Senado americano confirma indicação de Kavanaugh por Trump para a Suprema Corte

Brett Kavanaugh e Donald Trump Direito de imagem Reuters
Image caption Nomeação de Kavanaugh deve fortalecer controle conservador sobre grupo de juízes que têm palavra final sobre interpretação da lei americana.

O Senado americano confirmou por 50 votos a favor e 48 contra a indicação do presidente Donald Trump para a Suprema Corte do país após semanas de debates acalorados em torno do juiz Brett Kavanaugh.

Kavanaugh foi acusado pela professora universitária Christine Blasey Ford de abusar sexualmente dela em 1982, quando ele tinha 17 anos e ela, 15. Além de Ford, ao menos outras duas mulheres também fizeram acusações semelhantes contra o juiz.

O FBI investigou o caso e enviou para os senadores um relatório que não foi divulgado publicamente. O documento teria reunido indícios a favor e contra a acusação e não teria feito conclusões, segundo informações obtidas pela BBC.

Antes da votação, centenas de pessoas protestaram contra a nomeação de Kavanaugh em frente ao Capitólio, em Washington.

Enquanto o escrutínio acontecia no Senado, os manifestantes gritavam a palavra "vergonha" a partir das galerias. O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, precisou pedir que as pessoas parassem de se manifestar.

A nomeação de Kavanaugh é vitalícia e deve fortalecer o controle conservador sobre o grupo de nove juízes que têm a palavra final sobre a interpretação da lei americana.

Como foi a votação no Senado?

A maioria dos congressistas seguiu a orientação de suas bancadas. Kavanaugh, na verdade, precisava apenas de uma votação 50-50 - o voto de minerva caberia então ao vice-presidente Mike Pence.

No final, houve uma margem favorável de 2 votos - o democrata Joe Manchin, de West Virginia, foi o único a trair a orientação partidária e a votar a favor de Kavanaugh.

O senador republicano Steve Daines faltou à sessão por causa do casamento de uma filha. Ele pretendia votar a favor de Kavanaugh. Outra congressista do mesmo partido, Lisa Murkowski, que inicialmente votaria contra a nomeação, se absteve.

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Image caption A professora Christine Blasey Ford acusou o juiz de abusar sexualmente dela em 1982

Apesar de ter declarado que Kavanaugh era um "bom homem", Murkowski disse também que ele "não era a pessoa certa para a Suprema Corte neste momento" e que a "suspeita de sua inadequação se tornou inevitável".

Joe Manchin, o democrata que votou a favor da nomeação, está enfrentando uma campanha difícil pela reeleição em seu Estado, West Virginia, que é tradicionalmente republicano. Em 2016, os eleitores do Estado elegeram Trump por uma larga margem. Manchin disse ter concluído que "Kavanaugh é um jurista qualificado" para o posto.

Análise: É só o começo

Anthony Zurcher, correspondente da BBC News na América do Norte

A confirmação de Brett Kavanaugh para a Suprema Corte está decidida. A guerra política, porém, está apenas no começo.

A escolha de Donald Trump criou uma controvérsia capaz de capturar a atenção do país de um jeito que poucas questões políticas são capazes. Gerou uma quantidade de manchetes que só rivaliza com as eleições presidenciais do país.

Agora que os disparos foram feitos, está na hora de avaliar os danos.

Por que é tão importante?

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Image caption Votação foi marcada por protestos do lado de fora do Senado

Basicamente, porque a Suprema Corte é o árbitro máximo da lei dos Estados Unidos.

O colegiado tem a palavra final sobre assuntos controversos como aborto e controle de armas.

No passado, os republicanos no Congresso conseguiram evitar que a última indicação fosse feita por Barack Obama, deixando a tarefa para Trump. A escolha do conservador Neil Gorsuch, empossado em abril passado, fortaleceu o direcionamento conservador da corte.

Agora, todos os olhos estarão voltados para as eleições legislativas de novembro. Trump terá mais uma vitória importante para exibir nesta campanha, mas analistas estarão atentos a um possível efeito da nomeação de Kavanaugh sobre o voto feminino.

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