Presidente manda prender até meio-irmão e mergulha ilhas remotas em crise política

A polícia guardava da entrada da Suprema Corte na madrugada de segunda-feira Direito de imagem AFP
Image caption A polícia guardava da entrada da Suprema Corte na madrugada de segunda-feira

O governo das Ilhas Maldivas, nação no oceano Índico, declarou estado de emergência por 15 dias em meio à crise política que atinge o remoto país.

Forças de segurança entraram na Suprema Corte, e o ex-presidente Maumoon Abdul Gayoom foi preso.

O governo já havia suspendido o Parlamento e ordenado que o Exército impedisse qualquer movimentação da Suprema Corte que fosse favorável ao impeachment do presidente Abdulla Yameen.

Yameen, no poder desde 2013, desafiou uma decisão da Justiça que determinara a libertação de líderes da oposição detidos.

O estado de emergência dá às forças de segurança do país poderes extras para realizar prisões.

Um porta-voz da Suprema Corte disse que havia juízes dentro da sede do órgão quando ele foi invadido pela polícia, a mando do governo.

O Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos disse em uma postagem no Twitter que o "mundo está observando" as Maldivas.

O país têm uma população de 400 mil pessoas e sua economia é altamente dependente do turismo.

Justiça

Em uma decisão emblemática na sexta, a Suprema Corte havia decidido o que o julgamento do ex-presidente Mohamed Nasheed em 2015 foi insconstitucional.

Nasheed, primeiro líder do país eleito democraticamente, foi condenado a 13 anos de prisão com base em uma lei antiterrorismo, por ordenar a prisão de um juiz.

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Image caption O ex-presidente Mohamed Nasheed disse à BBC que planeja voltar às Maldivas para contestar as eleições | Foto: AFP/Getty Images

O veredito havia sido condenado internacionamente e o ex-presidente conseguiu asilo no Reino Unido, onde fazia um tratamento médico.

A Suprema Corte também ordenou que fossem reempossados 12 deputados que haviam sido cassados. Essas medidas judiciais fariam com que oposição voltasse a ter maioria no Parlamento.

Ex-presidente

Outro nome central à crise, Gayoom tem hoje 80 anos. Ele governou as Maldivas de maneira autoritária durante três décadas antes de o país se tornar uma democracia, em 2008.

Meio irmão do atual presidente, Yameen, Gayoom agora se juntou à oposição. Ele foi preso em sua casa, segundo opositores ao governo. Minutos antes, ele havia feito um post no Twitter falando sobre a presença da polícia do lado de fora.

O governo também depôs o chefe de polícia responsável por colocar em prática as decisões judiciais e ordenou a prisão de dois deputados de oposição que tinham retornado às Maldivas.

Oposição

As Maldivas já haviam declarado estado de emergência em novembro de 2015, quando o governo disse que estava investigando um conspiração para matar o presidente – dois dias antes de um protesto da oposição.

O ex-presidente Nasheed, que está em exílio no Sri Lanka, disse à BBC News que as "ações ilegais" do governo configuravam um golpe.

"Os maldivanos estão fartos desse regime criminoso e ilegal", disse ele. "O presidente Yameen deveria abdicar imediatamente."

E deputada oposicionista Eva Abdulla diz que o estado de emergência é um "ação desesperada" que mostra como o governo "perdeu tudo, incluindo a confiança das pessoas e instituições".

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Image caption Protestos no domingo exigiam a liberdade de nove deputados

Pelo que as Maldivas são conhecidas

O país é um destino turístico conhecido por praias belíssimas e hotéis caros e luxuosos.

O país tem 1.192 ilhas e 26 atóis de coral.

Embora as águas de suas praias sejam cristalinas, a política nas ilhas sempre foi conturbada: desde que Yameen tomou posse, em 2013, o país tem recebido críticas por cercear a liberdade de expressão, por prender membros da oposição e por atacar a independência do Poder Judiciário.

Image caption As Ilhas Maldivas são um destino turístico conhecido por suas praias | Foto: Science Photo Library

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