Pacientes com ebola fogem do isolamento e vão à igreja na República Democrática do Congo

Duas enfermeiras da Organização Mundial de Saúde, com uniformes azul-claro, boné e luvas, se preparam para administrar vacinas Direito de imagem AFP
Image caption Ebola pode provocar sangramento fatal nos órgãos internos

Três pacientes com ebola fugiram de uma unidade de tratamento em Mbandaka, na República Democrática do Congo, na segunda-feira. Os doentes contaram com a ajuda de familiares, que exigiram que eles fossem levados para locais religiosos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dois deles morreram. O terceiro voltou para o hospital.

A República Democrática do Congo vive um surto de ebola, decretado em 8 de maio. Desde então, segundo a Organização Mundial da Saúde, 58 casos foram registrados, com 27 mortes. É o nono surto de ebola do país. O temor é que a doença se espalhe rapidamente em Mbandaka, cidade com um milhão de habitantes.

O caso dos três pacientes que abandonaram o isolamento representa um desafio para equipes de saúde, que estão lutando para interromper a propagação da doença, altamente contagiosa, segundo a repórter da BBC no país, Anne Soy.

Não há cura conhecida para o ebola. O isolamento dos pacientes é a principal forma de manter a doença sob controle. O contágio acontece quando fluidos corporais (como sangue, suor, urina ou fezes) de um indivíduo infectado tocam alguma das membranas mucosas de alguém que não está contaminado (olhos, orifícios nasais, boca, feridas abertas).

Outro entrave ao controle é que ainda há quem acredite que o ebola não representa uma ameaça ou pode ser tratado com ajuda de curandeiros e práticas religiosas tradicionais. A falta de informação dificultou o combate à epidemia entre 2013 e 2016, no Oeste da África, que vitimou mais de 11,3 mil pessoas.

Como os pacientes fugiram?

Os familiares dos pacientes foram até o centro de tratamento, administrado pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF), e exigiram que os doentes fossem levados para centros de orações, segundo Eugéne Kabambi, funcionário da OMS. Na confusão, os doentes foram, então, retirados do local de moto.

A polícia ordenou uma busca pelos pacientes. Um deles foi encontrado morto em casa. Seu corpo foi removido, para que fosse realizado um enterro seguro. Outro paciente foi levado de volta ao hospital na terça-feira, ainda com vida, mas morreu no mesmo dia, segundo os Médicos Sem Fronteiras.

As famílias dos três pacientes estão sendo monitoradas.

As equipes médicas estão fazendo esforços para convencer os pacientes a não deixarem o centro de saúde e continuarem o tratamento. "Mas a hospitalização forçada não é a solução para essa epidemia. A aderência dos pacientes é primordial", disse a organização em um comunicado. "Isso é um hospital. Não é uma prisão, nós não podemos trancar tudo", afirmou Henry Gray, chefe da missão do MSF em Mbandaka.

Direito de imagem EPA
Image caption República Democrática do Congo enfrenta sua nona epidemia de ebola

A situação está sob controle?

O início do atual surto de ebola na República Democrática do Congo foi registrado cerca de 100 quilômetros ao sul de Mbandaka. A propagação do ebola de áreas rurais até a cidade espalhou temores de que a doença estivesse caminhando rumo à capital do país, Kinshasa, e para países vizinhos.

A OMS afirma que o surto tem potencial de se expandir. "Nós estamos na berlinda", disse Peter Salama, chefe de respostas de emergência da OMS, em uma reunião especial para discutir a crise em Genebra.

"As próximas semanas serão determinantes para avaliar se esse surto irá se expandir para áreas urbanas, ou se nós conseguiremos mantê-lo sob controle", acrescentou Salama.

Trabalhadores de saúde começaram uma campanha de imunização para deter a propagação do vírus da ebola, em 21 de maio. Uma vacina experimental está sendo usada de forma limitada.

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