A misteriosa chegada de trem norte-coreano a Pequim e os rumores sobre 1ª viagem de Kim Jong-un ao exterior

Homem assiste em Seul reportagem na TV sobre trem que teria levado Kim Jong-un a Pequim Direito de imagem AFP PHOTO / Jung Yeon-jeJUNG YEON-JE/AFP/Getty Ima
Image caption TV japonesa veiculou imagens de trem de 21 carros em Pequim que causou grande especulação na região

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, teria feito uma visita secreta na segunda-feira à China, segundo especulações surgidas após a informação de que um membro do alto escalão do governo norte-coreano chegara a Pequim de trem em meio a um forte esquema de segurança.

As notícias sobre a chegada do trem e os fortes esquemas de segurança na fronteira entre os dois países e em áreas chaves da capital chinesa vieram da mídia japonesa. O trem já teria retornado a seu ponto de origem. A identidade de seu principal passageiro não foi revelada nem pela China nem pela Coreia do Norte.

A China é o principal fornecedor de alimentos e combustível da Coreia do Norte e tradicionalmente exerce um papel importante na mediação de negociações entre o país comunista e seus rivais. Analistas disseram que Pequim poderia ter um papel de peso na organização de um eventual encontro entre o líder norte-coreano e o presidente americano, Donald Trump, em maio.

A Coreia do Sul disse desconhecer a identidade do "funcionário de alto escalão" no trem, mas que estava tentando obter mais informações. A Coreia do Norte não se posicionou sobre o assunto, e o Ministério das Relações Exteriores da China disse não ter informações no momento, mas que elas poderiam vir "no momento adequado".

Se confirmada a visita, essa seria a primeira vez que Kim Jong-un deixa seu país desde que assumiu seu comando em 2011.

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Image caption As agências de notícia dizem que houve movimentação incomum em Pequim, indicando a visita de autoridade de alto escalão

A agência japonesa de notícias Kyodo disse que o objetivo da visita seria o de melhorar as relações diplomáticas entre os dois países, estremecidas desde que a China permitiu que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) impusesse uma série de sanções contra a Coreia do Norte.

No mês passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou um convite sem precedentes para se encontrar com Kim Jong-un e acredita-se que as autoridades estejam trabalhando nos bastidores para resolver os complexos requisitos diplomáticos e de segurança que esse encontro exigiria.

O encontro, o primeiro entre um líder norte-coreano e um americano desde 1950, está marcada para maio.

Chegada de trem

Um canal japonês de TV veiculou imagens de um trem de vagões verdes, semelhante ao usado por Kim Jong-il, pai de Kim Jong-un, quando esteve em Pequim em 2011. Aquela visita só foi confirmada após o retorno de Kim Jong-il.

A agência Kyodo disse que o comboio seria composto por 21 vagões e teria entrado na China pela cidade de Dandong, na fronteira com a Coreia do Norte e a 1,1 mil quilômetros de Pequim.

Em Pequim, a movimentação perto da estação ferroviária na segunda-feira, dia 26, foi incomum, segundo relatos.

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Image caption O líder norte-coreano Kim Jong-un (à dir.) poderia estar buscando reaproximação com China

O gerente de uma loja perto do local, disse à agência de notícias AFP que "havia muitos policiais do lado de fora e ao longo da estrada em frente à estação. As entradas da estação estavam bloqueadas".

A polícia também retirou turistas da Praça Tiananmen, segundo a Reuters, o que geralmente sinaliza uma reunião de pessoas do alto escalão no Grande Salão do Povo, o edifício parlamentar de Pequim que costuma abrigar encontros com líderes estrangeiros. A agência também informou que uma comitiva com grande escolta policial foi vista se afastando do local.

Analistas consultados pela agência de notícias Yonhap, da Coreia do Sul, disseram que a autoridade visitando a China também pode ser Kim Yo-jong, a irmã de Kim Jong-un, ou o oficial militar Choe Ryong-hae.

"Ainda não confirmamos quem viajou para Pequim", disse uma autoridade do gabinete presidencial em Seul. "Estamos observando atentamente a situação ... com todas as possibilidades em mente."

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