‘Estávamos ali para desestabilizar o inimigo’, diz ex-cheerleader da Coreia do Norte
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‘Estávamos ali para desestabilizar o inimigo’, diz ex-cheerleader da Coreia do Norte

Os atletas não são os únicos que têm chamado atenção nos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados na cidade sul-coreana de Pyeongchang até o próximo domingo.

Nas arquibancadas, um grupo de jovens mulheres sorridentes e barulhentas também tem atraído os holofotes.

São aproximadamente 200 líderes de torcida norte-coreanas enviadas pelo regime de Kim Jong-un exclusivamente para o evento esportivo.

Foi a primeira vez que muitos sul-coreanos ficaram frente a frente com seus vizinhos, com os quais estão oficialmente em guerra há mais de 50 anos.

As líderes de torcida da Coreia do Norte compõem uma delegação de última hora e superam em dez vezes o número de atletas do país.

Seu papel, segundo uma ex-líder de torcida que desertou há anos para a Coreia do Sul, vai muito além de animar as multidões. Os sorrisos que acompanham os movimentos coreografados fariam parte da estratégia norte-coreana dentro do contexto de conflito entre os dois países.

"Não estávamos ali apenas para incentivar o nosso time, mas para desestabilizar o inimigo. O governo norte-coreano nos treinou para ter essa mentalidade de que estamos na linha de frente para promover a ideologia Juche (autoconfiança)", diz Han Seo-hee à BBC.

"Nos separaram para receber diferentes tipos de treinamento psicológico. Fomos instruídas a não ficar surpresas ou chocadas com o mundo diferente do nosso", acrescenta.

Han conta que o foco do treinamento “era para não esquecermos nosso país nem por um minuto".

"Também não deveríamos esquecer que estávamos lá para homenagear o general Kim (Kim Jong-un)", afirma.

Durante todo o evento, as cheerleaders eram protegidas por guardas que impediam qualquer interação delas com o público.

Segundo Han, as mulheres são escolhidas com base na aparência e na ideologia.

O governo também verifica os antecedentes delas para saber se têm relação com desertores.

Na prática, segundo analistas, trata-se de uma ofensiva do governo norte-coreano para desviar a atenção dos reais problemas do país: campos de trabalhos forçados, tortura e execuções públicas.