O que se sabe sobre o suspeito de ter enviado bombas a políticos nos EUA

Cesar Sayoc, foto da polícia de 2015 Direito de imagem Polícia do Condado de Broward
Image caption Cesar Sayoc foi preso na cidade de Plantation, na Flórida, e acusado de cinco crimes federais, incluindo ameaçar dois ex-presidentes

Um homem de 56 anos foi preso na Flórida em conexão com o envio de pacotes com potencial explosivo ao escritório do ex-presidente americano Barack Obama, à casa da ex-secretária de Estado Hillary Clinton e de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, e a outros destinatários, todos críticos do presidente Donald Trump.

De acordo com as autoridades, o homem se chama Cesar Sayoc, e outras pessoas ainda podem ser presas. Sayoc foi acusado de cinco crimes federais, incluindo a ameaça a dois ex-presidentes.

Impressões digitais e análises de DNA reforçam sua conexão com os pacotes explosivos.

Trump disse que os atos foram "desprezíveis e não têm lugar no nosso país", e prometeu "justiça rápida e certeira".

Nos últimos dias, 14 pacotes foram enviados para pessoas como o ex-Procurador-Geral Eric Holder, a congressista democrata Maxine Waters , da Califórnia, e o ator Robert de Niro.

Dois foram encontrados na Flórida e em Nova York na manhã desta sexta-feira. Horas depois, outros dois foram descobertos na Califórnia.

O bilionário Tom Steyer, doador do partido democrata, disse que um pacote enviado para ele foi interceptado em uma agência dos correios na cidade de Burlingame, e outro, enviado para a senadora democrata Kamala Harris, foi mandado para Sacramento.

O incidente ocorre menos de duas semanas antes das eleições legislativas nos Estados Unidos, na qual serão renovados a Câmara e o Senado.

De acordo com a mídia local, Sayoc foi preso em uma loja de peças automotivas na cidade de Plantation, na Flórida.

O que se sabe sobre Cesar Sayoc?

As agências de segurança dizem que Sayoc vive em Aventura, na Flórida, mas tem conexões com a cidade de Nova York. Ele é filiado ao partido Republicano.

Em 2002, ele foi preso por fazer uma ameaça de bomba no Condado de Miami-Dade e foi condenado a um ano em condicional.

Sayoc tem uma ficha criminal que começa em 1991 no Condado de Broward. Ele foi preso aos 29 anos, acusado de roubo, e também já respondeu a acusações de fraude e agressão.

Registros da Justiça local mostram que ele declarou falência em 2012 quando vivia com sua mãe. No relatório, há um bilhete escrito à mão que diz: "Mora com a mãe. Não tem móveis".

Direito de imagem CBS
Image caption Mídia americana mostrou van que seria do suspeito sendo levada para análises por agentes de segurança

Em 1980, ele passou três semestres como estudante na Faculdade Brevard na Carolina do Norte, segundo um porta-voz da universidade. No entanto, o porta-voz disse à BBC News que ele não se formou.

As autoridades americanas dizem que ele foi encontrado após a análise de provas contendo DNA.

Depois do anúncio de sua prisão, as redes de TV americanas mostraram imagens ao vivo de uma van branca, que pertenceria a Sayoc, sendo presa a um trailer e levada para análises.

As janelas da van estavam cobertas de imagens. E uma delas, Trump aparece de pé em cima de um tanque de guerra e, em outra, Hillary Clinton aparece com um alvo no rosto.

O que Trump disse sobre as bombas?

Em um evento na Casa Branca, Trump elogiou as forças de segurança pela rápida prisão do suspeito, dizendo que era como buscar "uma agulha no palheiro".

"Estes atos intimidadores são desprezíveis e não têm lugar em nosso país", afirmou.

"Vamos processá-los... até onde a lei permitir. Nunca permitiremos que a violência política crie raízes no nosso país."

As declarações, no entanto, contrastavam com o que Trump tuitou horas antes, quando sugeriu que os incidentes, que ele descreveu como "o negócio das bombas" estaria prejudicando o "momentum" republicano no início das votações.

O ex-diretor da Inteligência Nacional americana James Clapper, um dos destinatários dos pacotes encontrados nesta sexta, disse à CNN que "sem dúvidas, isso é terrorismo doméstico".

Clapper afirmou ainda que qualquer pessoa que tenha criticado o presidente Trump precisa ficar alerta e tomar precauções extra de segurança.

Como ocorreu a descoberta dos explosivos?

Diversos alertas de bombas começaram a ser disparados na segunda-feira, quando um dispositivo suspeito foi encontrado na caixa de correio do executivo e filantropo bilionário George Soros, um dos maiores doadores do partido Democrata e alvo de diversas teorias da conspiração.

Outros foram encontrados em locais diferentes até esta sexta, quando um pacote endereçado ao senador democrata Cory Booker foi encontrado na Flórida e outro, endereçado a James Clapper, foi encontrado em Nova York.

Antes disso, um total de 10 pacotes foram enviados a oito indivíduos, segundo o FBI.

Nenhum dos explosivos foi detonado. O pacote enviado a Tom Steyer não foi mencionado nas acusações oficiais contra Sayoc.

O que estava dentro dos pacotes?

O diretor-assistente do FBI William Sweeney disse que análises detalhadas de todos os pacotes estão sendo realizadas no laboratório do FBI em Quantico, no Estado de Virgínia, perto de Washington.

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Image caption Nesta sexta-feira, mais quatro pacotes endereçados a políticos e milionários ligados ao partido Democrata foram interceptados

Segundo o FBI, muitos dos pacotes pareciam conter bombas caseiras feitas com tubos de exaustor e com timers (temporizadores) facilmente compráveis em lojas de departamentos.

A rede de TV CNN diz que os dispositivos eram funcionais, mas instáveis, de acordo com investigadores. Isso quer dizer que eles poderiam ser detonados apenas pelo manuseio.

No entanto, depois de ver imagens de raios-X dos pacotes, diversos especialistas falando com a mídia americana lançaram dúvidas sobre a verdadeira eficiência dos dispositivos.

O comissário da Polícia de Nova York, James O'Neill, não confirmou se todos os dispositivos deveriam ter explodido, mas disse que os pacotes "estão sendo tratados como dispositivos com potencial explosivo".

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