.

"No Brasil, Patrick não confessa, mas expressou o desejo de voltar, pois acredita que na Espanha terá melhores condições de relatar os fatos", ressaltou o magistrado.

Questionado sobre uma eventual confissão de Patrick à Guarda Civil, o advogado disse que seu cliente "é muito reservado".

"Ele se apresenta para que os trâmites legais transcorram com sua presença na Espanha", reforçou o advogado. "A família respeita a decisão dele com muita dor, porque ele volta para ser preso."

Segundo Cavalcanti, a entrega voluntária de Patrick rechaça as suspeitas de que ele teria "fugido".

Cavalcanti evitou avaliar se seria "melhor" para Patrick ser preso e julgado na Espanha, entretanto disse que "é evidente a diferença entre a situação carcerária entre Brasil e Espanha, mas não foi uma decisão fácil".

Direito de imagem EPA
Image caption Autoridades espanholas dizem ter certeza da autoria do crime

'Medo da cadeia'

Walfran Campos Nogueira, tio de Patrick, afirmou que foi uma surpresa a entrega do sobrinho. "Acho que ele teve medo da cadeia brasileira", opinou.

Embora parte do caso continue sob segredo de Justiça, o assunto mantém a atenção da imprensa espanhola, que a cada dia divulga detalhes das investigações.

Nos últimos dias, por exemplo, os jornais noticiaram que a polícia encontrou amostras de DNA do suspeito em vários lugares e objetos da casa das vítimas e que o rastreamento do celular de Patrick o situa ali no dia do crime.

No último dia 5 de outubro, os investigadores da Guarda Civil afirmaram em entrevista coletiva que têm provas "incontestáveis" sobre a autoria da chacina.

O caso gerou comoção nacional e mobilizou a comunidade brasileira que mora na Espanha a realizar campanhas para arrecadar fundos para o traslado dos corpos a João Pessoa (PB).

O tio do suspeito disse que está finalizando trâmites burocráticos para o traslado dos quatro corpos e afirmou que espera arrecadar o valor necessário para repatriá-los na semana que vem.

O advogado de defesa afirmou que os pais de Patrick querem contribuir financeiramente para a repatriação dos corpos.

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