‘Sempre a amarei’: jovem sequestrada quando bebê defende mulher suspeita de raptá-la

Kamiyah Mobley/Lexis Manigo com os pais biológicos, Shanara Mobley e Craig Aiken Direito de imagem Facebook de Kamiyah Mobley
Image caption Kamiyah Mobley/Lexis Manigo publicou esta foto em sua página no Facebook junto com os pais biológicos, Shanara Mobley e Craig Aiken

Com muita calma, Lexis Manigo defende a mulher acusada de sequestrá-la há 18 anos.

As autoridades americanas acreditam que Manigo foi levada de um hospital por Gloria Williams no dia 10 de julho de 1998, com apenas oito horas de vida.

"Eu entendo que o que ela fez foi errado, mas acho que... Apenas olhe para a minha vida", diz a jovem, com voz embargada, sobre a mulher suspeita de tê-la raptado e que a criou durante 18 anos.

Manigo deu entrevistas para os canais americanos NBC e ABC News.

"Compreendo que foi um erro, mas não foi totalmente ruim (...) Nem tudo o que aconteceu (depois do sequestro) foi ruim", explicou a jovem à NBC.

"Ela me criou com bons princípios, com respeito. Causou um grande impacto na minha vida."

"(Ela) Me amou durante 18 anos. Cuidou de mim durante 18 anos (...) Sempre será minha mãe. Foi uma grande mãe (...) Sempre a amarei", contou Manigo, desta vez para a ABC News.

Enfermeira

Direito de imagem Facebook de Kamiyah Mobley
Image caption Lexis Manigo/Kamiyah Mobley em foto com a mulher que pensava ser sua mãe, Gloria Williams

O rapto aconteceu em 1998 em um hospital de Jacksonville, no Estado americano da Flórida.

A mãe verdadeira de Lexis Manigo é Shanara Mobley e, de acordo com seu depoimento, no dia do sequestro Gloria Williams entrou em seu quarto no hospital dizendo ser uma enfermeira.

Ela então pegou o bebê, afirmando que a criança estava com febre e precisava fazer um exame. A partir daí, Shanara nunca mais viu a filha.

Desde então ela começou a procurar a menina, a quem tinha dado o nome de Kamiyah Mobley.

Shanara apareceu várias vezes na imprensa pedindo que sua filha fosse devolvida, mas nunca obteve resposta.

Milhares de pistas

Na última sexta-feira, as autoridades informaram que finalmente tinham localizado a jovem.

Depois de receber quase 2,5 mil pistas em quase duas décadas de investigação, a polícia conseguiu resolver o caso.

Direito de imagem Polícia de Jacksonville
Image caption Kamiyah Mobley quando bebê e a mulher presa por seu sequestro, Gloria Williams

E foi uma informação que chegou à polícia há um ano que levou ao paradeiro de Gloria Williams e da jovem na cidade de Walterboro, na Carolina do Sul.

Lexis, na verdade, já sabia que havia sido raptada. Ela precisou de sua certidão de nascimento para um novo emprego e, ao perceber que Gloria Williams dava sucessivas desculpas para não mostrá-lo, confrontou a mãe e descobriu a verdade.

Meses depois, em 2016, ela contou isso a uma amiga e, em seguida, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas dos EUA recebeu uma mensagem anônima que dava uma pista sobre o caso.

O centro contactou as autoridades e, três meses depois, recebeu outra pista anônima. Desta vez, a mensagem dizia que Gloria Williams já havia admitido para pessoas próximas que raptou a filha.

No início de janeiro, detetives da Flórida foram à escola que Lexis estudava e conseguiram encontrar sua certidão de nascimento e seu cartão de seguridade social. Ambos, eles descobriram, eram falsos. O número de seguridade social usado pela menina pertencia, na verdade, a um homem do Estado da Virgínia, que havia morrido em 1983.

Lexis Manigo (ou Kamiyah Mobley) foi submetida a um exame de DNA, que confirmou que ela era a filha de Shanara.

A jovem já se encontrou com ela e com seu pai biológico, Craig Aiken, que disse em uma entrevista que nunca perdeu a esperança de encontrar a filha.

Em suas conversas com as redes de TV, Lexis falou do reencontro.

"Estou bem, estou aceitando. Tenho outra família, e isso é mais amor", disse à NBC.

"Para as famílias com crianças desaparecidas, isso (o que aconteceu comigo) dá esperança."

Gloria Williams, que está com 51 anos, é agora acusada de sequestro pela Justiça americana.

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