O discurso histórico do presidente sul-coreano no maior evento da Coreia do Norte

Moon Jae-in e Kim Jong-un levantam as mãos juntos Direito de imagem Reuters/Pyongyang Press Corps
Image caption Moon Jae-in (à esquerda) participa de visita de três dias a Pyongyang para se reunir com Kim Jong-un

O presidente Moon Jae-in se tornou o primeiro líder sul-coreano a discursar para uma plateia norte-coreana. O ato histórico aconteceu na quarta-feira, durante o Festival Arirang, em Pyongyang.

Em sete minutos de discurso, ele disse que os dois países deveriam "virar um só", como eram antes da guerra.

Moon está participando de uma visita de três dias a Pyongyang, onde assinou um acordo histórico com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

O festival, também conhecido como Jogos de Massas, é um dos maiores eventos de propaganda nacional do Norte.

Dezenas de milhares de pessoas participaram das apresentações de dança e ginástica coreografadas, que contam a história do país e de mitos coreanos. Neste ano, o evento celebrou ainda o 70º aniversário da Coreia do Norte.

Ambos os líderes foram aplaudidos de pé por 150 mil pessoas quando entraram no Estádio Primeiro de Maio, palco do festival.

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Image caption Mosaico formado por placas seguradas por espectadores mostra os dois líderes juntos no estádio

"Proponho que devemos encerrar completamente os últimos 70 anos de hostilidade e dar um grande passo de paz para nos tornarmos um novamente", disse Moon em seu discurso, transmitido ao vivo na Coreia do Sul, mas não na Coreia do Norte.

Ele também levantou o tema da desnuclearização durante sua fala, pedindo que as armas nucleares fossem removidas "permanentemente".

"O discurso foi feito claramente sob medida para o público norte-coreano", diz Andray Abrahamian, do instituto Pacific Forum.

Segundo ele, o clima no estádio foi "incrivelmente emocional".

"As performances combinadas com o discurso de Moon foram projetadas para tocar o coração do público", acrescentou.

"É realmente um apelo emocional de Moon por apoio da Coreia do Norte. Tenho certeza de que agora sua popularidade no Norte não terá precedentes."

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Image caption Cerca de 150 mil espectadores participaram do evento, que envolve dezenas de milhares de dançarinos e acrobatas
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Image caption Em discurso, Moon Jae-in sugeriu que os dois países caminhem em direção a um 'novo futuro juntos'
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Image caption Ambos os líderes receberam flores de crianças antes do espetáculo começar
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O Festival Arirang, que não foi realizado durante vários anos, é parte significativa da propaganda nacional da Coreia do Norte - enfatiza a uniformidade, uma história em comum e o status quase divino da liderança.

Grupos de direitos humanos acusaram a Coreia do Norte, no passado, de forçar a participação de milhares de crianças no evento.

"A rigorosa rotina de treinamentos para o festival é perigosa para a saúde e o bem-estar das crianças", informou um relatório da Comissão de Inquérito da ONU de 2014 sobre direitos humanos na Coreia do Norte.

O documento também acrescenta que os jogos atraíram um grande número de turistas "que muitas vezes desconhecem as violações de direitos humanos sofridas por crianças que são forçadas a participar".

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Image caption Os artistas usaram placas para formar imagens complexas
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Image caption O evento foi ligeiramente adaptado para os visitantes sul-coreanos
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Image caption Estádio Primeiro de Maio recebeu iluminação especial para o festival

Em um ato repleto de simbolismo, os líderes coreanos fizeram uma visita ao Monte Paektu para concluir a programação da cúpula de três dias.

A montanha ocupa um lugar central na mitologia coreana, aparece no hino nacional da Coreia do Sul e em várias propagandas norte-coreanas.

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Image caption Kim, Moon e suas respectivas esposas no topo do Monte Paektu

Moon também parece ter chamado a atenção ao fazer uma saudação para aqueles que o receberam no aeroporto, em Pyongyang.

Um desertor da Coreia do Norte disse a uma emissora de rádio local que essa é a forma que os cidadãos norte-coreanos cumprimentam seus líderes, e não o contrário.

E acrescentou que a reverência teria um profundo impacto sobre a população.

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Image caption Moon e a mulher cumprimentam norte-coreanos, mais uma vez, ao deixar Pyongyang

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