A montadora chinesa que virou a maior acionista da dona da Mercedes - e preocupa a Alemanha

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Image caption O governo alemão advertiu que ficará atento à operação

Ao criar a Mercedes-Benz, na década de 1920, é improvável que seus fundadores imaginassem que ela acabaria caindo nas mãos de uma empresa chinesa. Mas foi exatamente isso que aconteceu. A chinesa Geely se converteu na maior acionista da Daimler, dona da fabricante alemã de automóveis, na última sexta-feira.

A Geely, que já era dona a Volvo e a London Taxi Company, investiu US$ 9 bilhões na operação, adquirindo 9,7% de participação. O negócio, contudo, foi polêmico.

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Image caption O governo chinês anunciou que 20% dos carros vendidos no país até 2025 deverão ser elétricos ou híbridos recarregáveis

Ele tem gerado preocupação na Alemanha porque, segundo críticos, a China estaria interessada nos avanços tecnológicos e inovações desenvolvidos pela empresa alemã.

O governo declarou que não impediria a compra das ações da Daimler, mas, ao mesmo tempo, avisou que "ficaria de olho". "A Alemanha é uma economia aberta, que dá boas-vindas aos investimentos", declarou a ministra da Economia Brigitte Zypries em entrevista para o jornal alemão Handelsblatt.

Porém, essa abertura "não deveria ser utilizada como porta de entrada para favorecer os interesses das políticas industriais de outros países", completou.

Outro aspecto que tem gerado certa preocupação é que a Europa é muito mais aberta ao capital estrangeiro do que a China.

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Image caption Carros da Geely chegaram a ser vendidos no Brasil entre 2014 e 2016, mas importação foi suspensa com a crise

'Os invasores'

A China é considerada o mercado mais importante para a indústria automobilística no futuro. Um dos motivos é o anúncio do governo chinês de que 20% dos carros vendidos no país até 2025 deverão ser elétricos ou híbridos recarregáveis. Isso tem estimulado novos investimentos de empresas estrangeiras no país.

A visão da Geely é de que as empresas que tradicionalmente dominaram a produção de automóveis deveriam se aliar para fazer frente ao surgimento de outros competidores, como Tesla e Waymo (empresa associada ao Google), qualificadas como "os invasores".

A empresa já declarou que seu plano é "caminhar junto com a Daimler para se converter em líder mundial do mercado de carros elétricos".

Em uma operação paralela, a Daimler anunciou que investiria US$ 1,9 bilhão em uma nova aliança com outra empresa chinesa do setor automobilístico, chamada Baic, com o objetivo de modernizar suas instalações e adaptá-las para construir Mercedes elétricos.

As duas empresas, Daimler e Baic, estão trablahando juntas no mercado chinês, onde a produção estrangeira apenas é permitida por um sistema de alianças com uma empresa local.

Tudo indica que a indústria automobilística está se movendo rápido. Na semana passada, a fabricante alemã BMW anunciou um acordo com a chinesa Great Wall Motor para fabricar carros elétricos na China, com o objetivo de vendê-los no mercado local.

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Image caption Por quase um século, a Mercedes-Benz tem sido reconhecida como uma empresa tradicionalmente alemã

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