Embaixador russo é assassinado em exposição de arte na Turquia

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Imagens mostram atirador após ataque a embaixador russo

Um atirador matou o embaixador da Rússia na Turquia, Andrei Karlov, na capital Ancara, em um ataque supostamente contra o envolvimento russo na guerra da Síria.

Segundo relatos, várias outras pessoas teriam sido feridas no ataque, realizado um dia depois de protestos na Turquia contra a intervenção militar russa em território sírio.

O embaixador participava de uma exposição de arte chamada "Russia as seen by Turks" - "Rússia na visão dos turcos", em tradução literal. Os disparos ocorreram enquanto Karlov fazia um discurso.

O atirador teria sido morto pela polícia, segundo a mídia local, que não deu mais detalhes..

Karlov foi levado às pressas para o hospital, mas sua morte foi confirmada depois pelo governo russo.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan conversou por telefone com o presidente russo Vladimir Putin sobre o ataque, de acordo com o gabinete de Erdogan. Do lado de fora do hospital para onde Karlov foi levado, o prefeito de Ancara, Melih Gokcek, disse que o assassinato pretendia arruinar as relações de seu país com a Rússia.

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Image caption Após alvejar o embaixador, atirador gritou palavras sobre Aleppo e a Síria

O ataque foi condenado por diversas autoridades:

- O porta-voz do departamento de Estado dos EUA, John Kirby, disse que oficiais americanos estão cientes do ataque contra o embaixador. "Nós condenamos este ato de violência, qual tenha sido sua origem", disse. "Que ele e sua família recebam nossas condolências e preces a ele e a sua família."

- O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou: "Fiquei chocado ao saber do deplorável homicídio do embaixador da Rússia na Turquia. Meus pensamentos estão com sua família. Condeno este ataque covarde".

- O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, disse que seu país está com a Turquia em uma luta comum contra o terrorismo.

- O presidente francês, François Hollande, condenou "fortemente" o assassinato

Em meio a protestos nos últimos dias sobre a situação em Aleppo, os governos da Turquia e da Rússia coorperavam entre si para a operação de cessar-fogo, afirma o correspondente da BBC Turquia, Mark Lowen.

Antes do ataque acontecer, uma reunião entre ministros da Rússia, Turquia e Irã estava planejada para ocorrer na terça-feira, em Moscou.

Oito tiros

Um vídeo gravado no salão de exposições mostra o embaixador Karlov fazendo um discurso quando os começaram os disparos. A câmera então mostra o atirador, vestindo terno e gravata, segurando uma pistola e disparando, aparentemente, oito tiros.

É possível ouvi-lo gritando "Não se esqueçam de Aleppo, não se esqueçam da Síria". Ele também usa a frase islâmica "Allahu Akbar" ("Deus é grande").

Mais tarde, ele foi identificado por autoridades turcas como membro de um batalhão da polícia de Ancara. O autor dos disparos teria 22 anos.

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Image caption Embaixador russo Andrei Karlov visitava galeria de arte na capital turca

Andrei Karlov, de 62 anos, era um diplomata veterano que serviu como embaixador soviético na Coréia do Norte durante boa parte da década de 1980.

Depois da queda da URSS, em 1991, ele assumiu o posto de embaixador russo na Coréia do Sul. Após assumir o posto em Ancara, em julho de 2013, ele teve que enfrentar uma importante crise diplomática no ano passado, quando um avião turco derrubou um jato russo perto da fronteira com a Síria.

Exigindo um pedido de desculpas turco, Moscou impôs sérias sanções e os dois países só reataram recentemente.

A porta-voz do ministério russo de Relações Exteriores, Maria Zakharova, classificou o ataque como um ato de "terrorismo" e disse que a Turquia garantiu uma investigação detalhada e prometeu que os responsáveis ​​seriam punidos.

"A memória deste excelente diplomata russo, um homem que fez tanto para combater o terrorismo, permanecerá em nossos corações para sempre", disse Zakharova.

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Image caption Público da exposição se protege após os disparos

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