Os condenados que preferiram morrer na cadeira elétrica a tomar injeção letal nos EUA

Uma cadeira elétrica fora de uso no Texas Direito de imagem AFP
Image caption A cadeira elétrica foi gradualmente abandonada como método de execução a partir da década de 1980

Um condenado do Estado americano do Tennessee foi executado numa cadeira elétrica depois de dizer que a injeção letal lhe causaria sofrimento.

David Earl Miller, que passou 36 anos no corredor da morte, é o último apenado a evitar a injeção letal, após uma série de execuções que deram errado nos EUA.

Outro presidiário do Tennessee, Edmund Zagorski, também foi eletrocutado em novembro.

A injeção letal é hoje o principal método de execução adotado no Tennessee.

Apesar disso, presidiários no corredor da morte cujos crimes foram cometidos antes de 1999 ainda podem escolher a execução na cadeira elétrica.

Antes da execução de Zagorski, a cadeira elétrica estava sem uso no Estado desde 2013. Antes disso, a última execução pela cadeira elétrica no Tennessee foi em 1960.

Miller foi declarado morto no começo da noite da quinta-feira, no presídio de segurança máxima de Riverbend, em Nashville.

Segundo o porta-voz do departamento penitenciário do Estado, as últimas palavras de Miller foram "(A cadeira elétrica) é melhor do que ficar no corredor da morte".

Miller foi condenado pela morte de uma jovem de 23 anos com problemas mentais, em 1981.

À Justiça, tanto Miller quanto Zagorski citaram a execução de Bily Ray Irick, em agosto deste ano. Ele demorou mais de 20 minutos para morrer depois de tomar a injeção letal, e ficou roxo durante o processo - o que não é esperado.

Por que a injeção letal é controversa?

Miller, de 61 anos, e Zagorski, de 63, argumentaram que a injeção usada hoje pelo Tennessee, baseada numa droga chamada midazolam, os conduziria a uma morte lenta e dolorosa.

A droga atual é a última de várias combinações de medicamentos usados, as quais parecem ter causado sofrimento às vítimas. A Constituição dos EUA proíbe o uso de métodos cruéis como punição.

Direito de imagem AFP
Image caption Edmund Zagorski, executado pelo Tennessee na cadeira elétrica em novembro de 2018

Em setembro, um médico disse em depoimento à Justiça do Tennessee que Irick sentiu uma dor digna da tortura durante sua execução, segundo a imprensa local.

O médico, dr. David Lubarsky, disse que o midazolam sedou parcialmente Irick, mas não impediu que ele sentisse os efeitos das outras duas drogas injetadas como parte da execução.

Defensores da injeção letal argumentam que o processo é indolor.

Miller, o último a ser executado, também foi um dos quatro condenados que moveram um processo federal para pedir ao Estado do Tennessee que usasse um esquadrão de fuzilamento ao invés da injeção letal ou da cadeira elétrica, segundo o jornal The Tennessean.

No Estado vizinho do Alabama, mais de 50 condenados escolheram ser mortos em uma câmara de gás ao invés da injeção letal, numa consulta realizada no começo do ano, segundo o portal Vox.

Quais Estados americanos usam a cadeira elétrica?

O eletrocutamento não é mais o método principal de execução em nenhum Estado americano. Em Nebraska e na Georgia, a Justiça decidiu inclusive que a cadeira elétrica é inconstitucional.

O enforcamento era a forma de execução mais comum nos EUA até a década de 1890. A partir daí, a cadeira elétrica se tornou a forma mais comum.

Em 1982, a primeira execução com injeção letal foi praticada no Texas - e gradualmente, a injeção passou a substituir a cadeira elétrica naquele Estado.

No Brasil, a pena de morte foi aplicada pela última vez em 1876. Formalmente, porém, a pena capital continua a existir na Constituição brasileira: é reservada para alguns crimes ocorridos em tempo de guerra.

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