Vídeo mostra policiais agredindo minoria étnica em Mianmar, país comandado por Nobel da Paz

Vídeo mostra policiais agredindo minoria étnica em Mianmar, país comandado por Nobel da Paz

Um vídeo mostrando agressões cometidas por policiais durante uma operação no norte de Mianmar voltou a lançar atenção sobre uma possível tragédia humanitária no país asiático.

As imagens mostram os agentes agredindo camponeses da minoria étnico-religiosa rohingya, que praticam a religião muçulmana em um país de maioria budista.

Os rohingya há décadas sofrem violenta perseguição em Mianmar e a ONU já acusou as autoridades do país de tentar promover uma limpeza étnica, sobretudo entre os anos de 1962 e 2011, quando o país foi governado com mão de ferro por uma junta militar.

No ano passado, eleições gerais resultaram em ampla vitória da LND, o partido de oposição liderado por Aung San Suu Kyi, símbolo da luta contra o regime militar na nação asiática, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991.

Legenda da foto,

Imagens mostram agressões a camponeses da minoria rohingya

Embora impedida legalmente de ocupar a presidência de Mianmar, Aung San Suu Kyi é quem comanda de fato o país, e por isso ela tem recebido críticas pelo que ativistas de direitos humanos dizem ser uma posição leniente em relação à causa rohingya.

Na semana passada, diversos ganhadores do Nobel da Paz assinaram uma carta aberta em que criticam Aung San Suu Kyi pelo que classificaram como crimes contra a humanidade - organizações de direitos humanos, com base em relatos locais, já que o exército impede a entrada de estrangeiros em Rakhine, falam em centenas de mortos em operações policiais recentes, além de estupros coletivos.

Mesmo nos tempos de oposição, a líder negou que houvesse perseguição oficial aos rohingya.

É importante entender também que, embora não tenham a presidência, os militares ainda detêm poder significativo em Mianmar, sobretudo graças ao apoio da vizinha China - controlam, por exemplo, os dois principais ministérios (Defesa e Interior).

Com população estimada em um milhão de pessoas, os rohingya se estabeleceram na região que hoje é o Estado de Rakhine há séculos, mas desde a independência de Mianmar do Reino Unido, em 1948, têm negado o direito de cidadania e são tratados como imigrantes ilegais pelo poder central.

Consequentemente, houve um longo conflito armado entre 1948 e 1961 e, há quatro anos, tensões ressurgiram em Rakhine.

Em outubro, um ataque de militantes muçulmanos matou nove policiais na região.

O governo anunciou na segunda-feira que vai investigar abusos dos policiais e que havia prendido diversos agentes.