‘Tomei veneno’: o momento dramático que suspendeu julgamento histórico no Tribunal de Haia
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‘Tomei veneno’: o momento dramático que suspendeu julgamento histórico no Tribunal de Haia

Já era esperado que a sessão final de um julgamento de crimes de guerra que já dura 24 anos fosse tensa, mas ninguém imaginava um desfecho tão dramático.

Nesta quarta-feira, no Tribunal de Haia, na Holanda, o ex-general croata Slobodan Praljak, de 72 anos, morreu após ingerir veneno diante da corte ao ouvir sua sentença.

Ele teve sua pena de 20 anos de prisão confirmada por ter contribuído para a perseguição e assassinato de muçulmanos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

Junto com outros cinco acusados, ele recorria da decisão e, ao saber que havia perdido, agiu de forma chocante.

Praljak se levantou, disse não ser um criminoso de guerra e levou um pequeno frasco de vidro à boca, engolindo um líquido.

Em seguida, disse ao juiz Carmel Agius, que presidia a sessão: "Tomei veneno".

Ele recebeu atendimento médico, mas morreu no hospital, segundo um comunicado do tribunal.

A guerra

Na semana passada, Ratko Mladic, comandante do Exército sérvio durante a guerra, foi condenado à prisão perpétua por genocídio, crimes contra a humanidade e por ter promovido uma "limpeza étnica" na região durante o conflito.

A disputa teve início em fevereiro de 1992, quando muçulmanos e croatas da Bósnia votaram pela independência em relação à Iugoslávia. O referendo foi boicotado pelos sérvios. Um mês depois, a União Europeia reconheceu a independência da Bósnia.

Os sérvios deram, então, início à guerra. O Exército de 180 mil homens comandado por Madlic cercou a cidade de Sarajevo e ocupou 70% do país. Com o intuito de estabelecer uma República Sérvia, perseguiram e mataram croatas e muçulmanos.

Aliados contra os sérvios, croatas e muçulmanos travaram ainda uma guerra civil entre si em 1993-94, na qual Mostar, no sul da Bósnia, foi o epicentro.

Praljak foi considerado culpado por ter sido informado de que fiéis muçulmanos estavam sendo detidos por soldados e levados para a cidade de Prozor no verão de 1993 e por não ter feito nada para impedir isso. Também não agiu ao saber que havia planos de matá-los, assim como por saber de ataques a membros de organizações internacionais e a locais no leste de Mostar, como mesquitas. Ele jamais admitiu ser um criminoso de guerra.